Matrimônios

Número de casamentos legais cai pelo terceiro ano seguido

Pesquisa da Fundação Seade revela queda acentuada no número de casamentos. Casais de Santos são que unem mais tarde

18 de novembro de 2019 - 10:45

Felipe Rey

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Se antes os casamentos oficializados eram primordiais para as pessoas, hoje os números provam que o cenário mudou.

Conforme pesquisa da Fundação Seade, homens e mulheres estão se casando cada vez mais tarde.

E em Santos, isso é uma realidade ainda mais próxima.

Entre as cidades com mais de 100 mil habitantes, o Município é o que registra a maior taxa de idade para casar tanto em homens quanto mulheres.

Na região, a média também supera os indicadores do Estado e de outras localidades.

A média de idade de mulheres da Baixada Santista que casam, por exemplo, é de 33,6 anos.

Em Santos, o número se eleva para 35,2. Enquanto no Estado, segundo a pesquisa, chega a 32,1 anos.

Entre os homens, os números são ainda superiores. Na Baixada, os dados apontam que a média de idade para um homem se casar é de 36,4 anos (e 34,7 no Estado).

Em Santos, chega a 37,6.

No que se refere à idade dos noivos, houve variação em relação a 2017, quando foram registradas idades médias de 33,9 anos para o sexo masculino e 31,3 anos para o feminino.

Em 2018, ocorreu aumento para os casamentos ocorridos entre homens e mulheres, com idades médias de 34,7 e 32,1 anos, respectivamente.

Diminuição

Ainda segundo a pesquisa, em 2018, foram 279.899 registros, quase 12 mil casamentos a menos do que no ano anterior, com queda de 4%.

Os dados, no entanto, quando comparados com 2015, revelam uma queda ainda maior: de 8%.

Ou seja, 25.402 casamentos a menos.

A queda na realização de casamentos legais é ratificada pelas taxas de nupcialidade, que, após atingirem seu pico em 2015 passaram a exibir decréscimo.

A taxa bruta de nupcialidade, relacionando o número de casamentos pelo total da população, variou de 7,1 para 6,4 casamentos por mil habitantes no período elencado.

Não bastasse, a taxa com a população em idade de casar, ou seja, acima de 15 anos reduziu-se de 8,8 para 7,9 casamentos por mil habitantes, representando decréscimo de 10%, entre 2015 e 2018.

Uma sensível diferença em tão pouco tempo e que tende a crescer .

Arte: Mala

Mudanças

As dificuldades de se ter certeza no parceiro para compartilhar o futuro é a explicação dada pela socióloga e coordenadora do curso de Ciências Sociais da Unimes, Syntia Alves ao desmembrar os motivos pelos quais os números de casamentos decai ao longo dos anos.

Segundo Syntia, as constantes dúvidas fazem com que eles evitem entrar em burocracias e possíveis problemas futuros, como divórcios.

“Além disso, medo de perder a liberdade que as gerações anteriores conquistaram também têm ajudado a diminuir a busca por casamentos legais em SP”, assegura.

A socióloga explica ainda os motivos pelos quais homens e mulheres estão cada vez mais se casando tarde.

De acordo com ela, a geração Y, que hoje em dia está entrando na casa dos 30, foi criada para estudar e ser bem sucedida na vida profissional.

Ela ressalta que devido a esta criação, as pessoas tem cada vez menos procurado se satisfazer amorosamente.

“Outro ponto importante é que muitas pessoas associam o casamento à estabilidade financeira, ou seja, programam se casar quando estiverem com a vida econômica estável e isso está cada dia mais difícil de acontecer”.

Prioridades

A jornalista Natasha Guerrize, 31 anos, confirma a teoria apontada pela profissional.

Ela afirma que devido a dedicação à carreira, o casamento ficou em segundo plano atualmente.

No entanto, outro fator que também auxiliou nesta decisão de não realizar matrimônio foi o fato dos pais dela nunca terem oficializado a união.

“Eu não descarto um casamento. No momento, não, pois sou solteira, mas penso que se eu estiver com alguém que partilha dos mesmos objetivos, planejamento é algo fundamental”, afirma.

 

Casamentos entre casais do mesmo sexo aumenta

O preconceito instaurado na população não vem se refletindo nos números de casamentos entre casais do mesmo sexo.

A pesquisa aponta um aumento expressivo nos números de casamento de 64% entre 2017 e 2018, movimento observado para as uniões tanto do sexo feminino (63,5%) quanto do masculino (65%).

Conforme os dados do estudo, a união entre pessoas do mesmo sexo representaram 1,5% do total de casamentos em 2018.

Desde a sua regulamentação e coleta, de 2013 a 2018, foram celebrados no Estado de São Paulo 14.715 uniões de pessoas do mesmo sexo: 57,7% de uniões femininas e 42,3% masculinas, segundo a pesquisa.

No Estado, por exemplo, aconteceram 4.100 casamentos, enquanto na Baixada Santista, houve 171 uniões, representando, assim, 4,2% de todos os casamentos do Estado.

A porcentagem é pouco superior à representatividade da região no Estado.

Santos conta com a maior taxa de uniões entre as cidades da Baixada Santista.

Foram 18 casamentos entre homens e 35 entre mulheres, totalizando 53.

Os dados mensais de ocorrência dos casamentos destaca dezembro como o preferido entre as uniões tanto de parceiros de sexos diferentes como do mesmo sexo, principalmente nesse último grupo, pois nesse mês ocorreram mais de 30% do total das uniões ao longo do ano.

 

Arte: Mala

 

Superação

Mesmo juntas há quatro anos e casadas há três, o preconceito ainda está perpetuado no cotidiano da vida da professora da inglês Luana Cabral e Lika Cabral.

De acordo com a professora, o preconceito sofrido é uma realidade.

“Não tive problemas com a minha família, mas da minha esposa sempre houve preconceito. Melhorou, mas ainda é forte”, salienta.

 

Violência

Pelo menos, 8.027 pessoas LGBTs foram assassinadas no Brasil, entre os anos de 1963 a 2018.

“Na rua, muitas pessoas têm medo em seus empregos. Nunca tivemos problemas na área profissional, mas somos sortudas nesse quesito”, ressalta Luana.

Ela ainda destaca que em relação as estatísticas, as pessoas possuem prioridades diferentes.

Segundo ela, nem todos os casais possuem poder aquisitivo para fazer uma cerimônia, muitos, inclusive, optam por viajar ao celebrar a união.