Meio Ambiente

Pandemia traz reflexos à natureza

A quarentena propiciou a diminuição da poluição do ar nas cidades, mas não evitou o aumento do desmatamento

05 de junho de 2020 - 18:07

João Pedro Bezerra

Da Redação

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O Dia Mundial do Meio Ambiente foi comemorado no dia 5 de junho. Em um mundo cada vez mais consumista, com altos índices de poluição debater essa pauta é de extrema importância para o futuro.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2018, mostram que a poluição do ar mata mais de 50 mil pessoas no Brasil por ano. As partículas que ficam na atmosfera podem causar infecções respiratórias, cardiovasculares e câncer no pulmão.

Vale ressaltar que a Baixada Santista tem uma das cidades com mais poluentes do país. Cubatão, por ser um município de polo industrial, tem uma tendência a registrar mais partículas prejudiciais à saúde.

A pandemia da Covid-19 trouxe graves consequências para a saúde, economia e educação, entre outros segmentos. Todavia, o avanço do vírus e o isolamento social foram benéficos em alguns aspectos para o Meio Ambiente, porém em outros pode trazer impactos negativos.

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) divulgou uma diminuição de 50% das partículas nocivas na primeira semana da quarentena obrigatória.

Com o menor índice de veículos nas ruas e empresas trabalhando em horários reduzidos ou até mesmo fechadas, o nível de poluição consequentemente abaixou nos centros urbanos, principalmente nas regiões metropolitanas.

De acordo com o biólogo e professor do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ítalo Braga, apesar dos níveis dos poluentes do ar terem caído, dizer que a pandemia ajudou o Meio Ambiente é uma questão mais ampla. “Existe uma capacidade de recuperação ambiental, mas o tempo transcorrido ainda é curto para maior parte dos impactos. Por exemplo, o plástico jogado no ambiente diminuiu nestes três meses, porém desde 1940 o material está no mundo com um longo período para a decomposição”.

Polêmicas

Ativistas e ambientalistas criticam a postura do ministro do Meio Ambiente/ Foto: Agência Brasil

A questão ambiental também foi assunto de polêmica em meio a pandemia do novo coronavírus no Brasil. Durante a reunião ministerial no dia 22 de abril, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles ressaltou o plano para aprovar uma série de reformas, segundo ele, seria o momento de passar ‘a boiada’.

“A oportunidade que nós temos, que a imprensa está nos dando um pouco de alívio nos outros temas, é passar as reformas infralegais de desregulamentação, simplificando todas as reformas que o mundo inteiro (…) cobrou de todo mundo” ressaltou Salles.

Após a divulgação do vídeo da reunião feita pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, diversas entidades nacionais e internacionais criticaram a postura de Ricardo Salles se referindo a fala como um crime ao Meio Ambiente.

Para se ter uma ideia, sem as reformas propostas pelo ministro, o país já vive uma situação preocupante em relação a biodiversidade nas florestas.

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (INPE), só no mês de abril, houve um aumento de 63,75% no desmatamento em relação ao mesmo período do ano passado.

Fauna

A pandemia da Covid-19 trouxe a esperança que espécies em extinção poderiam se recuperar. O biólogo e professor universitário Fábio Giordano enfatizou que é cedo para fazer um diagnóstico sobre esta questão. “Não temos ainda dados, pois o tempo de quarentena foi apenas de cerca de 50 dias até agora e não dá para fazer as medidas de aumento ou diminuição populacional, uma vez que muitos seres têm ciclos reprodutivos maior que este período de tempo”.

Além disso, o biólogo ressaltou que uma possível mutação do vírus pode prejudicar algumas espécies, como os mamíferos.

O que de fato está acontecendo é que alguns animais estão voltando aos meios urbanos em pontos isolados, como veados, bois e javalis em países como a Índia e a Espanha.

Todavia é preciso ficar atento, pois algumas notícias podem ser fake news, como os golfinhos que estavam nos canais de Veneza na Itália.

Pesquisa em Santos

Pesquisa em Santos foi dividida em quatro etapas/ Foto: Anderson Bianchi/PMS

A Secretaria de Meio Ambiente de Santos, em parceria com a Unifesp e ongs europeias, realizou uma pesquisa na praia do município, com objetivo de identificar os resíduos marinhos.

O estudo foi dividido em quatro etapas e constatou que houve uma diminuição de 40% dos resíduos (canudos, bitucas, latas)

Obviamente, isso ocorreu pelo fechamento da praia, por conta da pandemia, contudo algumas pessoas insistem em ocupar a orla em horários alternativos.

Para a oceanógrafa e conselheira do Instituto Mar Azul, Mariana Amaral, mesmo com a proibição na faixa de areia, o lixo continua na praia em razão da maré que traz resíduos ao longo do dia. Como o trabalho das equipes de limpeza diminuiu, a sujeira acaba acumulando.

Coleta Seletiva

Uma vida mais sustentável pode começar com pequenos gestos: a separação dos lixos recicláveis é um ótimo caminho para a preservação do Meio Ambiente.

Porém, a coleta seletiva é feita de diferentes formas na região. Em Bertioga, o serviço está paralisado devido a pandemia do coronavírus.

Já em Santos o trabalho continua normal e segundo dados da Prefeitura, não houve uma queda na coleta, mas um ligeiro aumento, apesar das cooperativas do Seman operando com dificuldades devido ao momento.

O mesmo acontece com Praia Grande. Em termos comparativos, houve uma melhora significativa das coletas no município.

Em abril de 2019 foram recolhidos 84.080 kg, já no mesmo período em 2020, a quantidade chegava 159.560 quilos.

Por outro lado, Cubatão teve uma queda na retirada da quantidade de material e em Guarujá a coleta está sendo feita nas nove estações de sustentabilidades espalhadas pela Cidade.

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