Tecnologia

Audiência discute futuro do Parque Tecnológico de Santos para gerar negócios

Audiência pública analisou a atual situação da Fundação Parque Tecnológico de Santos, cuja obra física será entregue no final do ano. Críticas não faltaram.

28 de maio de 2019 - 16:51

Fernando De Maria

Compartilhe

Criar um ambiente para aproveitar o potencial de Santos e região de forma a atrair empresas na área tecnológica.

Não bastasse, por meio de uma pesquisa, identificar o perfil e  a quantidade de empresas deste segmento que já atuam no Município.

E assim, aproveitar uma palavra-chave para atrair empreendedores.

Ou seja, valorizar a qualidade de vida oferecida por Santos, cujo potencial de crescimento é significativo.

No entanto,  a entrega do futuro imóvel onde funcionará a Fundação Parque Tecnológico de Santos, na Vila Nova, terá papel importante no processo indutor desta iniciativa.

Mas não é suficiente.

Enfim, pelo menos esta é a expectativa dos atuais diretores da fundação, conforme resumo da audiência pública realizada na Câmara na tarde desta segunda (27).

Assim, tanto o presidente Omar Silva Júnior como o diretor técnico José Antonio Oliveira de Rezende expuseram o atual estágio de atividades da fundação durante audiência.

Eles atenderam ao convite do vereador Geonísio Aguiar, o Boquinha (PSDB).

No entanto, apesar da importância do tema, menos de 10 pessoas compareceram ao local.

 

Apesar da importância, o comparecimento foi ínfimo de pessoas interessadas em debater sobre o assunto. Foto: Divulgação/Daniela Valério/Rafaela Peres-CMS

 

Desde o início do século

A história da implantação de parque tecnológico é antiga.

No entanto, data, pelo menos, do início deste século.

Afinal, a primeira experiência surgiu com a Incubadora de Empresas de Santos.

Ela foi inaugurada em 26 de setembro de 2002, com sete empresas, em imóvel na Rua do Comércio, 44, no Centro Histórico.

Ainda na gestão do ex-prefeito Beto Mansur.

Em outubro de 2002, novo edital permitiu a inclusão de mais sete empresas.

No entanto, chegou a ter 20.

Em 2009, a incubadora mudou-se para um imóvel alugado à Rua Brás Cubas, 154, na Vila Nova.

E o processo de redução de empresas incubadas foi se acentuando até meados desta década, quando a atividade foi praticamente zerada.

Na época da inauguração (2002), a ideia tomou como referência o Porto Digital, que estava em processo de consolidação em Recife (PE).

A questão é que lá a proposta decolou e colocou a capital pernambucana na rota nacional da tecnologia.

Porém, aqui, a ideia parou no tempo.

E, de certa forma, retrocedeu.

 

Além do prédio

A entrega do prédio, que deverá ser entregue até o final do ano, não será o suficiente para atrair empreendedores tecnológicos.

Há a necessidade de aproximar o trabalho desenvolvido pelas universidades, empresas e Poder Público, via Fundação Parque Tecnológico.

E assim,  encontrar talentos e oferecer condições para que jovens – e não tão jovens assim – possam tirar do papel planos de negócios.

Por sua vez, eles poderão gerar tecnologia, negócios, empregos.

E assim,  colocar efetivamente Santos e região como um polo de desenvolvimento tecnológico.

Em suma, esta foi a conclusão dos envolvidos no debate, incluindo os (poucos) integrantes da plateia.

Na exposição, o presidente da fundação detalhou os projetos que estão sendo realizados para alavancar a FPTS com a entrega da obra.

O presidente da fundação aposta as fichas na nova edificação, estimada em R$ 17 milhões, e que parte dela será bancada pela iniciativa privada.

Isso graças a acordo entre o grupo Ecoporto e a Prefeitura para compensação do Estudo de Impactos de Vizinhança – EIV.

A obra física deve estar concluída até o final do ano.

Depois, haverá a parte do mobiliário para, enfim, a edificação estar concluída.

Pelo menos, R$ 8 milhões foram repassados ao Município pelo Governo do Estado para a obra, de um total de R$ 10 milhões.

Outros R$ 4 milhões foram bancados como forma de contrapartida pela Prefeitura.

Vale lembrar que a empresa ficará responsável apenas pela estrutura física.

Ou seja, o mobiliário interno ficará a cargo do Poder Público para áreas comuns (como auditório) e o restante para as empresas e empreendedores que se instalarem no espaço.

“A ideia é pensar na criação de um condomínio para gerenciar o prédio. Até que o parque seja auto-suficiente”.

Atualmente, existem 11 empresas incubadas.

 

Falta divulgação

Omar reconheceu que falta divulgação das atividades da Fundação para atrair as faculdades/universidades, além de empresas e empreendedores.

“Precisamos melhorar o marketing”, reconhece.

“Notamos uma aproximação e interesse maior das instituições públicas, como a Fatec”, salienta.

Ele também divulgou os contatos já realizados com empresas das áreas portuária e de logística para que conheçam o espaço.

Além disso, aproveitem o potencial do Lab Mobilidade, laboratório de mobilidade instalado desde o ano passado, que poderá ser uma referência para a logística da região.

Conforme ele, o futuro prédio do Parque será voltado para atração de empresas interessadas em propor soluções para as áreas de logística, petróleo, energia e setor portuário.

O vereador Boquinha destacou a preocupação com a fuga de jovens que poderiam ficar em Santos e região.

“Não estamos aproveitando as cabeças pensantes desta Cidade”.

E citou como exemplo que até hoje a CET Santos não conseguiu implantar o sistema de Estacionamento Regulamentado por meio de aplicativo, algo ‘que poderia ser feito por alguma start up instalada em Santos’, destacou.

 

Exemplos

Assim, o diretor técnico da Fundação, José Antonio Oliveira de Rezende, enumerou os contatos com outros parques tecnológicos, como de São José dos Campos, e do Cubo, do Banco Itaú.

“Queremos atuar nesta linha”, defendeu.

Para tanto, há proposta para atrair 11 empresas de porte para o local e assim apostar no potencial do parque tecnológico santista.

“É um trabalho de formiguinha”, reconhece.

Além disso, ele citou empresas já instaladas em Santos que se destacam em suas áreas, como a MKT Virtual  e a Space Moon

Por sua vez, na plateia, Santiago Gonzalez Carballo, do Lab 4D, destacou um ponto nevrálgico da razão dos problemas da Fundação decorrem da falta de continuidade (rodízio excessivo de diretores, cujos cargos são indicados pelo prefeito) das ações realizadas até agora.

Ele foi coordenador da Incubadora de Empresas de Santos.

“Não se pode dar uso político a uma pasta que não pode ser política”, enfatizou.

Carballo lembrou bons exemplos que devem nortear o trabalho do parque santista, como os de Recife, São Carlos e Florianópolis.

 

Gastos

Também na pauta, o vereador Geonísio Aguiar indagou sobre o atual papel da fundação e suas despesas.

Ou seja, a situação foi provocada pela publicação do balanço referente ao ano passado, que registrou um déficit acumulado de R$ 1 milhão 67 mil.

Não bastasse, com apenas dois diretores e um presidente, a Fundação gasta quase 80% do seu orçamento para o pagamento destes três profissionais.

As verbas são repassadas pela Prefeitura em quase sua totalidade.

A solicitação da audiência foi do vereador Geonísio Aguiar, o Boquinha (PSDB).

Reportagem do Boqnews.com, (leia detalhes no link) apontou o elevado gasto praticado pela fundação apenas com o pagamento de três cargos comissionados.

Por sua vez, o atual presidente da Fundação, Omar Silva Junior, reconheceu que as despesas são elevadas para o pagamento de pessoal e encargos.

No entanto, o balanço refere-se ao ano passado, cuja presidência estava a cargo do engenheiro Antonio Carlos Gonçalves, hoje à frente da Prodesan.

“Hoje não temos funcionários. Apenas um estagiário e uma funcionária da Prodesan para limpeza”, enfatizou.

“Além de contratação terceirizada de empresas de contabilidade e jurídica”, disse.

Segundo ele, até os celulares corporativos estão sendo devolvidos.

“Estamos usando os nossos pessoais para diminuir os custos”, salientou.

Sobre os cargos e salários, sem mudanças.

 

5ª Semana de Ciência e Tecnologia

A 5ª Semana de Ciência e Tecnologia terá como tema central o fomento às artes visuais.

Ou seja, o cinema e suas variações.

Isso decorre do fato de Santos sediar evento mundial sobre cidades criativas em 2020, com aval da Unesco.

Santos ganhou o selo de Cidade Criativa em razão da sua ampla produção audiovisual.

A ideia é aproveitar o mote do evento do próximo ano para identificar a quantidade de profissionais envolvidos com o segmento na Cidade.

“Queremos fazer ações interligadas”, declarou a chefe do Departamento de Ciência, Tecnologia e Inovação da Prefeitura de Santos, Cláudia Haddad.

O evento ocorrerá entre os dias 21 a 27 de outubro.

 

Gastos com pessoal, que representam quase 80% da receita da Fundação, foram abordados pelo vereador Geonísio Aguiar. Foto: Nando Santos

 

 

LEIA TAMBÉM: