Transporte

Passageiros esperam em até duas horas por ônibus na Cidade de Santos

Apesar da região estar incluída na fase amarela, usuários sofrem em Santos com o longo tempo de espera para embarcar

10 de agosto de 2020 - 12:53

João Pedro Bezerra

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Se um (a) munícipe quiser utilizar o transporte público municipal vai necessitar de paciência. Em alguns casos, o tempo de espera ultrapassa duas horas. Ou seja, é mais fácil ir a pé ou de bicicleta que utilizar uma linha municipal.

É o caso da 5, que faz a linha BNH à Praça da República, no Centro. O mesmo trajeto pode ser feito em uma 1 hora e 10 minutos a pé, segundo o Google Maps.

Assim, não bastasse o santista pagar por uma das tarifas mais caras do País (R$ 4,65), os usuários ainda precisam lidar com a falta de veículos. Apesar de estar na fase amarela do Plano São Paulo, a empresa Piracicabana, responsável pelo transporte público na Cidade, disponibiliza apenas 40% da frota em dias uteis e 20% nos fins de semanas e feriados, conforme a Prefeitura de Santos. Situação não alterada, mesmo com a queda nos índices de isolamento social.

Na quinta (6), Santos registrou apenas 38% de isolamento, bem abaixo das médias anteriores e do próprio estado de São Paulo (42%).

No mês de junho, a Defensoria Pública de SP enviou um ofício ao Poder Executivo de Santos exigindo que o transporte voltasse à normalidade. Todavia, a folhinha mudou, mas a situação não melhorou.

Linhas

Algumas linhas apresentam um tempo de espera acima do aceitável, como constatado na última segunda -feira (3), no aplicativo ‘Quanto Tempo Falta?’, com o mapa dos itinerários. O que chama a atenção é o horário da próxima partida. Diversas linhas apresentaram um tempo de espera entre 30 a 40 minutos. O cenário é ainda mais complicado para os passageiros que precisa utilizar as linhas 05, 08, 17, 20, 25, 53, 54, 80 e 158. O intervalo da saída de um ônibus para outro varia de 45 minutos a mais de 2 horas.

Para se ter uma ideia, um usuário que precise utilizar a linha 54 e chegou no ponto às 11:29 teria que esperar até às 13:02 para poder embarcar no próximo veículo. Os problemas se agravam também em linhas com maior número de passageiros, principalmente em horários de pico e aos fins de semana onde é necessário ter (muita) paciência.

Na tarde de domingo (2), diversas pessoas provocaram aglomeração junto ao Ferry Boat, na Ponta da Praia, à espera de um ônibus. Não bastasse, desde março, os seletivos não circulam pelas ruas de Santos, em razão dos veículos não terem possibilidade da abertura das janelas.

De acordo com a passageira, Andreia Souza a linha 77 apresenta muita demora. “Antes da pandemia, você chegava no ponto e no máximo era 20 minutos de espera. Hoje é necessário sair 40 minutos antes para ir ao trabalho”. Ela ainda ressaltou que utiliza também o 19 em algumas ocasiões. No entanto, por conta da falta de ônibus, a passageira opta pagar mais caro e opta pelo transporte intermunicipal.

Segundo o aposentado Carlos Siqueira, que na última quarta (5) aguardou mais de 1 hora e 40 minutos à espera de um ônibus da linha 80, a situação é crítica “Não uso transporte por aplicativo, mas preciso ir alguns dias até a Conselheiro Nébias. Tenho que andar até a Pedro Lessa e esperar o ônibus, que já demorava para chegar antes mesmo da pandemia. Mas agora piorou”, destacou Carlos.

Aplicativo

O aplicativo ‘Quanto Tempo Falta?’ não apresenta mais a tabela com os horários de saída dos ônibus ao longo dia, mostrando apenas a próxima partida. Já no site, não é possível visualizar ambos.

Por sua vez, o serviço de monitoramento das linhas não apresenta falhas e o usuário pode se programar para ir ao ponto, assim que o veículo estiver chegando.

Higienização

Em tempos de pandemia é essencial que os veículos sejam higienizados. Além disso, é importante evitar aglomerações, visto que o transporte público pode espalhar o vírus facilmente. Em nenhum ônibus de Santos há disponibilidade de álcool em gel para os passageiros. Assim, a situação piora em dias de chuvas, onde há um aumento no número de usuários e os vidros são fechados pelos mesmos

CET/Prefeitura

Questionada sobre a diminuição da frota mesmo com o aumento de pessoas circulando pelas ruas, a Prefeitura emitiu a seguinte nota. “A oferta de veículos é proporcional à demanda de passageiros que utilizam o serviço, visando também o equilíbrio econômico-financeiro do contrato. Desde o início da pandemia, a Prefeitura, através da CET, vem disponibilizando frota em operação suficiente para garantir as recomendações de distanciamento estabelecidas pelas autoridades sanitárias. Embora tenha havido flexibilização de algumas atividades comerciais, até o presente momento, não houve aumento significativo da demanda de passageiros”.

Procurada, a Piracicabana não se pronunciou.

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