“Fizeram podas drásticas”, salienta pesquisadora sobre ‘depenação’ de ingazeiros | Boqnews
Árvores podadas na Ponta da Praia. Foto: Nando Santos

Na Ponta da Praia

29 DE NOVEMBRO DE 2022

“Fizeram podas drásticas”, salienta pesquisadora sobre ‘depenação’ de ingazeiros

Responsável pelo herbário na Unisanta, professora mestre e especialista em Ecologia, Zélia Rodrigues de Mello, criticou a forma como a poda ocorreu.

Por: Fernando De Maria

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Elas estão enfileiradas ao longo dos canteiros centrais das avenidas Epitácio Pessoa e dos Bancários, na Ponta da Praia, em Santos (SP).

Por sua vez, não há fiação ao longo da via pública – antes plenamente arborizada.

No entanto, antes com visual abundante em vegetação – ainda que escondendo pontos de iluminação nas calçadas vizinhas -, hoje as vias viraram um ‘deserto’ com troncos praticamente nus em sequência.

Assim, a questão central é a forma como a poda ocorreu gerando críticas de munícipes nas redes sociais.

Com direito a vídeo, a própria deputada Rosana Valle (PL) usou seu Instagram para criticar a forma como ocorreu a poda – foram mais de 350 comentários até o momento.

Vale salientar que Rosana é cotada nos bastidores da política municipal como uma possível candidata à prefeitura de Santos de 2024.

No entanto, as reclamações encontram eco também entre especialistas em botânica.

Verde perdido

Afinal, enfileiradas, as copas dos ingazeiros perderam o verde que cobria as vias, ficando apenas os galhos à mostra.

A prefeitura alega que os exemplares da espécie Inga laurina foram plantadas, em sua maioria, entre os anos 1970 e 1980.

E estavam em seu ponto mais alto de desenvolvimento.

Assim, a poda, segundo a prefeitura, era para minimizar a possibilidade de queda, parcial ou total por força dos ventos.

No entanto, especialistas criticam a forma como ocorreu.

“Fizeram podas drásticas”, reconhece a bióloga, mestre em Ecologia e especialista em Botânica, professora Zélia Rodrigues de Mello.

Responsável pelo herbário da Universidade Santa Cecília, a especialista lamenta também os impactos provocados pela poda excessiva.

“O verão está chegando, com elevação da temperatura, e agora há ausência de sombra. Quantos ninhos de passarinhos não foram derrubados?”, lamentou.

Apesar de não ter estado in loco, a docente recebeu as imagens enviadas pelo Boqnews e ficou estarrecida como a forma como as podas ocorreram.

A decisão da poda tem o aval de um engenheiro agrônomo (profissional competente).

E assim, deve ocorrer em determinadas situações: doença nas árvores; risco de queda delas ou de seus galhos, além de frutos nos veículos e risco a transeuntes.

E ainda: casos de fiação elétrica ou iluminação pública.

“Fora estes casos, não se podam árvores; pois elas crescem livremente ficando belas e melhorando a qualidade do ar, além de amenizarem a temperatura”, acrescenta.

Não bastasse, ela esclarece que qualquer munícipe pode pedir explicações, via Ministério Público, para a forma como as podas ocorreram, obrigando a Prefeitura a esclarecer o ocorrido.

Dezenas de árvores foram podadas de forma drástica, como destaca especialista em botânica, professora Zélia Rodrigues de Mello. Foto: Nando Santos.

Prefeitura 

Em nota, a prefeitura de Santos informa que  o serviço de poda tem supervisão de equipe técnica da Coordenadoria de Paisagismo (Copaisa), chefiado por um engenheiro agrônomo.

Por sua vez, o trabalho, segundo a Administração, contou com  dois engenheiros agrônomos, com a supervisão do profissional responsável pela Copaisa.

“O manejo das árvores ingazeiras localizadas nas avenidas Dos Bancários e Epitácio Pessoa e em outros pontos da Cidade, com a redução da área de suas copas, têm como finalidade minimizar a possibilidade de queda, parcial ou total por força dos ventos”.

Assim, o trabalho segue plano de contingência para queda de árvores, proposto em trabalho realizado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) em colaboração com o Município.

(confira detalhes neste link)

Assim como na Avenida Epitácio Pessoa, a poda também ocorreu em árvores do canteiro central da Avenida dos Bancários, de menor porte. Foto: Nando Santos

Reclamações

No balanço da ouvidoria (dados de 2021), a questão da poda de árvores ocupou em quarto lugar no total de reclamações de munícipes, como 2029 reclamações.
Dessa forma, a Ponta da Praia lidera nas reclamações voltadas à Secretaria de Serviços Públicos, responsável pela poda.
Ao todo, foram 31.485 manifestações de munícipes – portanto, o tema representa 6,5% do total.
Em 2020, o tema árvores ficou em segundo lugar, com 2.621 queixas – de um total de 27.850 manifestações – 10,6% do total.

Vídeo da Boqnews TV

Assista ao vídeo da Boqnews TV
https://www.youtube.com/watch?v=eLaP1EvcAIc

 

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