Risco

Convívio com pombos pode causar doenças em humanos

Animais se aproximam dos homens devido a oferta de alimentos, especialmente na zona portuária

18 de agosto de 2019 - 09:19

Ana Carol

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Dois casos de morte em razão do diagnóstico de “doença do pombo”, ocorridos nas últimas semanas em Santos, servem de alerta para os riscos reais oferecidos pelas aves.

A doença, na verdade, é chamada de criptococose, transmitida por meio das fezes secas do animal.

Tendo os pombos da Baixada Santista como objeto de estudo há mais de 20 anos, o médico veterinário, pesquisador e professor universitário Eduardo Filetti alerta há tempos sobre o crescimento populacional das aves.

Em 2015, uma pesquisa realizada pelo veterinário indicou a presença de protozoários de seres humanos nas fezes dos pombos. Dessa forma, revelando a possibilidade de transmissão de doenças para os homens.

Outro ponto destacado no estudo foi a superpopulação. No ano da pesquisa, foram registrados 230 mil pombos em Santos, contra 190 mil em São Vicente. Em 2019, o número aumentou para 250 mil.

Novos costumes

A proximidade com os humanos está entre as causas para o aparecimentos destes problemas.

É comum ver aglomerados de “ratos que voam” – como os pombos também são chamados – próximos a feiras livres, carrinhos de pipoca e outros locais onde eles possam encontrar comida fácil, especialmente onde recebem pães e outros alimentos, comuns aos humanos.

Dessa forma, os hábitos alimentares mudaram e estes animais consomem até restos de lixo produzido pela população. Outro elemento contribuidor destacado por Filetti é o derramamento de grãos na área portuária.

Este, de acordo com o especialista, é responsável maior pela alimentação e permanência das aves.

Além disso, os pombos se reproduzem com facilidade. Eles procuram formar ninhos em locais como frestas, espaços reservados e aparelhos de ar condicionado.

Perigo

A inalação dos fungos presentes nas fezes dos pombos pode causar, principalmente, a criptococose, doença severa e de difícil diagnóstico.

Além dela, existe a histoplasmose e salmonelose. No entanto, os pombos são protegidos por lei e matá-los configura crime ambiental.

O médico infectologista Evaldo Stanislau explica que a “doença do pombo” representa risco para as pessoas com sistema imunológico enfraquecido.

O tratamento, assim como o diagnóstico, deve ser feito rapidamente. Mesmo assim, o especialista enfatiza que é alto o risco de sequelas e até de óbito.

Aos indivíduos que realizarem limpeza em locais com a presença das aves, é necessário uso de equipamentos de prevenção individual, como máscaras respiratórias.

 

Uma solução sugerida por Eduardo Filetti para a multiplicação dos animais seria oferecer alimentação com anticoncepcionais aos pombos. Foto: Divulgação

Poder público

De acordo com a Prefeitura de Santos, a Cidade realiza fiscalizações em imóveis e áreas com pombos – foram mais de 100 no primeiro semestre de 2019. A Administração informou também que prepara campanha informativa com vídeo e folhetos.

Os munícipes podem requisitar vistorias ou fazer denúncias por meio do telefone 162 e site da ouvidoria. Ou, ainda, solicitar orientações pelo telefone 3257-8048, do setor de fiscalização da Zoonoses.

Projeto de lei

Foi aprovado na noite da última quinta-feira (15) um projeto de lei que visa controlar o crescimento de pombos em áreas urbanas de Santos.

A proposta, de autoria do vereador Sérgio Santana (PR), determina a realização de campanhas educativas pelo Poder Executivo. E, ainda, a instalação de dispositivos que impeçam a criação de ninhos em todos os imóveis da Cidade.

O descumprimento prevê aplicação de multa, assim como aos que forem flagrados alimentando as aves.

A segunda votação na Câmara está programada para esta segunda-feira (19), para posteriormente ser sancionada ou vetada pelo prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB).