Economia

Preços de produtos da cesta básica explodem e assustam consumidores

Alta no preço do arroz, feijão, óleo e outros alimentos abala o mercado e preocupa o consumidor, em especial os mais pobres

11 de setembro de 2020 - 18:38

João Pedro Bezerra

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Basta entrar no supermercado para ver que os preços de algumas mercadorias dispararam nos últimos dias. Dentre os alimentos com a maior alta, estão o arroz e feijão, justamente o prato mais tradicional dos brasileiros, consumidos todos os dias. A alta de ambos superaram 20% em relação ao primeiro semestre do ano passado (confira no quadro).

Outros itens, como o leite e o óleo de soja, também tiveram aumentos significativos, segundo o Índice de Preços para o Consumidor Amplo (IPCA).

Em nota, a Associação Brasileira dos Supermercados (ABRAS) explicou o motivo do acréscimo tão elevado dos produtos do ramo alimentício. “Isso se deve ao aumento das exportações destes produtos e sua matéria-prima e também a diminuição de importação desses itens, motivadas pela mudança na taxa de câmbio, que provocou a valorização do dólar frente ao real.Somando-se isso, a política fiscal de incentivo às exportações e o crescimento da demanda interna impulsionado pelo auxílio emergencial”.

Simplificando, vale muito mais a pena para um agricultor vender o produto para outros países com a alta do dólar frente ao real.

Já a Associação Paulista dos Supermercados (APAS) ressaltou que solicitou ao Governo Federal o retiro da taxa de importação do arroz para atender o mercado interno, medida que foi acatada. Todavia a ação não traz impactos na redução dos preços, mas pode frear o aumento.

 Fonte: IPCA

Governo Federal

O presidente Jair Bolsonaro, na última quinta-feira (10), publicou um vídeo em suas redes sociais, onde abordou o auxílio emergencial e a disparidade do arroz e feijão

“Os representantes dos supermercados estão empenhados para tentar diminuir o valor dos produtos da cesta básica que devido ao auxílio emergencial houve um pequeno aumento no consumo. Também sabemos da questão da exportação e que os agricultores estão tendo prejuízos há mais de 10 anos”.

Além disso, Bolsonaro frisou que não vai interferir no mercado com o congelamento de preços. O ministro da Economia, Paulo Guedes afirmou que a queda do Produto Interno Bruno (PIB) do país será menor do que a previsão dos analistas.

Enquanto, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, citou que o governo está tomando medidas para frear o aumento do arroz e evitar o desabastecimento do produto nos supermercados.

Especialistas

De acordo com especialistas na área, a tendência é que o preço dos produtos mantenha-se em um patamar elevado nos próximos meses, impactando o bolso do consumidor.

Segundo o economista, especialista em administração financeira e dr. Elimar Alexandre, com a alta do preço do arroz alguns comerciantes chegam a antecipar as compras do estoque para evitar um preço mais alto. Em alguns supermercados será colocado limite para comprar arroz. Outra consequência será na inflação que corrói o salário das classes menos favorecidas assim como o valor recebido do auxílio emergencial.

Além disso, para Elimar Alexandre, a parte econômica foi afetada, também pela pandemia da Covid-19, assim o Brasil só deve retornar ao nível de atividade econômica anterior à crise em meados de 2022.

Procon

O coordenador do Procon Santos, Rafael Quaresma, explica que não existe um preço máximo para produtos do ramo alimentício, isso porque o código do consumidor trabalha a economia de livre mercado, seguindo a Constituição. Assim não há tabelamento, nem congelamento de preço.

Rafael Quaresma ainda ressaltou que o consumidor tem o papel de pesquisar o valor dos produtos.

Em relação às cobranças abusivas, o código trabalha quando existe uma elevação injustificável de preços, ou seja, quando o aumento se der sem justa causa.

“Em casos que a maximização dos lucros tenha critérios apenas especulativos, pode ser considerada uma prática abusiva, com multas nos estabelecimentos. Já a mudança imposta, pela escassez de produtos, aumento da moeda estrangeira, questões climáticas e outras questões é justificada pela lei da oferta e procura”, concluiu o coordenador.

O governador João Doria informou durante a coletiva de imprensa de sexta-feira (11) que o Procon São Paulo irá fiscalizar estabelecimentos em todo o Estado, no combate a preços abusivos nas mercadorias alimentícias, Doria também abordou que o aumento do arroz não foi por conta da pandemia, já que o Brasil teve uma boa safra neste ano.

Preços

A Reportagem do Boqnews percorreu supermercados na Cidade de Santos e também em Guarujá para conferir o preço do arroz que custava cerca de R$ 15,00 (pacote de cinco quilos) meses atrás.

Em média, o preço variou entre R$ 18,00 a R$ 24,50. Vale destacar que os pacotes de R$ 18,00 a R$ 20,00 estavam em oferta. Todavia, o aumento não chega ao patamar de alguns supermercados nas capitais dos estados brasileiros, onde o produto ultrapassou os R$ 40,00, quase o triplo do valor cobrado antes.

Os aumentos surpreenderam, como explica a universitária Rafaela Mantovani, que mora em uma república: “Como faço compras para o mês nos supermercados, tomei um susto com os preços dos produtos”.

Rafaela também citou que vai continuar buscando alternativas e pesquisar os preços em diferentes locais, mas não deixará de comprar os produtos que são essenciais para uma alimentação saudável.

Dificuldades

Novamente quem sai mais prejudicado com a elevação dos preços é a população mais pobre que lida com o desemprego, principalmente em tempos de pandemia, onde muitas pessoas foram demitidas e estabelecimentos tiveram que ser fechados. Outro fator é o custo de vida. Com o salário mínimo previsto para 2021 de R$ 1067, o dinheiro acaba indo para o pagamento de contas, como IPTU, luz, água e as compras em supermercados.

O auxílio emergencial, agora reduzido para R$ 300, também foi indutor para o aumento do consumo, contribuindo também para a alta dos preços. Resta saber com a redução do mesmo, qual impacto terá na economia e nos preços dos produtos que compõem a cesta básica.

Dessa forma quase não sobra dinheiro para as pessoas que precisam fazer empréstimos que se transformam em dívidas com juros altos nos bancos.

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