Saúde

Medo de pacientes deixa hospitais vazios em Santos

Muitas pessoas deixaram de procurar os hospitais por medo da Covid-19, porém isso pode agravar outras doenças

03 de julho de 2020 - 19:16

João Pedro Bezerra

Compartilhe

A Covid-19 trouxe pânico à grande parte da população, principalmente nos hospitais. Pacientes com os sintomas mais leves do vírus ou aqueles que sentem algum desconforto de outra doença estão ficando em casa, sem buscar atendimento médico.

Apesar dos riscos oferecidos pela pandemia, outras doenças não podem ser deixadas de lado. Segundo dados do Portal de Transparência dos Cartórios, de 16 de março (início da quarentena estabelecida pelos governadores dos estados) até 31 de maio, houve um aumento de 31% no número de óbitos por doenças cardiovasculares em relação ao mesmo período do ano passado.

Em entrevista à Agência Brasil, o presidente da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista, Ricardo Costa, ressaltou o agravamento do número de óbitos pela doença “Estamos vivendo uma situação preocupante. A mortalidade pode estar sendo aumentada pelo não tratamento ou pelo diagnóstico muito retardado e também pela não procura dos indivíduos infartados por um atendimento de maneira adequada”.

É importante lembrar que as temperaturas mais baixas de inverno agravam os riscos de infartos, acidente vascular cerebral (AVC) e angina (dor no peito). Além disso, doenças como diabetes e câncer podem também desencadear quadros mais graves da Covid-19, ou seja, esses indivíduos têm mais um obstáculo na luta para vencer o vírus.

O grande problema é que algumas pessoas interromperam o tratamento devido a quarentena e o atendimento diminuiu em unidades de saúde, ou foram até paralisados, dependendo da Cidade.

Números

Em Santos, houve uma queda considerável na procura por atendimento médico neste ano em relação a 2019. De acordo com dados da Prefeitura de Santos, as unidades de urgência e emergência (UPA Central, UPA Zona Noroeste e PS Zona Leste) realizaram de janeiro a julho, 162.335 consultas. Já no mesmo período do ano passado foram feitas 188.666, uma diminuição de 26.331 atendimentos.

A equipe de reportagem do Boqnews percorreu os principais pronto-atendimentos de Santos na tarde de terça (30) e atestou a falta de pacientes nos locais, cenário completamente diferente dos dias comuns quando não havia pandemia, onde os munícipes de Santos e a população de outras cidades buscavam consulta com os mais diversos sintomas em todos os dias da semana.

Relatos

A Covid-19 reage de maneira diferente de acordo com cada pessoa infectada. Há casos assintomáticos, leves e graves, assim o tempo mínimo de isolamento é de 14 dias. Procurar um médico e realizar o teste é muito importante para não passar o vírus para familiares, colegas de trabalho ou pessoas que usam o transporte público, criando assim um ciclo de infectados.

Contudo, alguns munícipes de Santos relataram em redes sociais as dificuldades e a demora na divulgação dos testes em alguns postos de saúde.

Vale ressaltar que o contrato da Prefeitura com o Laboratório Centro de Genomas se encerrou nesta semana, dificultando a realização do teste Tipo PCR na Cidade. A análise voltará a ser feita pelo Instituto Adolfo Lutz em São Paulo.

Na região, centenas de pacientes já testaram positivo e voltaram normalmente ao trabalho. É o caso da enfermeira Tatiana da Silva, que ficou assintomática. Seu marido teve dores de cabeça e precisou pagar R$ 300,00 pelo teste para uma resposta mais rápida, pois ele trabalha em obras.

A estudante universitária Fernanda Paes teve sintomas do novo coronavírus, com fortes dores de cabeça, gripe e cansaço. Ela não procurou atendimento médico, mas foi fazer o teste PCR realizado pela Prefeitura de Santos, no dia 22 de maio. Segundo a estudante, a Policlínica do Marapé entraria em contato, assim que saísse o resultado do exame em, no máximo, 15 dias.

Porém, Fernanda não teve retorno, mesmo com mais de quatro ligações para a unidade de saúde. Ela só recebeu o resultado do diagnóstico positivo para a Covid-19 nesta semana, mais de um mês depois.

Entre as pessoas que tiveram o quadro mais grave da doença está a empreendedora Iracy Ramos, diagnosticada com a doença no dia 10 de junho. Até hoje, ela sente os sintomas “Tive 25% do meu pulmão afetado. Resolvi fazer o tratamento em casa, os sintomas mais pesados já passaram, mas ainda estou fraca. Fiz a tomografia e foi constatada pedra nos rins e ácido úrico, isso complicou muito; desde o início estou passando por avaliações médicas”.

 

 

LEIA TAMBÉM: