Refugiados

Programas de assistência ajudam na reinserção social de venezuelanos

Observatório do Migrante e também as Cátedras, são alguns dos programas que auxiliam os refugiados a se adaptarem à Cidade

17 de agosto de 2019 - 10:24

Felipe Rey

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A crise política, econômica e social vivida pela Venezuela desde 2015 alarma cada vez mais a população.

No último comunicado feito pela ONU e pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), cerca de 4 milhões de venezuelanos já deixaram o país.

Esse dado equivale a 12,5% da população total na nação, que chega a 32 milhões.

Globalmente, os venezuelanos são um dos maiores grupos populacionais deslocados de seu país. Contudo, em apenas sete meses, desde novembro de 2018, o número de refugiados e migrantes aumentou em 1 milhão.

Os países latino-americanos recebem a vasta maioria dos venezuelanos.

A Colômbia responde por cerca de 1,3 milhão.

Seguida por Peru, com 768 mil, Chile (288 mil), Brasil (168 mil) e Argentina (130 mil).

O México e os países da América Central e do Caribe também abrigam um número significativo de refugiados e migrantes da Venezuela.

“Esse número alarmante evidencia a necessidade urgente de apoiar as comunidades anfitriãs desses países de acolhida”, afirmou Eduardo Stein, representante especial conjunto de ACNUR e OIM para refugiados e migrantes venezuelanos.

 

Cátedras

Com o objetivo de promover a educação, pesquisa e extensão acadêmica voltada à população em condição de refúgio, o ANCUR implementou, em 2003, a Cátedra Sérgio Vieira de Mello (CSVM) em cooperação com centros universitários nacionais e com o Comitê Nacional para Refugiados (CONARE).

Atualmente, 21 universidades fazem parte do projeto. Em Santos, a Unisantos promove o trabalho desde 2007.

A instituição, por meio de nota, realça que desde 2012 a universidade oferta bolsas integrais de estudos para refugiados residentes no Brasil.

Porém, existem regras a serem seguidas para se candidatar.

Os candidatos devem ter documento expedido pelo Comitê Nacional para os Refugiados – CONARE, vinculado ao Ministério da Justiça, que comprove sua condição de refugiado.
Anualmente, é divulgado o edital específico para a concessão do benefício, com as informações sobre o processo seletivo e cursos disponíveis.

Todos os anos, segundo a universidade, são disponibilizadas duas vagas para refugiados.

“Atualmente, seis estudantes permanecem na universidade. Três já estão formados”, relata.

Hoje, os cursos mais procurados por eles são os de Relações Internacionais e Tradução e Interpretação.

Por fim, segundo a UniSantos, os países de origem são, em maioria, Congo, Síria e Sérvia.

Projeto em Santos

Mesmo com a falta de políticas públicas voltadas a este público, Santos conta, além da Cátedra, com o Observatório dos Direitos do Migrante, instalado na Universidade Santa Cecília e coordenado pela advogada e professora Patricia Gorisch. O foco do Observatório é a contribuição na Baixada Santista com políticas públicas aos imigrantes.

Um ano após sua criação, a fundadora especifica que, atualmente, o projeto está na fase da pesquisa, tanto regional quanto interamericana.

No último dia 7, por exemplo, Patricia foi para a Patagônia, na Argentina, onde apresentou uma pesquisa sobre a legislação brasileira comparativa em relação a crianças refugiadas desacompanhadas.

“São crianças que chegam ao País sem qualquer companhia de pai e mãe. Então, a nossa ideia é fazer a reunião familiar e assim buscar os parentes mais próximos dessa criança”, explica.

No entanto, Patricia especifica que ainda há necessidade de coletas de dados, em razão da Cidade não possuir números locais.

Os dados, hoje, são pegos por intermédio da Polícia Federal ou até mesmo de órgãos religiosos, como a Cáritas Diocesana, localizada em São Paulo.

Contudo, segundo a Cáritas, chegam por ano, em Santos, cerca de 50 pessoas refugiadas.

Porém, Patrícia alega que não há como saber se estas mesmas pessoas permanecem na Cidade devido a sociedade santista ser “bem fechada em relação aos refugiados”.

“Hoje, o nosso trabalho é meramente científico, por hora. Fazemos um trabalho de português para refugiados. Caso algum refugiado ou migrante tenham dificuldades com o acesso a documentos ou direitos, nós atuamos”, afirma.

Situações diferentes

Se as constantes fugas para os países vizinhos marcam a história dos venezuelanos, a vida da professora venezuelana Ana Maria Jardin é diferente.

No Brasil desde 1980, quando veio junto com seus pais, ela observa as saídas de seus conterrâneos como desesperada.

Na visão dela, os venezuelanos “tinham um país de primeiro mundo e nunca se acostumaram com a pobreza”.
Ana Maria explica que seus familiares que permanecem não necessitaram se refugiar, pois tem recursos.

“Onde se tem dinheiro, tudo se consegue. A maioria deles tem estudo e profissão, pois a educação era muito boa. Acredito que os países que recebem refugiados devem acolher e aproveitar o seu potencial”, afirma.

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