Pesquisa Enfoque

Santistas defendem isolamento, mas taxa chega a 40%, uma das mais baixas

Novo levantamento da Enfoque/Boqnews mostra que santistas defendem as restrições em ambientes públicos, mas taxa de isolamento tem caído gradativamente

31 de julho de 2020 - 18:01

Fernando De Maria

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A despeito do crescimento de óbitos (22.710) e casos confirmados no Estado de São Paulo (529.006) até sexta (31), o governo do Estado deu mais um passo na última semana para ampliar a flexibilização de atividades econômicas.

E assim, a Baixada Santista poderá caminhar para a fase verde nos próximos dias.

A alteração atinge não só a Capital e Grande ABC, mas também a Baixada Santista, que estão na fase amarela.

No entanto, os santistas – de forma geral – defendem a manutenção das medidas parciais de isolamento por mais tempo, conforme revela nova pesquisa Enfoque/Boqnews realizada entre os dias 22 a 24 de julho, com 855 moradores.

No entanto, na prática, o grau de isolamento dos moradores têm atingido índices cada vez menores.

Tanto na quarta como na quinta (29), o índice foi de 40% – um dos menores já registrados, abaixo da média do estado (43%) nos mesmos dias.

Esta realidade fica evidenciada quando 51,7% dos entrevistados reconhecem que os santistas não “estão colaborando com as medidas preventivas e de isolamento social”.

Isso se reflete também com o aumento de pessoas que estão saindo às ruas. Em junho, segundo a pesquisa, eram 18,8% que afirmaram que estavam saído de casa com maior frequência.

Agora, já são 1/4 (24,9%) dos entrevistados. Por sua vez, 77,7% afirmavam que estavam saindo de casa apenas quando necessário. Agora, 69,6%.

Vale lembrar que a pesquisa foi realizada de forma presencial, ou seja, nas ruas.

 

 

Mudança de fase?

Até então, para passar da Fase Amarela – como encontra-se a Baixada Santista – para a Verde, a região precisaria ter uma taxa de ocupação de leitos de UTI menor do que 60%. Porém, isso não dependia da quantidade de dias aos quais ela estivesse na Fase Amarela.

Agora, para uma região avançar da Fase 3-Amarela para a Fase 4-Verde, o percentual de ocupação de leitos poderá variar entre 75% e 70%.

No entanto, para que isso ocorra, a região precisará permanecer por 28 dias consecutivos na Fase Amarela.

Desde o dia 13 de julho, a Baixada Santista permanece nesta fase.

Portanto, caso não ocorram mudanças drásticas nos números, como elevação do total de óbitos e a garantia de disponibilidade de leitos, a partir do dia 10 de agosto a Baixada Santista poderá passar para a fase verde, dentro dos novos critérios estabelecidos pelo Governo do Estado.

A nova fase possibilita aumento da capacidade de atendimento dos atuais 30% a 40% – dependendo da atividade econômica – para 60% em diversos setores.
Manter medidas

Conforme a pesquisa, 52,5% dos santistas se colocam favoráveis às medidas parciais de isolamento por mais tempo.

E outros 22,1% defendem o isolamento de todas as pessoas, exceto as dos serviços essenciais.

Já 22% apostam no avanço das medidas de flexibilização.

Isso se reflete na prioridade que os governantes devem ter, segundo os entrevistados: 64,2% defendem que eles devem primeiro cuidar da saúde e da vida das pessoas.

Outros 25,6% enfatizam a necessidade de priorizar os empregos e a situação econômica. Este número, aliás, tem crescido.

 

 

 

Desemprego

Para se ter uma ideia, apenas no primeiro semestre deste ano, a região perdeu 15.427 empregos formais, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – Caged.

O cenário preocupa.
Afinal, a Baixada Santista tem perdido sucessivos postos de trabalho.

Desde 2014, quando iniciou a crise – ainda no governo Dilma Rousseff – 39.622 empregos sumiram. O ápice ocorreu em 2016, quando foram fechados 19.520 postos de trabalho ao longo do ano.

Portanto, o total de postos de empregos fechados em razão da pandemia no primeiro semestre deste ano equivale a 79% de tudo o que foi perdido em 2016 – o ano mais crítico na região.

Neste sentido, a pesquisa também procurou saber a atual situação no mercado de trabalho dos entrevistados.

Apenas 1/3 (32,6%), são empregados com carteira.

Outros 20,5% são autônomos (ou fazem bicos) e 12,8% são empregados, mas sem carteira assinada. E 7,5% são trabalhadores informais. Ou seja, quase 40% não têm contrato formal de trabalho, nem direitos trabalhistas.

Chama a atenção também os que são considerados não economicamente ativos (cerca de 20% do total dos entrevistados): 47,3% são aposentados e 31,1% desistiram de procurar emprego nos últimos 12 meses, considerados desalentados pelo IBGE.

 

 

Preocupação

Um sintoma desta situação está no aumento no número de pessoas que temem perder o emprego/negócio.

Na comparação entre a pesquisa Enfoque/Boqnews realizada no início de junho, 25,8% dos santistas assinalaram este item – e 69,7% disseram que o maior temor era contrair a doença.

Na atual pesquisa, os indicadores foram ligeiramente menores.

Agora, 30,5% temem perder o emprego/negócio e outros 64,7% receiam contrair a doença.

Os resultados da pesquisa sobre o coronavírus podem ser acessados em www.boqnews.com/pesquisas/

Detalhes da pesquisa também na edição – versão digital – do Boqnews.

Acesse o link

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