Pesquisa

Santistas são favoráveis à vacina contra a Covid-19; índice chega a 62,6%

Pesquisa Enfoque/Boqnews entrevistou 1206 munícipes

30 de novembro de 2020 - 12:11

João Pedro Bezerra

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Com os avanços dos estudos clínicos das vacinas contra a Covid-19, a esperança não ocorre só no Brasil, mas em todo o mundo. A expectativa é que a vacinação já comece no primeiro semestre de 2021

Mas para um vírus tão polêmico e repleto de mistérios, a vacina também virou um instrumento de discussão, principalmente nas redes sociais, onde diversas pessoas se manifestam contra algumas vacinas, principalmente a Coronavac da empresa chinesa Sinovac. Além disso, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que se depender dele a vacina não será obrigatória.

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A pesquisa da Enfoque/Boqnews entrevistou 1206 munícipes de Santos no começo de novembro, realizando a seguinte pergunta “O (A) sr. pretende tomar a vacina da Covid-19 quando estiver liberada à população? ”.

A maioria dos entrevistados citaram que vão tomar a vacina. Ao todo, este índice chega a 62,6%. Já 13,7% das pessoas informaram que não vão querer receber a dose. Outros 15,6% dos entrevistados ainda não definiram seu respectivo posicionamento, enquanto 8,1% não souberam informar. A margem de erro do levantamento é de 2,8 pontos percentuais para mais ou para menos.

A pesquisa fez o cruzamento por sexo, faixa etária, zona eleitoral, grau de escolaridade e renda familiar. Alguns dados chamaram a atenção, como, por exemplo, a aceitação da vacina por gênero. As mulheres (65,4%) são mais favoráveis à vacinação, enquanto os homens somaram 59,2%.

Outro detalhe interessante é a disparidade de opiniões entre jovens e idosos. Entre a faixa etária de 18 a 24 anos, 72,2% dos entrevistados afirmaram que vão tomar a vacina. No entanto, este índice cai mais de 17 pontos percentuais em relação às pessoas com mais de 70 anos, justamente os mais afetados pela doença.

Afinal, 55% deste grupo responderam que vão tomar a vacina; de 60 a 69 anos o percentual chega a 59,2%.

Os números são curiosos, pois os idosos fazem parte do grupo de risco e naturalmente a tendência é que a aceitação da vacina fosse maior por parte desta faixa etária. Em relação à zona eleitoral, a região da 272ª, onde estão os bairros da Embaré, Aparecida, Ponta da Praia, Estuário e Macuco tem maior rejeição à vacina, com 16,3%.

Em relação à escolaridade, 66,3% das pessoas com nível superior completo/incompleto querem tomar a vacina. O índice diminui para quem tem o 1º Grau completo/incompleto, no qual a margem atinge 58.8%.

Já na questão da renda familiar, o grupo com mais aceitação à vacina é formado por indivíduos que recebem de dois a cinco salários mínimos, somando 66,9%.

Enquanto, os mais ricos, que ganham mais de R$ 15 mil, são os que menos se interessam pela vacina, com apenas 42,9%.

Especialista

De acordo com o médico infectologista, Marcos Caseiro a vacinação contra a Covid-19, quando a vacina for aprovada e disponibilizada, é de extrema importância. “Ao longo da história, a saúde e a ciência conquistaram vitórias importantes para a humanidade. A vacina contra a poliomielite é a prova disso. A doença praticamente foi erradicada no mundo. É necessário que as pessoas entendam a importância de uma vacina que é criada com o objetivo de salvar vidas em uma amplitude coletiva e não individual”, enfatizou Caseiro.

Além disso, o médico criticou a onda negacionista que está sendo vista em alguns pontos do País, com o discurso de ódio nas redes sociais. Questionado sobre a possibilidade de reinfecção da Covid-19, Marcos Caseiro destacou que a chance de contrair a doença novamente é pequena, por conta da presença de anticorpos que ficam no corpo por um período. A dúvida é para saber por quanto tempo pode durar essa imunidade, estudos clínicos e pesquisas já estão sendo realizadas para descobrir este fato.

Vacinas

Mais de 10 vacinas contra o coronavírus já estão em estágio promissor. A primeira é a Coronavac, da empresa chinesa Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan. Ao todo, 120 mil doses da vacina já chegaram em São Paulo, a previsão é que nos próximos dias chegue mais 46 milhões de doses. O contrato foi assinado pelo governador João Doria. A pesquisa da vacina vem obtendo sucesso com uma grande eficácia, sem eventos adversos graves. O estudo final deve sair no mês de dezembro.

Dessa forma, a expectativa é que a vacina já esteja disponível em janeiro com a autorização da Anvisa. A Coronavac é uma vacina clássica, isso porque para o desenvolvimento da dose é colocado um vírus inativo, algo similar à vacina da Hepatite A, por exemplo. Uma das maiores vantagens da Coronavac é a preservação. As doses podem ser guardadas em uma geladeira comum, utilizadas em todos as policlínicas do País. É importante frisar que esta vacina é alvo de uma disputa política entre o governador de São Paulo, João Doria e o presidente Jair Bolsonaro que trocam acusações em coletivas e nas redes sociais.

Outra vacina com destaque no país é a da britânica Astrazeneca com a Universidade de Oxford. Os testes acontecem no Brasil em parceria com a Fiocruz, após a aprovação da Anvisa.

Na última semana, a vacina foi alvo de polêmica, devido a margem de eficácia de um pouco mais de 70% e a falta de transparência nos dados, o que intrigou diversos cientistas. Assim, o governo do Reino Unido pediu na sexta-feira (27) para a autoridade inglesa de medicamentos fazer uma avaliação sobre o processo da vacina. A expectativa é que até fevereiro o Brasil receba 80 milhões de doses da vacina de Aztrazeneca/Oxford que tem como desenvolvimento, algo inédito na cobertura vacinal, já que a dose utiliza a tecnologia do vetor viral, ou seja, utiliza um adenovírus de um macaco.

Enquanto, a vacina da Pfizer tem resultados mais satisfatórios, tanto que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump anunciou que pretende começar a vacinação no país no mês de dezembro. O laboratório já mandou os testes da vacina para a Anvisa. A tecnologia usada pela Pfizer é o RNA. O problema da dose no Brasil é a necessidade da vacina ser armazenada em – 70º C, contudo pode ser utilizado gelo seco.

Outras vacinas são a russa Sputnik V que tem mais de 90% de eficácia e tem a vantagem de ser mais barata e a da empresa Jonhson e Jonhson, que está em fase final, após a suspensão no mês de outubro, devido a um efeito adverso em um dos voluntários.

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