Outubro Rosa

Santos registra 62 casos de mortes de mulheres por câncer de mama em 2018

Números de mulheres afetadas pelo câncer de mama ultrapassaram 80 casos nos últimos dois anos

07 de outubro de 2018 - 17:00

Da Redação

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Passado o mês de prevenção ao suicídio, o combate do mês de outubro é a conscientização e prevenção do câncer de mama.

Segundo dados da Secretaria de Saúde de Santos, ocorreram 62 mortes em decorrência do câncer até setembro deste ano.

No entanto, no ano passado, 88 mortes aconteceram na Cidade, e em 2016, 81 mulheres perderam a vida.

Devido aos números preocupantes de vítimas, a Prefeitura de Santos contará com auxílio extra para a realização de exames.

Assim, as carretas da mamografias irão examinar até mil mulheres por mês.

Policlínicas

Para aumentar a procura por mamografias, a Secretaria de Saúde informou que reforçará as 31 policlínicas do município. No entanto, mulheres entre 50 e 69 anos não precisarão ser atendidas pelos médicos.

Assim, poderão ser atendidas pela equipe de enfermagem do local.

Segundo a coordenadora da Camapanha Outubro Rosa, Soraya Neto, o câncer que ainda mata mais mulheres em Santos é o de mama.

“Das 453 mortes de mulheres em 2017 vítimas de câncer, 88 foram de mama, o que representa 20,8%”, salientou
No próximo dia 20 (sábado), das 9h às 16h, 11 policlínicas estarão abertas para realizar a solicitação da mamografia e coleta do exame preventivo (Papanicolau).

Em casos de diagnósticos positivos, as pacientes serão agendadas para a realização de um exame com o oncologista. As consultas poderão ser realizadas na Santa Casa de Santos ou na Beneficência Portuguesa.

Em prol da comunidade

Fundado em 24 de novembro de 2001 para auxiliar mulheres com câncer de mama, o Instituto NEO MAMA foi criado após a presidente Gilze Francisco, aparecer no programa do Domingão do Faustão e contar a própria história de superação.

Segundo ela, muitas mulheres começaram a achar – de maneira errônea – que ela teria reagido de maneira diferente delas em relação ao diagnóstico e tratamento.

“Eu expliquei que não havia reagido diferente. Eu sofri, me desesperei, chorei. Perguntava-me porque eu?”.

Gilze ainda relatou que as mulheres queriam conversar com ela para falar sobre o problema. Assim, a partir daí, o instituto foi criado em 26 de agosto de 2002.

De acordo com a presidente, o Outubro Rosa chegou ao Brasil apenas em 2007 graças a ela. Atualmente ela classifica a campanha de conscientização como “uma explosão de cores, de vários tons de rosa”.

Entretanto, Gilze explicou que o trabalho de conscientização dura o ano inteiro, e que o Outubro Rosa é o ápice da campanha.

Contudo, ela ainda dissertou que as mulheres do instituto são muito conscientes, são mulheres visivelmente diferenciadas e sabem das possibilidades, realidades e trajetórias que deverão enfrentar para combater o câncer de mama.

“O maior desafio sempre será a mulher que não está consciente. É na comunidade e na sociedade que está o nosso maior desafio, para tentar fazer essas mulheres a realizar o exame, se consultar com o médico”, disse.

O Instituto

Pelo NEO MAMA, passam por 200 mulheres por mês acometidas pelo câncer de mama. Desta forma, a presidente salientou que o Instituto tem não se preocupa apenas com as mulheres, mas também ajuda a cuidar da família das mesmas.
“Temos também uma convivência muito boa, muitos maridos se tornam voluntários do Instituto também”, contou. Ao todo, a entidade já atendeu mais de 3.000 mulheres.

Autoexame e descoberta

Ferramenta auxiliar para descobrir um possível câncer de mama, o autoexame não é aconselhado como método único. Segundo Gilze, o padrão ouro para examinar um possível câncer é a mamografia.

No entanto, ela explicou que em mulheres muito jovens, com mamas mais densas, o ultrassom é o mais eficaz, porém, ele não faz o diagnóstico tão precoce quanto a mamografia.

Ela acredita que essa ‘resistência’ para fazer o autoexame, seja porque as meninas os realizam em períodos errados do mês. Ela retifica que ele tem que ser feito de seis a dez dias, após o início da menstruação.

“Vamos supor, se a menina menstruou dia 10, então a data correta é dia 16 ao 20. Passado o dia 20, não faz mais, porque já vai entrar novamente no período hormonal”, explicou.

“Devido a isso, as jovens podem achar que a mama está toda encaroçada, mas na verdade são as glândulas mamárias que as vezes ficam inflamadas”, complementou.

Por fim, no caso da presidente, a descoberta havia sido algo aterrorizante, contudo, no dia seguinte ela já se encontrara no consultório médico para se tratar.

Segundo ela, por conhecer muito bem as mamas, ela percebeu que se tratava de algo anormal e que não contradizia com as características da anatomia mamaria.

“O médico me encaminhou para um mastologista. Na época, há 19 anos atrás, o processo foi rápido. No entanto, salientou que se o caso dela fosse tratado atualmente, o processo também seria rápido”, finalizou.

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