Santos hoje é elitizada e exclui a maioria dos trabalhadores que tem um menor poder aquisitivo, afirma Luiz Xavier | Boqnews
Santos hoje é elitizada e exclui a maioria dos trabalhadores que tem um menor poder aquisitivo, afirma Luiz Xavier
O que lhe motiva a concorrer à prefeitura

Como da primeira vez que participamos, em 2004, o objetivo maior do PSTU é mostrar uma proposta que vai de encontro aos interesses da maioria da população, dos trabalhadores e dos mais pobres. Acreditamos que só nós defendemos isso. E também para que o debate não se dê apenas com as candidaturas que polarizam esta eleição, com o PT, PSDB e aqui na cidade o PMDB, que tem um peso maior por ter a atual administração. Nós temos uma proposta alternativa e, ao contrário dos outros candidatos, nós não temos o interesse de construir algo em volta do prefeito. Queremos construir um programa coletivo. Quando a gente encampa a bandeira de Santos para os Trabalhadores, queremos construir um programa junto com os trabalhadores, os pobres, estudantes e a juventude, que vai contra a atual política que está sendo implantada na cidade. Santos hoje é elitizada e exclui a maioria dos trabalhadores que tem um menor poder aquisitivo.



Você acredita que Santos está virando as costas para os trabalhadores?

Hoje, não. Já tem algum tempo. O boom imobiliário e a redefinição do espaço urbano em Santos levam a uma elitização e a expulsão dos santistas que não tem condição de continuar vivendo aqui. Hoje, a cidade é caríssima, não só na habitação. Foi feito um levantamento e o nosso Município tem a segunda refeição mais cara do Brasil, só perdendo para o Rio de Janeiro. 

O boom imobiliário e a redefinição do espaço urbano em Santos levam a uma elitização e a expulsão dos santistas que não tem condição de continuar vivendo aqui (Foto: Nara Assunção)
Boom imobiliário e a redefinição do espaço urbano em Santos levam a uma elitização e a expulsão dos santistas que não tem condição de continuar vivendo aqui (Foto: Nara Assunção)


Santos vive um momento de expansão econômica. O grande desafio é aliar este fato à qualidade de vida?

Santos não tem um crescimento populacional há mais de uma década, sempre oscilando entre 413, 420 ml habitantes. Com a previsão dos investimentos que virão do pré-sal, existe uma estimativa de dobrar a população em 10 anos, chegando a 800 mil pessoas. Aí eu pergunto: onde vai caber esse povo todo, num espaço de 39 km²? É uma insanidade. Quem vai lucrar com isso são as construtoras, que vem pra cá e vão construir prédios de alto valor. A qualidade de vida de Santos vai cair cada vez mais, não há espaço não tem espaço pra isso (crescimento), e as pessoas que vão pagar um preço altíssimo por cada habitação verão isso desvalorizado com a deterioração da qualidade de vida. Temos que falar de um assunto que nenhum candidato falou até hoje e que tem que ser a marca do próximo prefeito...


Qual?

É a metropolização. Fala-se do crescimento de Santos, mas por que não se fala da metropolização do transporte, do VLT, que está há 15 anos sem sair do papel, o que facilitaria a locomoção das pessoas? Os motoristas dos ônibus fazem o papel de cobrador e isso dobrou o tempo da viagem. Hoje, uma viajem da Praia Grande a Santos demora uma hora e meia. O VLT é o caminho, mas os prefeitos dizem que existem outras alternativas já para não bater de frente com a maior interessada nisso, a Piracicabana, que financia a campanha dos outros candidatos. Então, a questão da metropolização foi esquecida. Como Santos é a cidade mais rica da região, ela tem que encabeçar esse processo. Mas não se discute isso. Estão querendo verticalizar Santos, tornar isso aqui um inferno, empurrar 800 mil pessoas, ninguém vai conseguir se locomover. É essa situação que queremos discutir com a população e os trabalhadores. Construção de grandes torres são insanidades e só quem se beneficia com isso são as grandes construtoras. Quem for morar em Santos nos próximos 10 anos vai sofrer. Nem metrô pode se fazer aqui por que o solo é de mangue. Então, tem que se discutir o transporte de massa em detrimento ao transporte individual, pois, infelizmente, as pessoas são obrigadas a usar essas alternativas, dado as péssimas condições do transporte coletivo, tanto na questão de acomodação como na questão do tempo e da passagem, que é caríssima.


Segundo pesquisa realizada com 1.200 santistas pela Enfoque Comunicação/Jornal Boqnews no mês passado, mais de 40% dos santistas apontaram a Saúde como a área que deve ser priorizada pelo próximo prefeito. Como o senhor analisa essa questão?

Essa é a maior preocupação dos moradores de Santos. Todo mundo constata, não só em Santos, mas em todo Brasil, que a saúde é um caos. Mas isso vem desde o Governo Federal. Para se ter uma ideia, o orçamento do Ministério da Saúde é de R$ 54 bilhões (N. da R.: O orçamento do Ministério da Saúde, em 2012, é de R$ 94 bilhões). Enquanto a União paga mais de R$ 635 bilhões de juros aos banqueiros. A questão da saúde não pode ser vista como regional, pois as cidades não têm condições de arcar com uma estrutura de funcionamento. Passa por investimento dos governos Federal e Estadual. Defendemos a questão dos 10% do PIB para a educação e eles (União) dizem que não pode, dos 6% pra saúde, não pode. Então, se desde o governo federal já existe essa deficiência, ela acaba se reproduzindo a nível estadual e vai terminar no município. O prefeito de Santos deve encampar uma campanha para a destinação de 6% do PIB nacional em saúde, inclusive pra desafogar o município. Quem acaba segurando o rojão é a cidade. Existe um processo de privatização da saúde.


Uma das maiores ações do Governo Papa foi a compra do Hospital dos Estivadores, mas a reforma completa do prédio será finalizada e entregue pelo sucessor dele. O que a senhor pensa para aquela área? 

O Governo atual despendeu de R$ 25 milhões para comprar aquela área. É um absurdo uma cidade deste tamanho ter um hospital daquele porte fechado há muitos anos. Tem que inverter a lógica que se faz de investir na saúde: comprar um hospital, equipar e, depois, entregar nas mãos da iniciativa privada. Saúde não é negócio, as pessoas não podem ser vistas como uma mercadoria, algo que dê lucro. Ela tem que estar voltada para o bem estar das pessoas. Se não me engano. a intenção é entregar a administração deste hospital para entidades sociais. Nós somos contra essa ideia. Defendemos saúde pública universal e gratuita para todos. Na Inglaterra, a saúde é pública, gratuita e de qualidade. Os administradores costumam dizer que saúde é cara, afirmam não ter condições de arcar e jogam (a responsabilidade) para a iniciativa privada. Daí pagam muito. Há pessoas que jogam quase toda a aposentadoria para ter um plano de saúde, quando isso é um direito dele e obrigação do Estado. Quando a pessoa tem uma doença e um problema mais sério recorre ao SUS, que acaba bancando o tratamento. Isso é uma coisa que a gente tem que discutir com as pessoas. Saúde, educação e transporte são direitos dos moradores e vamos sempre bater na tecla disso. Santos tem um dos maiores índices do país de moradores com planos de saúde e escola particular.


Muita gente de outras cidades da região são atendidas em Santos...

Se a gente comparar o serviço público de Santos, que está deteriorado, e lembrar que o mesmo já foi referência e perdeu muito nos últimos 16 anos, vemos muitos problemas. Ele é ocupado, sim, por outras pessoas da região. Mas então há um erro: porque esses problemas todos se a maioria dos santistas não usa (o serviço de saúde)? Não explicam o mau atendimento. E defendemos a proposta de que 35% do orçamento municipal seja destinado à saúde.

Se a gente comparar o serviço público de Santos, que está deteriorado, e lembrar que o mesmo já foi referência e perdeu muito nos últimos 16 anos, vemos muitos problemas (Foto: Nara Assunção)
Se a gente comparar o serviço público de Santos, que está deteriorado, e lembrar que o mesmo já foi referência e perdeu muito nos últimos 16 anos, vemos muitos problemas (Foto: Nara Assunção)


Uma das suas propostas, caso seja eleito, é implantar o IPTU progressivo. Você pode detalhá-la?

O boom imobiliário vem reforçar a questão a especulação. São apartamentos de alto padrão que vão ficar vazios. Santos tem um número alto de unidades usadas somente para este fim, enquanto hoje, segundo a prefeitura, o déficit habitacional da cidade é de 16 mil moradias, que estão nos morros, nas palafitas da Zona Noroeste e nos cortiços, que ninguém fala mais, mas é onde há a maior área de insalubridade do município. Existia um plano de erradicação dos cortiços e ninguém toca no assunto, estão guardando esta área do Centro Histórico para a especulação. O plano diretor favorece...


E aí entra a proposta do IPTU progressivo?

Sim, os imóveis que estão faltando para essas 16 mil famílias estão sobrando em Santos. Temos que taxar as habitações que estão para especulação imobiliária e determinar um prazo para a expropriação dessas unidades, que estão desocupadas, e que venham ter uma finalidade, que é para as famílias que não tem onde morar.


Hoje, um dos principais calcanhares de Aquiles do santista é o trânsito. Você acha que a cidade caminha para ter um rodízio municipal?

Não é a solução. Se tentarem empurrar 800 mil pessoas em Santos, acho que terá que haver um rodízio de pessoas, não de carros. É um absurdo. A questão do rodízio não resolve o trânsito, o que resolve é o transporte de massa. E a gente sabe disso. Temos projetos que estão emperrados há mais de 15 anos e ninguém fala mais nisso. A questão do VLT é um exemplo. Os trilhos estão prontos. Antes se falava de ligar o Litoral Sul à Baixada e agora se discute um plano pequeno, de ligar Santos a São Vicente, o que não vai ajudar em nada a população. É só você notar o tanto de pessoas que fazem o uso da bicicleta, de motos, as pessoas optam por meio de transporte individual, porque o serviço de transporte coletivo é precário e só visa o lucro. As pessoas viajam em condições sub-humanas e com preços caríssimos. Santos tem uma das tarifas mais caras do país. Se você contar o valor da passagem por km rodado, na Capital, você paga R$ 3 e anda 30, 40 km. Em Santos, você anda cinco km e paga R$ 2,90. É um absurdo isso. Usar o transporte público é a solução, sim. As pessoas usariam se fosse de qualidade.


Como você pensa em melhorar o transporte sem reajustar uma passagem que já é alta?

Mas isso tem que ser feito. A gente defende que o transporte tem que ser estatizado, não pode gerar o lucro, senão acontece o que estamos vendo aí. As passagens são caríssimas e as condições, péssimas. E a perspectiva é de que isso piore com a chegada do pré-sal. O norte já tá dado, a solução não é o transporte individual, nem o público do jeito que está hoje em dia que, muito pelo o contrário, está gerando um caos que tende a piorar cada vez mais. E aí querem punir as pessoas com o rodízio. Tem que incentivar o transporte de massa coletivo, com preços acessíveis. Só para se ter uma ideia, temos uma referência com o preço do metrô: em Recife, que é público, a passagem custa R$ 1,60; em São Paulo que parte é privada e parte estatal a passagem é R$ 3,00. No Rio, que é totalmente privada, é R$ 3,20. A questão do transporte na mão da iniciativa privada visa o lucro. Transporte tem que ser estatal não pode visar lucro. As pessoas usam condução pra trabalhar, ir à compra, comércio. Defendemos uma tarifa social.


É cada vez maior o trânsito nas entradas da cidade nos horários de pico nas entradas da cidade, tanto no horário da manhã, quanto no final da tarde. O que fazer para eliminar esses gargalos?

A gente precisa discutir a origem disso. Antes nós tínhamos o Caminho do Mar que ligava São Paulo à Baixada. Depois veio a Anchieta, a Imigrantes um, a segunda Imigrantes e já está precisando de outra pista. Ou seja, construir estrada não resolve o problema. O que resolve é o tipo de meio de transporte que você usa pra equacionar isso. Por exemplo: a questão das cargas. Foi abandonada a ideia de se utilizar a linha férrea. Quantas carretas nós temos descendo a serra todo dia? Isso poderia ser feito por via ferroviária, desafogando o trânsito. O problema é que nós temos uma política que incentiva a compra de veículos. É isso que nós queremos fazer, discutir propostas que possam fazer o bem para as pessoas e não aproveitar esse momento para criar o caos e ter lucros. Temos que incentivar o transporte ferroviário. Temos que ver a origem do problema, estamos perto da maior cidade do país (São Paulo), temos a questão das praias, do Litoral, e não podemos impedir que as pessoas venham pra cá. É ruim ficar seis horas em congestionamentos de seis horas pra andar 60 km.


O túnel que ligaria as zonas Leste à Noroeste é tido como uma alternativa. O senhor defende esse projeto?

É ver a relação custo/benefício para a cidade. Um estudo que diga se é viável. Facilitaria, mas e o preço disso aí? Não seria melhor investir em transporte de massa coletivo de qualidade? É um estudo que tem que ser feito e ninguém apresenta nada. Tem gente que diz que tem que ser feito, mas quero ver números que apontam se tem que ser construído ou não. Ninguém apresentou. Isso deve interessar quem vai fazer, quem vai licitar, esses são os maiores interessados. Temos que pensar na população de santos.


Outro ponto que foi fruto de preocupação dos santistas segundo levantamento da Enfoque Comunicação/Jornal Boqnews foi a segurança. O que fazer para reforçar as ações de prevenção e combate à violência na cidade?

Está mais que provado que a repressão não é a solução. Temos as questões socioeconômicas da cidade, e diante da falta de oportunidade, da elitização os jovens acabam seduzidos para o crime e para outros caminhos aparentemente mais faces. É um longo trabalho de formação, de oportunidades de trabalho, educação... tudo isso vai diminuir a questão da criminalidade. Quanto mais oportunidades as pessoas tiverem, menos elas serão influenciadas ou diretamente ligadas à questão do crime. Nós defendemos a questão da descriminalização das drogas... só isso reduziria de imediato 50% da criminalidade. 


Mas defender a descriminalização das drogas é algo polêmico para uma eleição. Como você trabalharia isso?

Nós não tergiversamos nas questões que temos como princípio. Defendemos a descriminalização da droga, pois é a maneira mais eficiente de se combater a violência, o tráfico. A quem interessa a manutenção de tudo isso? Nós somos contra. Quem são as pessoas que se beneficiam de tudo isso (violência)? Eles são contra? Alguns dizem (que são contra) por questão religiosa. Hoje, o que mais vemos é a questão de guerra de quadrilhas por posse de pontos. Há também o envolvimento da polícia e delegados com o tráfico e os jogos clandestinos. É um absurdo. Só essa parte que nós livraríamos já reduziria em 50% a violência. Não é só o combate ao tráfico com a questão repreensiva.

Defendemos a descriminalização da droga, pois é a maneira mais eficiente de se combater a violência, o tráfico. A quem interessa a manutenção de tudo isso? (Foto: Nara Assunção)
Defendemos a descriminalização da droga, pois é a maneira mais eficiente de se combater a violência, o tráfico. A quem interessa a manutenção de tudo isso? (Foto: Nara Assunção)


As mini-cracolândias se espalham pela cidade. Como trabalhar a questão do tratamento destes dependentes?

Vimos a pouco tempo em SP uma ação feita para satisfazer os egos. Anterior a isso tem que ter todo um trabalho que não foi feito. Casa de recuperação com profissionais preparados para receber essas pessoas. Nada disso foi feito. O trabalho sério de combate as drogas vem com a preparação de centros de tratamentos, equipes multidisciplinares com assistentes sociais e terapeutas, um corpo de pessoas preparadas para acolhê-las. Tem que ter um trabalho que anteceda a questão de ir à rua e resgatar essa pessoa. 


Santos tem o maior porto da América Latina. Como você vê a relação da cidade com o porto.

Para os mais jovens que não viveram essa época, o Porto já foi uma área que ditava a dinâmica da cidade. A lei de privatização dos portos separou a cidade. Antes, tínhamos o Centro de Santos com o seu comércio. Aquilo era alimentado pelos estivadores e trabalhadores portuários e com a privatização dos portos tudo acabou. Isso causa um impacto social na cidade muito grande. A raiz do problema passa pela privatização. Nós defendemos a estatização do Porto de Santos. Até pra que o porto deixe de virar as costas pra cidade. As empresas lucram cada vez mais e a qualidade de vida de Santos está cada vez mais deteriorada. E não existe uma contrapartida. A cidade não se beneficia disso, o porto precisa voltar a fazer parte da dinâmica da cidade.


A Prefeitura implantou recentemente um novo Plano de Carreiras, Cargos e Vencimentos. Isso foi o bastante para motivar o funcionalismo público?

Tem um ditado que diz que “meias verdades escondem meias mentiras”. Eu afirmo que “meias verdades escondem muitas mentiras”. Primeiro, que esse plano de carreira que foi aprovado pela administração não tem nada a ver com o projeto que eles tinham antes. A Administração pagou uma quantia exorbitante para a Fundação Getúlio Vargas (FGC) elaborar um plano de carreira para os servidores que não era um plano novo e, sim, o que a entidade usa para todas as administrações municipais apenas com algumas mudanças. Mas a essência é a mesma e que foi rechaçada pelos servidores. O plano que foi aprovado pelos servidores é fruto de discussão, não tem nada a ver com a proposta que a administração apresentou para os servidores. Embora esteja longe de atingir as necessidades, foi um grande avanço em relação ao que estava sendo proposto pelo plano apresentado pela FGV. Avançou alguma coisa, mas está muito aquém das necessidades do funcionalismo. Temos um problema sério em Santos que é a questão da Lei 650. Virou um balcão de negócios entre o Executivo e o Legislativo. Isso tem matado a qualidade do serviço público. Entre 2 e 3 mil pessoas foram contratadas pelo serviço público com indicações da base de apoio do governo. Tem algumas pessoas que quando trabalham, levam a sério, mas outra parte não. E isso gera um descontentamento entre os servidores. Eles gozam de muitas regalias e isso reflete na questão da qualidade de serviço. Todas as vagas existentes tem que ser preenchidas por concurso público e é isso que farei caso eleito.


Outra ação do atual governo que será concluída no próximo é o Santos Novos Tempos: como o senhor vê o andamento desta ação?

Esse projeto vem desde a administração do PT. Depois o Beto (Mansur) assumiu e ficou na promessa. Agora, termina o segundo mandato do (João Paulo Tavares) Papa, que é a continuação do governo Mansur, e nada, mas com um agravante: a verba já foi liberada. É um problema de incompetência administrativa e que mostra a que veio esse governo. É um total descaso com aquelas pessoas que realmente precisam, é preciso dar prioridade pra isso.


Na educação, há uma questão a ser resolvida na demanda das vagas de creche. Como resolver essa questão?

Primeiro que não é verdade que não faltam vagas pras crianças nas creches. O funcionamento das creches passa por um problema que é o êxodo dos professores. Santos, que é a cidade mais rica da região, paga muito pouco para os docentes. Elas estão optando por fazer concursos em outras cidades. A falta de professores na Rede Pública Municipal é evidente e está aliada às questões das condições de trabalho, que são as piores possíveis e isso tem que ser revertido. A administração até se vangloria em dizer que tem vagas superior à demanda, mas falta acertar a distribuição. 


Pais reclamam da fala de professores em algumas unidades, acha que a questão so salário tem a ver com isso?

Enquanto não tiver uma política de valorização para os professores eles vão continuar buscando outros locais para trabalhar. O prefeito ainda falou que não tem condições de competir com o salário das outras cidades. Essas coisas tem que ser explicadas. Não tem nada que explique como Santos, que vai ter uma arrecadação prevista para o ano que vem de R$ 1bi e meio, não tem condições de pagar um salário equivalente ao das outras cidades.


Uma parcela significante dos moradores de Santos é formada por idosos. O que fazer para essa parcela da população?

Primeiro, democratizar os conselhos municipais, principalmente o do idoso. Uma secretaria, onde eles possam discutir e criar ideias voltadas para esse grupo e que eles trabalham políticas e que a administração coloque em prática. E, além disso, o Governo Municipal deve encabeçar a discussão de recuperar as aposentadorias.


Ano passado, a maior parte do tempo as praias da cidade ficaram impróprias para banho...

Existem projetos para eliminar isso. Vemos todos dias na TV e o Governo Municipal tem que cobrar, até porque a Sabesp investe dinheiro e não vemos resultados. Porque o prefeito, que é tão amigo o governador, não tem cobrado nada nesse sentido. Onde estão os investimentos do (programa) Onda Limpa? A prefeitura tem que cobrar isso.


O senhor é o candidato com o menor tempo na TV e o que tem a menor previsão de gastos. Como fazer uma campanha com chances de vitória?

Primeiro, temos muito orgulho de ostentar isso (ter a menor previsão de gasto) e nem vamos usar esse dinheiro, por que nós não temos.  A nossa campanha é mantida por trabalhadores. Nós não recebemos o dinheiro de bancos e empreiteiras, de companhias de aviação. A nossa independência política se dá em base da nossa independência economia.


E como governar indo de encontro com tantos interesses da política?

Essas são as regras do jogo e é isso que nós estamos querendo quebrar, queremos inverter, essa política de bastidores, esse toma lá, da cá. E que acaba prejudicando a maioria das pessoas que tem educação precária, que morrem nos corredores dos hospitais e vemos todo o dia no noticiário e é isso que tem que inverter, chegar ao pode ou é pra mudar ou não interessa. Santos e o Brasil tem que ser comandadas por pessoas do bem, trabalhamos para ter uma cidade dos trabalhadores.




3 de agosto de 2012

Santos hoje é elitizada e exclui a maioria dos trabalhadores que tem um menor poder aquisitivo, afirma Luiz Xavier

O que lhe motiva a concorrer à prefeitura
Como da primeira vez que participamos, em 2004, o objetivo maior do PSTU é mostrar uma proposta que vai de encontro aos interesses da maioria da população, dos trabalhadores e dos mais pobres. Acreditamos que só nós defendemos isso. E também para que o debate não se dê apenas com as candidaturas que polarizam esta eleição, com o PT, PSDB e aqui na cidade o PMDB, que tem um peso maior por ter a atual administração. Nós temos uma proposta alternativa e, ao contrário dos outros candidatos, nós não temos o interesse de construir algo em volta do prefeito. Queremos construir um programa coletivo. Quando a gente encampa a bandeira de Santos para os Trabalhadores, queremos construir um programa junto com os trabalhadores, os pobres, estudantes e a juventude, que vai contra a atual política que está sendo implantada na cidade. Santos hoje é elitizada e exclui a maioria dos trabalhadores que tem um menor poder aquisitivo.
Você acredita que Santos está virando as costas para os trabalhadores?
Hoje, não. Já tem algum tempo. O boom imobiliário e a redefinição do espaço urbano em Santos levam a uma elitização e a expulsão dos santistas que não tem condição de continuar vivendo aqui. Hoje, a cidade é caríssima, não só na habitação. Foi feito um levantamento e o nosso Município tem a segunda refeição mais cara do Brasil, só perdendo para o Rio de Janeiro. 
O boom imobiliário e a redefinição do espaço urbano em Santos levam a uma elitização e a expulsão dos santistas que não tem condição de continuar vivendo aqui (Foto: Nara Assunção)
Boom imobiliário e a redefinição do espaço urbano em Santos levam a uma elitização e a expulsão dos santistas que não tem condição de continuar vivendo aqui (Foto: Nara Assunção)

Santos vive um momento de expansão econômica. O grande desafio é aliar este fato à qualidade de vida?
Santos não tem um crescimento populacional há mais de uma década, sempre oscilando entre 413, 420 ml habitantes. Com a previsão dos investimentos que virão do pré-sal, existe uma estimativa de dobrar a população em 10 anos, chegando a 800 mil pessoas. Aí eu pergunto: onde vai caber esse povo todo, num espaço de 39 km²? É uma insanidade. Quem vai lucrar com isso são as construtoras, que vem pra cá e vão construir prédios de alto valor. A qualidade de vida de Santos vai cair cada vez mais, não há espaço não tem espaço pra isso (crescimento), e as pessoas que vão pagar um preço altíssimo por cada habitação verão isso desvalorizado com a deterioração da qualidade de vida. Temos que falar de um assunto que nenhum candidato falou até hoje e que tem que ser a marca do próximo prefeito…
Qual?
É a metropolização. Fala-se do crescimento de Santos, mas por que não se fala da metropolização do transporte, do VLT, que está há 15 anos sem sair do papel, o que facilitaria a locomoção das pessoas? Os motoristas dos ônibus fazem o papel de cobrador e isso dobrou o tempo da viagem. Hoje, uma viajem da Praia Grande a Santos demora uma hora e meia. O VLT é o caminho, mas os prefeitos dizem que existem outras alternativas já para não bater de frente com a maior interessada nisso, a Piracicabana, que financia a campanha dos outros candidatos. Então, a questão da metropolização foi esquecida. Como Santos é a cidade mais rica da região, ela tem que encabeçar esse processo. Mas não se discute isso. Estão querendo verticalizar Santos, tornar isso aqui um inferno, empurrar 800 mil pessoas, ninguém vai conseguir se locomover. É essa situação que queremos discutir com a população e os trabalhadores. Construção de grandes torres são insanidades e só quem se beneficia com isso são as grandes construtoras. Quem for morar em Santos nos próximos 10 anos vai sofrer. Nem metrô pode se fazer aqui por que o solo é de mangue. Então, tem que se discutir o transporte de massa em detrimento ao transporte individual, pois, infelizmente, as pessoas são obrigadas a usar essas alternativas, dado as péssimas condições do transporte coletivo, tanto na questão de acomodação como na questão do tempo e da passagem, que é caríssima.
Segundo pesquisa realizada com 1.200 santistas pela Enfoque Comunicação/Jornal Boqnews no mês passado, mais de 40% dos santistas apontaram a Saúde como a área que deve ser priorizada pelo próximo prefeito. Como o senhor analisa essa questão?
Essa é a maior preocupação dos moradores de Santos. Todo mundo constata, não só em Santos, mas em todo Brasil, que a saúde é um caos. Mas isso vem desde o Governo Federal. Para se ter uma ideia, o orçamento do Ministério da Saúde é de R$ 54 bilhões (N. da R.: O orçamento do Ministério da Saúde, em 2012, é de R$ 94 bilhões). Enquanto a União paga mais de R$ 635 bilhões de juros aos banqueiros. A questão da saúde não pode ser vista como regional, pois as cidades não têm condições de arcar com uma estrutura de funcionamento. Passa por investimento dos governos Federal e Estadual. Defendemos a questão dos 10% do PIB para a educação e eles (União) dizem que não pode, dos 6% pra saúde, não pode. Então, se desde o governo federal já existe essa deficiência, ela acaba se reproduzindo a nível estadual e vai terminar no município. O prefeito de Santos deve encampar uma campanha para a destinação de 6% do PIB nacional em saúde, inclusive pra desafogar o município. Quem acaba segurando o rojão é a cidade. Existe um processo de privatização da saúde.
Uma das maiores ações do Governo Papa foi a compra do Hospital dos Estivadores, mas a reforma completa do prédio será finalizada e entregue pelo sucessor dele. O que a senhor pensa para aquela área? 
O Governo atual despendeu de R$ 25 milhões para comprar aquela área. É um absurdo uma cidade deste tamanho ter um hospital daquele porte fechado há muitos anos. Tem que inverter a lógica que se faz de investir na saúde: comprar um hospital, equipar e, depois, entregar nas mãos da iniciativa privada. Saúde não é negócio, as pessoas não podem ser vistas como uma mercadoria, algo que dê lucro. Ela tem que estar voltada para o bem estar das pessoas. Se não me engano. a intenção é entregar a administração deste hospital para entidades sociais. Nós somos contra essa ideia. Defendemos saúde pública universal e gratuita para todos. Na Inglaterra, a saúde é pública, gratuita e de qualidade. Os administradores costumam dizer que saúde é cara, afirmam não ter condições de arcar e jogam (a responsabilidade) para a iniciativa privada. Daí pagam muito. Há pessoas que jogam quase toda a aposentadoria para ter um plano de saúde, quando isso é um direito dele e obrigação do Estado. Quando a pessoa tem uma doença e um problema mais sério recorre ao SUS, que acaba bancando o tratamento. Isso é uma coisa que a gente tem que discutir com as pessoas. Saúde, educação e transporte são direitos dos moradores e vamos sempre bater na tecla disso. Santos tem um dos maiores índices do país de moradores com planos de saúde e escola particular.
Muita gente de outras cidades da região são atendidas em Santos…
Se a gente comparar o serviço público de Santos, que está deteriorado, e lembrar que o mesmo já foi referência e perdeu muito nos últimos 16 anos, vemos muitos problemas. Ele é ocupado, sim, por outras pessoas da região. Mas então há um erro: porque esses problemas todos se a maioria dos santistas não usa (o serviço de saúde)? Não explicam o mau atendimento. E defendemos a proposta de que 35% do orçamento municipal seja destinado à saúde.
Se a gente comparar o serviço público de Santos, que está deteriorado, e lembrar que o mesmo já foi referência e perdeu muito nos últimos 16 anos, vemos muitos problemas (Foto: Nara Assunção)
Se a gente comparar o serviço público de Santos, que está deteriorado, e lembrar que o mesmo já foi referência e perdeu muito nos últimos 16 anos, vemos muitos problemas (Foto: Nara Assunção)

Uma das suas propostas, caso seja eleito, é implantar o IPTU progressivo. Você pode detalhá-la?
O boom imobiliário vem reforçar a questão a especulação. São apartamentos de alto padrão que vão ficar vazios. Santos tem um número alto de unidades usadas somente para este fim, enquanto hoje, segundo a prefeitura, o déficit habitacional da cidade é de 16 mil moradias, que estão nos morros, nas palafitas da Zona Noroeste e nos cortiços, que ninguém fala mais, mas é onde há a maior área de insalubridade do município. Existia um plano de erradicação dos cortiços e ninguém toca no assunto, estão guardando esta área do Centro Histórico para a especulação. O plano diretor favorece…
E aí entra a proposta do IPTU progressivo?
Sim, os imóveis que estão faltando para essas 16 mil famílias estão sobrando em Santos. Temos que taxar as habitações que estão para especulação imobiliária e determinar um prazo para a expropriação dessas unidades, que estão desocupadas, e que venham ter uma finalidade, que é para as famílias que não tem onde morar.
Hoje, um dos principais calcanhares de Aquiles do santista é o trânsito. Você acha que a cidade caminha para ter um rodízio municipal?
Não é a solução. Se tentarem empurrar 800 mil pessoas em Santos, acho que terá que haver um rodízio de pessoas, não de carros. É um absurdo. A questão do rodízio não resolve o trânsito, o que resolve é o transporte de massa. E a gente sabe disso. Temos projetos que estão emperrados há mais de 15 anos e ninguém fala mais nisso. A questão do VLT é um exemplo. Os trilhos estão prontos. Antes se falava de ligar o Litoral Sul à Baixada e agora se discute um plano pequeno, de ligar Santos a São Vicente, o que não vai ajudar em nada a população. É só você notar o tanto de pessoas que fazem o uso da bicicleta, de motos, as pessoas optam por meio de transporte individual, porque o serviço de transporte coletivo é precário e só visa o lucro. As pessoas viajam em condições sub-humanas e com preços caríssimos. Santos tem uma das tarifas mais caras do país. Se você contar o valor da passagem por km rodado, na Capital, você paga R$ 3 e anda 30, 40 km. Em Santos, você anda cinco km e paga R$ 2,90. É um absurdo isso. Usar o transporte público é a solução, sim. As pessoas usariam se fosse de qualidade.
Como você pensa em melhorar o transporte sem reajustar uma passagem que já é alta?
Mas isso tem que ser feito. A gente defende que o transporte tem que ser estatizado, não pode gerar o lucro, senão acontece o que estamos vendo aí. As passagens são caríssimas e as condições, péssimas. E a perspectiva é de que isso piore com a chegada do pré-sal. O norte já tá dado, a solução não é o transporte individual, nem o público do jeito que está hoje em dia que, muito pelo o contrário, está gerando um caos que tende a piorar cada vez mais. E aí querem punir as pessoas com o rodízio. Tem que incentivar o transporte de massa coletivo, com preços acessíveis. Só para se ter uma ideia, temos uma referência com o preço do metrô: em Recife, que é público, a passagem custa R$ 1,60; em São Paulo que parte é privada e parte estatal a passagem é R$ 3,00. No Rio, que é totalmente privada, é R$ 3,20. A questão do transporte na mão da iniciativa privada visa o lucro. Transporte tem que ser estatal não pode visar lucro. As pessoas usam condução pra trabalhar, ir à compra, comércio. Defendemos uma tarifa social.
É cada vez maior o trânsito nas entradas da cidade nos horários de pico nas entradas da cidade, tanto no horário da manhã, quanto no final da tarde. O que fazer para eliminar esses gargalos?
A gente precisa discutir a origem disso. Antes nós tínhamos o Caminho do Mar que ligava São Paulo à Baixada. Depois veio a Anchieta, a Imigrantes um, a segunda Imigrantes e já está precisando de outra pista. Ou seja, construir estrada não resolve o problema. O que resolve é o tipo de meio de transporte que você usa pra equacionar isso. Por exemplo: a questão das cargas. Foi abandonada a ideia de se utilizar a linha férrea. Quantas carretas nós temos descendo a serra todo dia? Isso poderia ser feito por via ferroviária, desafogando o trânsito. O problema é que nós temos uma política que incentiva a compra de veículos. É isso que nós queremos fazer, discutir propostas que possam fazer o bem para as pessoas e não aproveitar esse momento para criar o caos e ter lucros. Temos que incentivar o transporte ferroviário. Temos que ver a origem do problema, estamos perto da maior cidade do país (São Paulo), temos a questão das praias, do Litoral, e não podemos impedir que as pessoas venham pra cá. É ruim ficar seis horas em congestionamentos de seis horas pra andar 60 km.
O túnel que ligaria as zonas Leste à Noroeste é tido como uma alternativa. O senhor defende esse projeto?
É ver a relação custo/benefício para a cidade. Um estudo que diga se é viável. Facilitaria, mas e o preço disso aí? Não seria melhor investir em transporte de massa coletivo de qualidade? É um estudo que tem que ser feito e ninguém apresenta nada. Tem gente que diz que tem que ser feito, mas quero ver números que apontam se tem que ser construído ou não. Ninguém apresentou. Isso deve interessar quem vai fazer, quem vai licitar, esses são os maiores interessados. Temos que pensar na população de santos.
Outro ponto que foi fruto de preocupação dos santistas segundo levantamento da Enfoque Comunicação/Jornal Boqnews foi a segurança. O que fazer para reforçar as ações de prevenção e combate à violência na cidade?
Está mais que provado que a repressão não é a solução. Temos as questões socioeconômicas da cidade, e diante da falta de oportunidade, da elitização os jovens acabam seduzidos para o crime e para outros caminhos aparentemente mais faces. É um longo trabalho de formação, de oportunidades de trabalho, educação… tudo isso vai diminuir a questão da criminalidade. Quanto mais oportunidades as pessoas tiverem, menos elas serão influenciadas ou diretamente ligadas à questão do crime. Nós defendemos a questão da descriminalização das drogas… só isso reduziria de imediato 50% da criminalidade. 
Mas defender a descriminalização das drogas é algo polêmico para uma eleição. Como você trabalharia isso?
Nós não tergiversamos nas questões que temos como princípio. Defendemos a descriminalização da droga, pois é a maneira mais eficiente de se combater a violência, o tráfico. A quem interessa a manutenção de tudo isso? Nós somos contra. Quem são as pessoas que se beneficiam de tudo isso (violência)? Eles são contra? Alguns dizem (que são contra) por questão religiosa. Hoje, o que mais vemos é a questão de guerra de quadrilhas por posse de pontos. Há também o envolvimento da polícia e delegados com o tráfico e os jogos clandestinos. É um absurdo. Só essa parte que nós livraríamos já reduziria em 50% a violência. Não é só o combate ao tráfico com a questão repreensiva.
Defendemos a descriminalização da droga, pois é a maneira mais eficiente de se combater a violência, o tráfico. A quem interessa a manutenção de tudo isso? (Foto: Nara Assunção)
Defendemos a descriminalização da droga, pois é a maneira mais eficiente de se combater a violência, o tráfico. A quem interessa a manutenção de tudo isso? (Foto: Nara Assunção)

As mini-cracolândias se espalham pela cidade. Como trabalhar a questão do tratamento destes dependentes?
Vimos a pouco tempo em SP uma ação feita para satisfazer os egos. Anterior a isso tem que ter todo um trabalho que não foi feito. Casa de recuperação com profissionais preparados para receber essas pessoas. Nada disso foi feito. O trabalho sério de combate as drogas vem com a preparação de centros de tratamentos, equipes multidisciplinares com assistentes sociais e terapeutas, um corpo de pessoas preparadas para acolhê-las. Tem que ter um trabalho que anteceda a questão de ir à rua e resgatar essa pessoa. 
Santos tem o maior porto da América Latina. Como você vê a relação da cidade com o porto.
Para os mais jovens que não viveram essa época, o Porto já foi uma área que ditava a dinâmica da cidade. A lei de privatização dos portos separou a cidade. Antes, tínhamos o Centro de Santos com o seu comércio. Aquilo era alimentado pelos estivadores e trabalhadores portuários e com a privatização dos portos tudo acabou. Isso causa um impacto social na cidade muito grande. A raiz do problema passa pela privatização. Nós defendemos a estatização do Porto de Santos. Até pra que o porto deixe de virar as costas pra cidade. As empresas lucram cada vez mais e a qualidade de vida de Santos está cada vez mais deteriorada. E não existe uma contrapartida. A cidade não se beneficia disso, o porto precisa voltar a fazer parte da dinâmica da cidade.
A Prefeitura implantou recentemente um novo Plano de Carreiras, Cargos e Vencimentos. Isso foi o bastante para motivar o funcionalismo público?
Tem um ditado que diz que “meias verdades escondem meias mentiras”. Eu afirmo que “meias verdades escondem muitas mentiras”. Primeiro, que esse plano de carreira que foi aprovado pela administração não tem nada a ver com o projeto que eles tinham antes. A Administração pagou uma quantia exorbitante para a Fundação Getúlio Vargas (FGC) elaborar um plano de carreira para os servidores que não era um plano novo e, sim, o que a entidade usa para todas as administrações municipais apenas com algumas mudanças. Mas a essência é a mesma e que foi rechaçada pelos servidores. O plano que foi aprovado pelos servidores é fruto de discussão, não tem nada a ver com a proposta que a administração apresentou para os servidores. Embora esteja longe de atingir as necessidades, foi um grande avanço em relação ao que estava sendo proposto pelo plano apresentado pela FGV. Avançou alguma coisa, mas está muito aquém das necessidades do funcionalismo. Temos um problema sério em Santos que é a questão da Lei 650. Virou um balcão de negócios entre o Executivo e o Legislativo. Isso tem matado a qualidade do serviço público. Entre 2 e 3 mil pessoas foram contratadas pelo serviço público com indicações da base de apoio do governo. Tem algumas pessoas que quando trabalham, levam a sério, mas outra parte não. E isso gera um descontentamento entre os servidores. Eles gozam de muitas regalias e isso reflete na questão da qualidade de serviço. Todas as vagas existentes tem que ser preenchidas por concurso público e é isso que farei caso eleito.
Outra ação do atual governo que será concluída no próximo é o Santos Novos Tempos: como o senhor vê o andamento desta ação?
Esse projeto vem desde a administração do PT. Depois o Beto (Mansur) assumiu e ficou na promessa. Agora, termina o segundo mandato do (João Paulo Tavares) Papa, que é a continuação do governo Mansur, e nada, mas com um agravante: a verba já foi liberada. É um problema de incompetência administrativa e que mostra a que veio esse governo. É um total descaso com aquelas pessoas que realmente precisam, é preciso dar prioridade pra isso.
Na educação, há uma questão a ser resolvida na demanda das vagas de creche. Como resolver essa questão?
Primeiro que não é verdade que não faltam vagas pras crianças nas creches. O funcionamento das creches passa por um problema que é o êxodo dos professores. Santos, que é a cidade mais rica da região, paga muito pouco para os docentes. Elas estão optando por fazer concursos em outras cidades. A falta de professores na Rede Pública Municipal é evidente e está aliada às questões das condições de trabalho, que são as piores possíveis e isso tem que ser revertido. A administração até se vangloria em dizer que tem vagas superior à demanda, mas falta acertar a distribuição. 
Pais reclamam da fala de professores em algumas unidades, acha que a questão so salário tem a ver com isso?
Enquanto não tiver uma política de valorização para os professores eles vão continuar buscando outros locais para trabalhar. O prefeito ainda falou que não tem condições de competir com o salário das outras cidades. Essas coisas tem que ser explicadas. Não tem nada que explique como Santos, que vai ter uma arrecadação prevista para o ano que vem de R$ 1bi e meio, não tem condições de pagar um salário equivalente ao das outras cidades.
Uma parcela significante dos moradores de Santos é formada por idosos. O que fazer para essa parcela da população?
Primeiro, democratizar os conselhos municipais, principalmente o do idoso. Uma secretaria, onde eles possam discutir e criar ideias voltadas para esse grupo e que eles trabalham políticas e que a administração coloque em prática. E, além disso, o Governo Municipal deve encabeçar a discussão de recuperar as aposentadorias.
Ano passado, a maior parte do tempo as praias da cidade ficaram impróprias para banho…
Existem projetos para eliminar isso. Vemos todos dias na TV e o Governo Municipal tem que cobrar, até porque a Sabesp investe dinheiro e não vemos resultados. Porque o prefeito, que é tão amigo o governador, não tem cobrado nada nesse sentido. Onde estão os investimentos do (programa) Onda Limpa? A prefeitura tem que cobrar isso.
O senhor é o candidato com o menor tempo na TV e o que tem a menor previsão de gastos. Como fazer uma campanha com chances de vitória?
Primeiro, temos muito orgulho de ostentar isso (ter a menor previsão de gasto) e nem vamos usar esse dinheiro, por que nós não temos.  A nossa campanha é mantida por trabalhadores. Nós não recebemos o dinheiro de bancos e empreiteiras, de companhias de aviação. A nossa independência política se dá em base da nossa independência economia.
E como governar indo de encontro com tantos interesses da política?
Essas são as regras do jogo e é isso que nós estamos querendo quebrar, queremos inverter, essa política de bastidores, esse toma lá, da cá. E que acaba prejudicando a maioria das pessoas que tem educação precária, que morrem nos corredores dos hospitais e vemos todo o dia no noticiário e é isso que tem que inverter, chegar ao pode ou é pra mudar ou não interessa. Santos e o Brasil tem que ser comandadas por pessoas do bem, trabalhamos para ter uma cidade dos trabalhadores.

Da Redação
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