Saúde mental

Setembro Amarelo – 11 respostas sobre prevenção ao suicídio

Aproveitando a campanha Setembro Amarelo, de prevenção ao suicídio, a Secretaria de Saúde da Prefeitura de Santos esclarece algumas dúvidas

07 de setembro de 2019 - 15:30

Da Redação

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Trinta segundos. Este é o tempo médio entre a tomada de decisão de alguém tirar a própria vida (impulso) e o ato que a leva à morte.

É muito pouco tempo para intervir e evitar que a ação ocorra.

Porém, antes do impulso, as ideias suicidas já estão presentes.

Reconhecê-las e saber agir para evitar que alguém se mate é de extrema importância para salvar vidas.

Aproveitando a campanha Setembro Amarelo, de prevenção ao suicídio, a Secretaria de Saúde da Prefeitura de Santos esclarece algumas dúvidas.

 

1. Que sinais uma pessoa com ideias suicidas emite?

A pessoa passa a falar bastante sobre questões negativas, de desvalorização da própria vida e autodepreciação.

Frases como ‘a vida não vale a pena’, ‘não estou feliz’, ‘não sirvo para nada’, ‘ninguém gosta de mim’ passam a ser frequentes.

É preciso prestar mais atenção a esta pessoa.

Mas vale lembrar que nem todas que pensam em se matar demonstram algum tipo de insatisfação.

Podem se recolher em silêncio, em comportamentos que não são habituais como isolamento ou até mesmo agressividade e choro fácil.

 

2. Como ajudar?

Deve-se conversar em local reservado, de forma franca, mostrar-se preocupado, perguntar se está tudo bem.

E ouvir, sem fazer julgamentos. Em alguns casos, pode se tratar de um descontentamento pontual, mas há quem realmente necessite de tratamento.

Se a pessoa não quiser conversar, alguém mais próximo a ela deve ser acionado para que possa acontecer esse diálogo.

Importante não ser uma conversa de pura curiosidade, mas que demonstre que pode haver confiança a nesse diálogo.

 

3. Quais são os fatores de risco que podem levar uma pessoa ao suicídio?

Depressão, ansiedade, ser vítima de abuso ou violência, história de vida traumática e uso abusivo de drogas.

Não significa que quem tem essas doenças ou características necessariamente vai se matar, mas geralmente quem atenta contra a própria vida possui histórico de algum tipo de transtorno mental.

 

4. Uma pessoa que está acamada devido a uma depressão profunda tem risco de se suicidar?

Geralmente, o risco maior acontece quando o tratamento medicamentoso começa a fazer efeito (2 a 3 semanas após o início).

Pois antes não havia ânimo para nada, mesmo que já estivesse com ideias suicidas.

O medicamento proporciona a energia de que necessitava para atentar contra a própria vida.

A orientação é sempre observar a evolução do quadro clínico da pessoa e manter contato constante com o profissional ou equipe que cuida do caso.

 

5. Pode-se obrigar uma pessoa a buscar tratamento?

É importante avaliar o risco de ela atentar contra a si mesma ou contra outra pessoa e buscar convencê-la através de conversa, mostrando os perigos que ela corre.

 

6. Que atividades podem ajudar a afastar as ideias suicidas?

Todas as práticas que tragam bem-estar e que ocupem a mente da pessoa: atividades de lazer (passeios, esportes), artesanato e atividades culturais (cinema, teatro), por exemplo. Profissionais da área da saúde mental chamam essas práticas de ‘Produção de Vida’.

 

7. No Brasil, cerca 1.200 idosos cometem suicídio todos os anos. Entre 2006 e 2015, a prática aumentou 24% entre a população adolescente (10 a 19 anos). Por que essas pessoas estão mais vulneráveis?

Indicadores socioeconômicos como desigualdade social e desemprego foram determinantes para o risco de suicídio entre adolescentes no Brasil.

Entre os fatores de risco para o suicídio de idosos, além dos transtornos mentais como depressão, esquizofrenia e uso abusivo de álcool e drogas, há questões como isolamento social, outros fatores psicológicos como perdas recentes, condições de saúde importantes como lesões desfigurantes, dor crônica e câncer.

As “duas pontas” das fases de nossa vida crianças/jovens e os idosos precisam ser protegidos.

 

8. O suicídio ainda é um tema tabu. Como abordá-lo junto aos jovens?

Destacar a importância de não julgamento de condições sociais e de comportamentos para que possamos ajudar as pessoas em situação de sofrimento.

Infelizmente, muitos julgam as pessoas que tentam o suicídio, culpando-os, criminalizando-os pelo ato.

Elas precisam de ajuda.

 

9. Como proteger os mais jovens?

É importante ter um espaço de fala, de manifestação de seus desejos, de sua criatividade.

Crianças e adolescentes são criativos, estão em fase de descoberta.

Descoberta do corpo e das suas possibilidades de vida.

Com o aumento da crise social na qual o Brasil se encontra, as possibilidades de vida e de sucesso parecem inatingíveis para os jovens.

Eles precisam de espaços de escuta e de prática de criatividade.

Os locais de convivência desse grupo populacional precisam proporcionar possibilidades de expressão.

 

10. Onde buscar ajuda na rede pública de Santos?

O atendimento em saúde mental se estrutura na Rede de Atenção Psicossocial, que tem como objetivo o atendimento mais próximo da casa do paciente.

A policlínica do bairro em que a pessoa reside pode fazer o primeiro atendimento do paciente, avaliar o nível de gravidade e iniciar o tratamento de casos leves de ansiedade, melancolia, tristeza e depressão considerados leves (quando a causa é conhecida, geralmente relacionada a um luto, como perda de alguém ou do emprego, por exemplo).

Quando não há explicação clara para a melancolia e tristeza, com sofrimento para a pessoa e para a sua família, e o caso for considerado grave, a melhor opção são os Caps – Centros de Atenção Psicossocial, que atendem a transtornos mentais mais graves.

Nesses locais, as pessoas podem ir espontaneamente ou por encaminhamento. Deve-se buscar sempre a unidade mais próxima da sua residência.

 

11. E em casos de surto, quem acionar?

Quando um paciente de saúde mental está em crise, colocando em risco a própria vida ou de outra pessoa, deve-se acionar o Samu (telefone 192) – cuja equipe está preparada para o atendimento de crises psicóticas ou por uso abusivo de álcool e outras drogas.

O paciente é encaminhado a uma UPA para estabilização clínica.

Havendo necessidade, o paciente é encaminhado para o Complexo Hospitalar da Zona Noroeste, que possui leitos psiquiátricos.

 

Endereços dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps)

 

Atendimento infantojuvenil

 

Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras drogas Infantojuvenil 
Rua Campos Melo, 298
Encruzilhada

Centro de Atenção Psicossocial Infantil da Zona Noroeste
Praça Maria Coelho Lopes, 395, Santa Maria

Centro de Atenção Psicossocial Infantil da Orla / Intermediária e Região Central Histórica – NOVA UNIDADE A PARTIR DO DIA 20 DE SETEMBRO
Av. Pinheiro Machado, 769, Campo Grande

 

Atendimento adulto

Centro de Atenção Psicossocial da Zona Noroeste 
Rua Bulcão Viana, 880
Bom Retiro

Centro de Atenção Psicossocial Centro 
Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, 236, Macuco

Centro de Apoio Psicossocial Praia
Av. Cel. Joaquim Montenegro, 329, Ponta da Praia

Centro de Apoio Psicossocial da Vila
Av. Pinheiro Machado, 718Marapé

Centro de Apoio Psicossocial Orquidário 
Avenida Francisco Glicério, 661, José Menino

Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas (atende apenas dependentes químicos)
Rua Silva Jardim, 354, Macuco

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