Sítio arqueológico com parece do século XVI é descoberto
A descoberta de um sítio arqueológico em São Vicente, anunciada nesta quinta-feira (3/12), ratifica a importância histórica da primeira cidade do Brasil. Uma parede erguida no século XVI e 883 objetos encontrados no subterrâneo da Casa Martim Afonso (Praça Vinte e Dois de Janeiro, 469 – Gonzaguinha) pertencem a povos que habitaram a região da Baixada Santista – antes mesmo da fundação da Cidade, em 1532. Entre as peças estão colheres de bronze, louça inglesa, facão, garrafas de barro e até conchas talhadas há três milênios pelo povo nativo, datadas de 1 mil anos a.C.
Pesquisa iniciada em janeiro deste ano, quando a Casa foi tombada como Patrimônio Histórico, culminou no encontro do material. Na ocasião, a Prefeitura, por meio do historiador Marcos Braga, contatou o arqueólogo e professor da Universidade de São Paulo (USP), Manoel Gonzalez, para realizar os estudos. “Uma Cidade tão importante e tão pouco explorada do ponto de vista arqueológico foi um atrativo muito grande pra aceitar o convite. Esse sítio representa toda a evolução da sociedade”, garante Gonzalez.
Segundo o Prefeito Tercio Garcia, presente na cerimônia, o espaço se transformará em mais um ponto turístico. “É uma forma de as pessoas conhecerem o registro material de um importante momento histórico da formação do Brasil”. Para Tercio, trata-se de uma devolução da importância de São Vicente ao cenário nacional. “Estamos investindo em pesquisas nesse sentido e este foi o primeiro de alguns sítios que se pode encontrar”.
No evento de apresentação, também compareceram o secretário de Cultura Renato Caruso e profissionais da imprensa. Também prestigiaram a solenidade os vereadores Paulo Lacerda, Marco Bitencourt, Jura, Macedo, Caio França, Diogo Batista, Ferrugem, Gilberto Rampon, José Soares, Pedro Gouvêa, Valter Vera e o secretário de Desenvolvimento Urbano e Manutenção Viária Léo Santos. O trabalho arqueológico está registrado no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
Peças
As peças encontradas no subterrâneo da Casa Martim Afonso traçam um histórico da população da região. As mais antigas são creditadas aos povos dos Sambaquis, que habitaram o País antes dos índios. Observando a cerâmica tupi é possível encontrar indícios da chegada dos negros no Brasil, que mudou a característica dos objetos. Os vestígios demonstram os costumes entre os séculos XVI e XIX.
Parede
O historiador Marcos Braga acredita que o pedaço de parede encontrado faz parte da Casa de Pedra do Bacharel. Registros históricos apontam esta como a primeira fortaleza construída em São Vicente. “Pode ser a prova física de uma história conhecida, mas nunca confirmada”, garantiu. O muro pode chegar à extensão de 25 metros. “Os estudos seguirão e as escavações devem comprovar o tamanho da edificação, que acreditamos ter 400m²”.