Uma rede de vôlei, piscina e alguns amigos: assim é o biribol
Thaís Cardim (*)
Poucos o conhecem pelo nome, mas ao estender uma rede em uma piscina e chamar alguns amigos para jogar vôlei, você está praticando biribol. Comum no interior do estado, o esporte é jogado por quatro integrantes por time, em uma piscina de pouca profundidade e tamanho reduzido. As regras são semelhantes às do vôlei.
Neste final de semana, Santos recebe o 1º Campeonato da Federação Paulista de Biribol. O esporte, originário da cidade de Birigui, era apenas praticado entre amigos e familiares. Hoje, faz parte do calendário de competições do interior.
As disputas do Campeonato Paulista de Biribol acontecem nas piscinas do Clube dos Ingleses e do complexo esportivo Rebouças, com a participação das 20 melhores equipes masculinas do estado. Os primeiros jogos ocorreram neste sábado (19), em ambos os locais, e a etapa final será no domingo (20), na piscina do Rebouças, a partir das 9 horas. A Baixada Santista conta com as equipes Itanhaém Náutico, Santos/FUPES e Itanhaém que representam a região.
De acordo com o gerente da Liga Nacional de Biribol, Osvaldo Crusca, a prática tem sido bastante divulgada no litoral do estado e há um projeto da prefeitura de Santos para transformar o Rebouças em um pólo de iniciação ao biribol. “No interior, os alunos da rede municipal praticam o esporte e formam atletas para competições como os Jogos Abertos do Interior”, afirma. Irmão de Osvaldo, o presidente da Liga, Edson Crusca, afirma que o biribol é o esporte com o menor gasto em material, o que facilita a implantação. “A cidade tem várias instalações subutilizadas, que poderiam ser aproveitadas para o biribol”, diz.
Devido a dificuldade em formar competidores qualificados, é comum os times terem o que chamam de ‘atletas estrangeiros’, ou seja, pessoas de outras cidades que jogam pela equipe local. Santos tem dois times de biribol e um deles é formado, em sua maioria, por ‘atletas estrangeiros’.
O técnico da equipe de Araçatuba, José Dante Thereza, elogiou o empenho dos participantes que, além da disputa pela melhor colocação, enfrentaram outro desafio: piscina do Clube dos Ingleses não tem aquecimento e o tempo ruim marcou presença no clima santista. “Se todas as equipes resolvessem não jogar, o campeonato provavelmente não aconteceria. Cair na água fria também é amor ao esporte”, brinca.
Dante, que competiu em diversas equipes desde a adolescência, incentivou o filho mais velho a praticar o biribol. Hoje com 22 anos, Matheus defende a equipe comandada pelo pai, mas confessa que não dá para sobreviver apenas com o esporte. Ele está no último ano de Economia e trabalha em um banco, em São Paulo.
Para competir, é necessário ter, no mínimo, 13 anos e não há limite de idade para a prática. Apesar de não ter a participação das mulheres neste campeonato, nove times femininos participam da Liga Nacional de Biribol. Essas equipes foram formadas, principalmente, em academias, durante os horários de lazer nas aulas de hidroginástica.
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(*) Aluna do curso de Jornalismo da Universidade Santa Cecília – Unisanta – Santos (SP)