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Valongo pode ganhar terminal

A MSC Cruzeiros apresentou, na última semana, à Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), o projeto para construção…

07 de fevereiro de 2011 - 11:22

Da Redação

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A MSC Cruzeiros apresentou, na última semana, à Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), o projeto para construção de um novo terminal de passageiros em Santos. Desenvolvido por arquitetos brasileiros e da estadunidense B&A, o projeto está previsto para a área do Valongo, alvo de um programa de revitalização lançado em 2008. A obra, agora, está em fase de apreciação por parte da estatal e até por isso a MSC ainda não divulgou o montante de investimento para os trabalhos. No entanto, a expectativa é de que a conclusão do terminal ocorra na temporada 2013/14, antes da Copa do Mundo.


De acordo com o diretor Comercial e de Marketing da MSC Cruzeiros no Brasil, Adrian Ursilli, as primeiras discussões sobre o novo terminal se deram em 2008, em contato com o prefeito João Paulo Tavares Papa e a Secretaria Especial de Portos. “Na ocasião, já se falava do projeto de revitalização do Valongo. Não existia nada concreto até então (sobre o terminal), mas foi quando se lançou a semente”, recorda. “Estávamos projetando um crescimento de mercado e em 2008 já havia um número razoável de navios no País. No entanto, notávamos dificuldades operacionais e de infraestrutura no terminal do Concais”, conta.


Segundo o diretor da MSC, a concretização da proposta, no começo do ano, é o primeiro passo em busca de uma solução para as dificuldades encontradas no terminal santista. “O Concais, em si, só suporta, efetivamente, um navio de médio-grande porte por vez. Isso já dá uma limitação grande. Mesmo no Rio de Janeiro, que não recebe tantos passageiros como Santos, você enfileira de três a quatro navios”, considera. Vale lembrar que o Concais, atualmente, conta atualmente com três berços em seu território. Em dias de mais navios, estes atracam nas proximidades do canal 5.


O representante da companhia  explica, ainda, haver uma dificuldade logística em dias com mais navios. “Há um problema operacional quando o trânsito de bagagens e de passageiros necessita ser feito em ônibus que acabam prejudicados pelas alterações no fluxo do trânsito. Há ocasiões que os navios ficam a quilômetros de distância, fazendo com que o hóspede leve até meia hora para embarcar. Isso porque, muitas vezes, ele já percorreu 80 quilômetros da Capital a Santos”, salienta, considerando, ainda, “elevados” os custos para atracação.


Mercado para todos


Na última quarta-feira (2), foi anunciado o plano de expansão do Concais, que previa encaminhar, até sexta-feira (4), o projeto à Codesp. Com investimentos estimados em R$ 120 milhões, a ideia é preparar o terminal para atender a demanda da Copa de 2014. As obras prevêem o avanço do costado sobre o mar, em área que vai do Armazém 23 até a Capitania dos Portos (Armazéns 27 a 29). A expectativa é aumentar o espaço para embarque e desembarque e dobrar a capacidade de recebimento de transatlânticos.


Para Ursilli, o projeto do Concais é positivo, mas não muda o planejamento da MSC de contar com seu terminal. “A notícia é ótima e ficamos contentes que exista essa ampliação. Mas temos essa expectativa de crescimento. A ampliação do terminal do Concais é importante, mas há mercado para todos. Sabemos que Santos tem de liderar esse mercado por sua posição estratégica. É quem recebe o maior número de passageiros no Brasil”, conclui.


Impacto


Captar com eficiência a demanda de cruzeiros no Brasil não tem sido um desafio unicamente de Santos. A dificuldade é vista em outros terminais do País, tanto que, segundo Ursilli, a oferta de transatlânticos no País, em linhas gerais, vai diminuir na próxima temporada. A própria MSC, conforme o diretor da empresa, não contará com uma de suas embarcações nos terminais de Santos e Rio de Janeiro, para 2011/12. O navio, cujo nome não foi revelado, circulará em Dubai (Emirados Árabes). É a primeira vez, em oito anos, que a MSC reduzirá sua frota nos locais.


“Certamente isso ocorre pelo gargalo operacional e a competição internacional. É importante colocar que os portos brasileiros competem com todo o mundo. Atributos como infraestrutura, baixos custos de operação e incentivos pesam nas decisões. A MSC, por exemplo, certamente leva isso em consideração”, explica, salientando, porém, que a decisão não é definitiva. “Trata-se de um momento de maior atenção, mas como vivemos uma década de crescimento e de boas expectativas, essa estabilização dure de uma a duas temporadas, para que se retome o crescimento”, conclui.

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