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26 DE AGOSTO DE 2021

Laboratório móvel avaliará ritmo da presença da variante Delta em Santos

O laboratório móvel será capaz de atender de 300 a 400 exames diários. Objetivo é monitorar o grau da presença da variante Delta na Cidade.

Por: Fernando De Maria

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O diretor do Butantan explicou à Imprensa como funcionará o laboratório itinerante. Foto: Nando Santos

A partir de segunda (30), Santos começa a monitorar todos os testes PCR realizados em unidades de pronto atendimento, policlínicas e idosos residentes em 54 casas de repouso na Cidade em um laboratório itinerante do Instituto Butantan.

O objetivo é acompanhar o atual estágio da presença da variante Delta da Covid-19 em circulação na Cidade e região.

Há o temor que a variante seja predominante no estado de São Paulo a partir de setembro.

Com a realização dos testes será possível avaliar o índice de presença do vírus.

E assim ajudar nas ações a serem tomadas, como salienta o secretário de Saúde, Adriano Catapreta.

Santos é  a cidade que mais vacina no estado, de forma proporcional, entre os municípios acima de 200 mil habitantes.

Dessa forma, o primeiro caso de variante Delta no Município foi confirmado no dia 11 de julho.

“O laboratório itinerante dará mais agilidade nos resultados dos testes PCR e mapeamento genético para identificarmos o atual estágio da variante na Cidade e região”, diz o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas.

O contêiner ficará instalado na Praça Mauá, junto à prefeitura, por um período entre 12 a 15 dias.

A carreta chegará na madrugada de sexta (27) para sábado (28).

O presidente do Butantan, Dimas Covas,  (centro) relembrou que todas as doenças chegaram ao País por avião ou navio. Temor com os riscos da chegada da temporada de cruzeiros. Foto: Nando Santos

Testes

Portanto, a tendência prevista varia de 300 a 400 testes  analisados diariamente.

“Com as respostas podemos monitorar a abertura de novos leitos ou não e, principalmente, a contratação de mão de obra para este fim”, explica o prefeito Rogério Santos.

Cada leito de UTI funcionando custa aos cofres municipais cerca de R$ 3 mil/dia.

Atualmente, dos 274 leitos disponíveis, 71 têm pacientes internados em estado grave.

No pico de internações, como em março/abril passado, foram 420 leitos somente de UTIs – em alguns momentos com quase a totalidade ocupados.

Como a variante Delta ainda representa uma incógnita na evolução dos casos futuros (Santos foi escolhida pelo elevado índice de vacinação, superando em todas as faixas etárias 90% do total de moradores), a pesquisa permitirá planejar e tomar ações prévias.

Hospital Vitória

Assim, o prefeito já solicitou ao grupo Amil a ampliação do prazo do contrato do uso do Hospital Vitória.

Ou seja, trata-se de um imóvel cedido gratuitamente para atender pacientes Covid.

Dessa forma, o acordo se encerraria em setembro, mas deve ser renovado até novembro.

“Pedi a extensão do prazo em razão dos riscos desta nova variante”, explicou.

“Se houver um agravamento da situação, o grupo colaborará com a Cidade”, reforçou.

O grupo Amil, dono do Vitória, pretende transformar o prédio em um hospital exclusivo para atendimento oncológico.

 

Vacinas

No entanto, indagado se não faltarão vacinas em razão da decisão do governo federal e, em especial, do governador João Doria em antecipar para 6 de setembro a aplicação da 3ª dose para idosos acima de 60 anos, Covas salientou que as vacinas para este público (cerca de 900 mil pessoas) já estão reservadas.

“Já houve reserva para este público”, explica.

Assim, uma reunião marcada para esta sexta-feira definirá também a inclusão das pessoas imunossuprimidas nesta listagem.

Já a antecipação da vacinação desagradou o ministério da Saúde.

Sem citar nomes, o ministro Marcelo Queiroga criticou os estados que querem antecipar a vacinação nestes grupos e baixar a faixa etária (o governo federal anunciou para acima de 70 anos).

Por sua vez, estudos mostram que após 6 meses da aplicação da segunda dose, o grau de eficácia da vacina cai.

Dessa forma, coloca em risco especialmente as pessoas mais vulneráveis, ou seja, idosos.

Retomada dos cruzeiros marítimos: um risco ainda não calculado em razão da pandemia ainda perdurar. Foto: Divulgação

Cruzeiros

Além disso, Dimas Covas foi diplomático ao falar sobre a possibilidade da Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária liberar a volta dos cruzeiros marítimos.

E ainda: os riscos que as cidades portuárias podem sofrer com a circulação crescente de pessoas provenientes de outras localidades.

“A peste bubônica entrou pelo Porto de Santos”, relembra o médico.

Além disso, lembrou,  a origem do Butantan deveu-se justamente por causa do surgimento desta doença em 1899. (confira a história aqui).

“Portos e aeroportos sempre foram portas de entradas para o surgimento de vírus”, alertou.

Covas criticou a atuação da Anvisa em relação a entrada de turistas no Brasil via aeroportos e portos.

“Poderia ter tido maior controle. O Brasil precisa aprender de forma efetiva como agir nesta situação”, salientou.

Ele lembrou o processo de chegada de passageiros no Aeroporto Internacional de Guarulhos, apenas com preenchimento de fichas.

“Medidas totalmente inócuas. Precisamos evoluir e muito”, salientou.

O prefeito Rogério Santos (PSDB) salientou que Santos já deu aval para a volta dos cruzeiros – decisão, no entanto, que dependerá da Anvisa e Ministério da Saúde.

“Trata-se de uma atividade importante, por isso demos um parecer positivo, desde que seguindo todos os protocolos internacionais, com diminuição do fluxo de passageiros e outras medidas de controle”, salienta.

O secretário de Saúde, Adriano Catapreta, preferiu não opinar.

Laboratório Móvel do Instituto Butantan começará a fazer a coleta dos exames PCR para identificar o grau de circulação da variante delta na Cidade e região. Foto: Divulgação

Lab Móvel

Assim, o projeto de laboratório itinerante (LAB MÓVEL) do Instituto Butantan tem como objetivo reduzir o intervalo para entrega dos resultados das amostras e realizar o sequenciamento das variantes dos SARS-CoV-2 que circulam na  Baixada Santista.

Dessa forma, com as análises realizadas dentro do LAB MÓVEL pode-se obter o resultado em até 24 horas (a partir do momento em que as amostras chegam ao contêiner) e, em seguida, iniciar o sequenciamento, que pode durar de 3 a 6 dias.

Atualmente, todo o processo entre a testagem de amostras e o sequenciamento de variantes dura de 10 a 12 dias.

“Nosso objetivo com o laboratório itinerante é analisar as amostras com mais agilidade e assertividade para entender quais regiões do estado precisam de mais atenção”, afirma Sandra Coccuzzo, diretora do Centro de Desenvolvimento Científico do Butantan.

Portanto, o contêiner virá de Aparecida, no interior paulista.

Dessa forma, o projeto envolveu 20 funcionários do Butantan.

Além disso, foram mais de 600 horas trabalhadas, resultando em mais de 1000 amostras testadas no período.

Não bastasse, os moradores das cidades que irão receber o laboratório itinerante poderão acompanhar os trabalhos dos pesquisadores do Instituto Butantan de perto.

Estrutura

Isso porque a estrutura do veículo, de mais de 12 metros de comprimento e quase 3 metros de altura, conta com uma parte de vidro.

Ela permite a observação dos procedimentos realizados pelos cientistas.

“A iniciativa vai permitir que as pessoas vejam os equipamentos e cientistas do Instituto em ação, aproximando ainda mais a ciência da população brasileira”, afirmou Eduardo Araújo, CEO da Loccus, parceira do Butantan no projeto.

O veículo, equipado com alta tecnologia, possui três sequenciadores genéticos.

E ainda: extrator de DNA, centrífuga, seladora, geladeira e freezer para armazenamento de amostras, entre outros.

O investimento total chegou a R$ 3 milhões.

 

Sequenciamento

Assim, o sequenciamento torna-se necessário porque os vírus sofrem mutações.

Ou seja, alterações em seus códigos genéticos, gerando variantes.

Portanto, para realizar o mapeamento das variantes necessita, em primeiro lugar, extrair o RNA da amostra coletada.

Em um segundo momento, essas moléculas passam por um processo de conversão para DNA.

E assim, posteriormente, multiplicam-se em diversas cópias que são inseridas no sequenciador.

Um computador libera os resultados e a análise é realizada por especialistas, conhecidos como bioinformatas.

Atualmente, o Instituto Butantan coordena a Rede de Alertas das Variantes do SARS-CoV-2 e recebe dados dos demais parceiros da rede: Hemocentro de Ribeirão Preto/FMRP-USP, FZEA-USP/Pirassununga.,

E ainda: Centro de Genômica Funcional ESALQ-USP/Piracicaba, Faculdade de Ciências Agrônomas UNESP/Botucatu, FAMERP São José do Rio Preto e Mendelics.

 

(*) Com informações do Instituto Butantan

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