Prédios

Vistorias analisam situação estrutural das edificações

Laudos técnicos devem ser apresentados regularmente para garantir segurança

03 de novembro de 2019 - 09:19

Ana Carol

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O desabamento recente do edifício Andrea, em Fortaleza (CE) – que deixou nove mortos – trouxe espanto e lembranças de outros prédios que desabaram ao longo dos anos.

Em Santos, por exemplo, na década de 1990, o prédio Moulin Rouge, situado no Gonzaga, desabou e matou quatro operários que dormiam no local da obra.

O prédio, no entanto, estava na fase final de obras e praticamente pronto para ser ocupado.

Em 1967, um desabamento na Rua Paraná, no bairro Campo Grande, não deixou vítimas.

No ano anterior, em São Vicente o edifício Vista Linda tombou e encostou no Morro dos Barbosas, também sem deixar vítimas fatais.

Esses são alguns dos casos que podem alertar em relação à segurança das edificações.

Fiscalização

A pasta responsável por averiguar os imóveis em Santos é a Secretaria de Infraestrutura e Edificações. Ela atua conforme a Lei Complementar 441/01.

Segundo a legislação, é obrigatória a apresentação de vistoria técnica pelos responsáveis ou proprietários dos imóveis, contendo a atual situação das estruturas.

Este parecer deve ser elaborado por um engenheiro ou arquiteto devidamente cadastrado na Prefeitura de Santos.

Posteriormente, cabe ao órgão municipal analisar o laudo técnico emitido.

Em caso de anomalias, elas devem ser detalhadas e o responsável pelo restabelecimento das condições estruturais e de estabilidade intimado.

Caso a conclusão do documento aponte para necessidade de restauração, os prazos para execução dos serviços precisam ser indicados e protocolados junto à Administração Municipal.

Além disso, o laudo pode determinar também que o imóvel seja demolido.

A lei impõe, ainda, multa de R$ 1.368,71 para quem não atender a intimação para entrega do laudo em 24 horas.

Confira, abaixo, o que diz a legislação para cada imóvel da Cidade.

 

Arte: Mala

Fator de risco

Acidentes podem ocorrer em maior probabilidade quando a ausência de manutenção é acompanhada de fatores naturais.

O engenheiro civil Marcos Storte, da Associação de Engenheiros e Arquitetos de Santos (AEAS), explica que a maresia contém cloreto de sódio.

Esta substância, assim como as chuvas, entra por meio de fissuras, trincas ou acabamentos inadequados.

Assim, afetando pilares, vigas e lajes das construções.

Santos possui 3.994 prédios atualmente, e parte deles é próxima ao mar. Aumentando, assim, a concentração e exposição à maresia.

Alguns sinais de danos a serem observados, segundo o engenheiro, surgem por meio de rachaduras; trincas; fissuras; concreto degradado; e também com umidade.

Storte aponta a carência de inspeção predial com um engenheiro especializado em patologia nas edificações como um dos possíveis fatores para quedas de edifícios, como em Fortaleza.

Outros incidentes

Além dos casos citados anteriormente, outros desabamentos chocaram o País nas últimas décadas.

No Rio de Janeiro, em 1998, o prédio Palace II desmoronou, deixando oito pessoas mortas e 150 famílias desabrigadas.

Dois dias após o incidente, a Prefeitura carioca decidiu implodir o prédio após constatar falhas estruturais.

Na Bahia, em 2010, um edifício em obras desabou sobre uma residência, ocasionando a morte de três pessoas.

Foi apurado que a construtora responsável não possuía alvará para execução da obra.

Duas crianças foram encontradas vivas sob os escombros.

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