Editorial
Humberto Challoub

Jornalista e Diretor de Redação do Jornal Boqnews. Diretor da Faculdade de Artes e Comunicação da Unisanta

A vez de Eduardo Cunha

Cumpriu-se assim mais uma importante etapa do processo de assepsia política, imprescindível para devolver ao País a credibilidade perdida

08 de maio de 2016 - 10:47

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Ao decidir, por unanimidade, pela suspensão do mandato do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB), atendendo a um pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o Supremo Tribunal Federal (STF) traduziu com fidelidade o desejo da grande maioria da população brasileira, que não deseja sua permanência à frente da presidência da Câmara diante das muitas acusações que o envolvem nos casos de corrupção revelados com detalhes pela Operação Lava a Jato. Cumpriu-se assim mais uma importante etapa do processo de assepsia política, imprescindível para devolver ao País a credibilidade perdida em razão do envolvimento de suas lideranças em atos ilícitos.

Mesmo que reconhecido o direito à ampla defesa e admitidas as manobras regimentais para o postergamento dos atos condenatórios, está evidenciado o desvio de conduta de Eduardo Cunha, especialmente pelos diversos elementos comprobatórios que atestam sua participação na apuração de dividendos provenientes de propinas e vantagens indevidas. Sabe-se também que ele não está sozinho nesse amplo cenário de maracutaias. Muitos outros deputados, senadores e integrantes da cúpula governamental têm igualmente que responder como acumularam riquezas e patrimônios sem a respectiva comprovação da origem dos recursos.

Devemos admitir que dignidade, altivez e honestidade são atributos que, infelizmente, há muito deixaram de constar nos dicionários de grande parte dos políticos brasileiros. Hoje são termos aludidos apenas nas retóricas hipócritas de conveniência promovidos por espetáculos midiáticos. O histórico de complacência com atos unilaterais de governos e a corrupção endêmica que afeta a política nacional tornaram difícil a crença sobre os reais propósitos contidos nas ações moralizadoras, especialmente diante do atual momento de decepção com as instituições públicas.

Porém, o descrédito não pode frustar as perspectivas de um o futuro melhor para o País que, sabe-se, deve dedicar maior atenção à educação, em todos os seus níveis, preparando as futuras gerações para entender a importância da participação política e assim escolher representantes qualificados e comprometidos com o bem comum. O Brasil pode e deve contrariar a tendência pessimista sublimando o estado democrático de direito, pois é isso, por certo, que todos desejam, independente da raça, credo ou religião. Espera-se, portanto, que o aprofundamento das investigações leve à punição de todos os culpados, sem exceção, sejam eles autoridades, filiados partidários ou personagens notórias que, em tese, deveriam ter conduta exemplar ao invés de atentar contra o Erário Público.