Academia contra a pobreza | Boqnews

Opiniões

22 DE DEZEMBRO DE 2021

Academia contra a pobreza

José Renato Nalini

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O indiano Abhijit Banerjee e sua mulher Esther Duflo, criaram um laboratório de Ação contra a Pobreza em 2003. Ambos são professores do famoso MIT – Instituto de Tecnologia de Massachussetts e sua proposta é criar estratégias de redução da pobreza.

Em virtude de seu trabalho, receberam o Nobel de Economia em 2019, juntamente com Michael Kremer. Uma das ideias que eles desenvolveram: colocar um dispensador de cloro junto ao local onde os humildes habitantes de aldeias hindus se abastecem de água.

O cloro evita a proliferação de bactérias e, com essa medida simples, protegeu-se a infância que, antes disso, era mais sujeita a comorbidades e até à morte.

Hoje, o laboratório já conta com 261 professores, espalhados em várias Universidades do mundo.

O relato da experiência está no livro “A Economia dos Pobres – Uma nova visão sobre a desigualdade”, publicado pela Zahar. E deveria inspirar as Universidades brasileiras.

A disseminação de cursos universitários no Brasil é uma realidade. E a Constituição é bastante explícita quanto aos pilares sobre os quais se assenta a educação de nível superior: ensino, pesquisa e extensão.

Do ensino, em geral dá-se conta. Pesquisa é algo mais raro. Extensão, quase nenhuma. Ora, por que não encarregar os universitários de relacionarem os problemas enfrentados pelos carentes, pelos despossuídos e criarem respostas simples para a resolução desses óbices?

A participação do estudante na eliminação de uma dificuldade, na facilitação da vida de quem já sofre por ser excluído do banquete do capitalismo selvagem, daria outro interesse e empenho ao aprendizado. Um dos pontos mais falhos da educação brasileira é a distância entre a teoria e a prática.

A escola nem sempre contempla a vida real. Permanece na tosca missão de fazer o aluno decorar informações, esquecida de que hoje, com a sociedade totalmente digitalizada, basta um clique para a obtenção de dados atualizados, com celeridade, segurança e garantia muito maiores do que a de uma postila.

O número de Faculdades existente no Brasil justifica uma atuação coordenada para mudar a face da sociedade tupiniquim, cuja miséria foi escancarada pela pandemia. Mais importante do que entregar diploma, é fazer com que o universitário tenha consciência das carências do povo sofrido, cuja elevada carga tributária sustenta toda a estrutura de ensino.

José Renato Nalini é reitor da Uniregistral, docente da pós-graduação da Uninove e presidente da Academia Paulista de Letras – 2021-2022

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