Meio Ambiente
Luiz Nascimento

Jornalista e professor universitário

Alimentos transgênicos podem causar danos à saúde e morte

Conforme levantamentos divulgados recentemente pela Imprensa, o Brasil ocupa o segundo lugar entre os países que mais cultivam variedades geneticamente modificadas de grãos e fibras no mundo

26 de maio de 2014 - 18:52

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Com a Revolução Industrial (1780 – 1840), o processo de produção deixa de ser artesanal para que as máquinas entrem em ritmo acelerado e o mundo passe a viver nova transição do capitalismo, da chamada política de mercado, de oferta e demanda que regulam as relações da economia. A indústria se desenvolve e cria novos produtos químicos e outros processamentos para a obtenção de metais. Como fonte de energia, a madeira é substituída pelo carvão, e a energia ganha novas dimensões de exploração e uso, apresentando um cenário que seria, naquele momento da história, de elevada eficiência. O vapor passa a ser a maior fonte energética.

Sem dúvida o novo conhecimento acumulado resultou no crescimento demográfico humano, a partir da diminuição nas taxas de mortalidade. Algumas nações que foram passando pelo processo da chamada “revolução industrial” se modernizam nas formas de lidar com a terra, começam a surgir outros processos de cultivo, elevando a produtividade. Produzir mais com menos terra e menos mão de obra, com o desenvolvimento de novas técnicas e equipamentos agrícolas, foram os principais objetivos. Só isso seria o suficiente, era o entendimento. É nesse ambiente que a fome no mundo começa a ser discutida através da teoria de Malthus.

Tomas Robert Malthus (1760-1840), economista e demógrafo inglês, defende uma tese, a primeira teoria a relacionar o crescimento humano da sociedade com a fome, afirmando a tendência do crescimento populacional em progressão geométrica, e do crescimento da oferta de alimentos em progressão aritmética.  Ou seja, Malthus acreditava que o crescimento demográfico iria ultrapassar a capacidade produtiva da terra gerando fome e miséria.

Então, para que isso não se tornasse realidade, ele sugeriu: redução da taxa de natalidade através da proibição de muitos filhos a casais jovens, em países pobres. Outra sugestão mais dura foi a do aumento dos preços de alimentos e redução de salários para forçar as populações mais carentes, e sem informações e a devida formação, a terem menos filhos.

Independentemente desse pensamento por lideranças, consciente ou inconscientemente, ao longo da história, outra alternativa para evitar a falta de alimentos, em relação ao crescimento da população, foi a de aumentar a produção oriunda da terra com mais tecnologia, e rapidamente.

Resumidamente, pode-se dizer que essa é uma visão de como chegamos à produção dos chamados transgênicos, cujas empresas detentoras de sua tecnologia buscam espalhar por todo o planeta.

Conforme levantamentos divulgados recentemente pela Imprensa, o Brasil ocupa o segundo lugar entre os países que mais cultivam variedades geneticamente modificadas de grãos e fibras no mundo. O País vem após os Estados Unidos. Os dados constam de relatório de 2009 do Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA, na sigla em inglês). Os veículos jornalísticos, como o G1 e o site Ambiente Brasil, também informaram que, em 2013, os produtores brasileiros cultivaram 40,3 milhões de hectares com soja, milho e algodão transgênicos, enquanto os Estados Unidos, país líder nesse plantio, semearam 70,2 milhões de hectares.

 

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Arte: Mala

Precaução necessária

Por conta dessa nova prática e, dentro do princípio da precaução, especialistas em vários países, incluindo o Brasil, vêm se debruçando em pesquisas e análises, e chegando a conclusões de suma importância, sob a ótica da saúde, social e ambiental.

Um desses pesquisadores é o professor Mohamed Habib, titular da UNICAMP, e atualmente professor de Pós-Graduação da UNISANTA. Ele é especialista em Agro-ecologia, Entomologia Aplicada, Educação Ambiental e Sustentabilidade.

Em contato com o professor e de forma consensual, foram transformados alguns trechos de um de seus textos em perguntas e respostas, como recurso para facilitar o entendimento, o que tornou possível as seguintes informações e conceitos:

Luiz Nascimento (LN) – A soja transgênica “Roundup Ready (RR)” é sustentável e responsável?

Professor Mohamed (PM) – Um produto agrícola para ser considerado como sustentável e responsável, obrigatoriamente, deve ser coerente com os princípios ecológicos de preservação à fauna e à flora, além de ser seguro para a saúde humana, economicamente viável e eticamente aceitável. No caso da soja transgênica, as pesquisas científicas confirmam toda a incompatibilidade e, até, o antagonismo com todos esses princípios. O impacto ambiental e a contaminação genética, em plantas nativas e cultivadas pelo gene da resistência, foi comprovado. Em experimentos laboratoriais, alterações histológicas e anomalias foram detectadas em animais alimentados com ração transgênica. Devido à resistência ao mesmo herbicida, desenvolvida pelas plantas consideradas daninhas e, portanto, ao fracasso da tecnologia, aumentou-se fortemente o uso de herbicidas, aumentando o custo da produção. Isso levou vários produtores a retornarem ao cultivo de soja convencional. Na abordagem ética, continua o debate sobre o direito de apropriar-se de seres vivos, criados pela natureza e não inventados pelo homem, a partir de alterações de um ou outro gene em organismos que contam com dezenas de milhares de genes em cada. Resumindo, a soja “RR” não conta com nenhuma base de sustentabilidade ou, mesmo, de responsabilidade.

LN – Quando começou a comercialização da soja transgênica?

PM – A soja transgênica foi comercializada pela primeira vez em 1996, nos Estados Unidos. Hoje, variedades de soja transgênicas RR dominam a produção de soja na América do Norte e na Argentina, e são amplamente cultivadas no Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia.

LN – Existem impactos de Glifosato em tecidos e órgãos de origem animal?

PM – Herbicidas à base de glifosato causam, comprovadamente, disfunções em animais de laboratório, portanto, com grande potencial de afetar a saúde humana. Esses efeitos foram observados em tecidos contendo níveis 800 vezes mais baixos do que os níveis de resíduos de glifosato permitidos em cultivos transgênicos usados para a produção de ração animal nos Estados Unidos. Danos ao DNA, incluindo células placentárias, foram detectados em tecidos humanos. Efeitos teratogênicos e alterações drásticas foram detectados no sistema reprodutor de aves e mamíferos.

LN – Há novos estudos sobre o glifosato?

PM – Em 2009, o cientista argentino, professor Andrés Carrasco, anunciou suas conclusões de que herbicidas à base de glifosato provocam malformações em embriões em anfíbios e aves, em doses muito mais baixas do que aquelas utilizadas em pulverização agrícola. As malformações eram similares àquelas vistas em crianças expostas a tais herbicidas.  Carrasco, em seu estudo, afirma que: “As descobertas no laboratório são compatíveis com malformações observadas em humanos expostos a glifosato durante a gestação”.

LN – Como acontece a modificação genética, na planta?

PM – A modificação genética não é uma extensão de melhoramento convencional de planta. Ela emprega técnicas laboratoriais para inserir, através de bombardeio, alguma parte de genes alheios dentro da planta hospedeira, um processo que nunca acontece na natureza.  O processo é impreciso e pode provocar mutações generalizadas, que podem afetar o funcionamento de centenas de genes, levando a efeitos imprevisíveis e potencialmente perigosos.

LN – Soja transgênica é segura para comer?

PM – Desde que a soja transgênica RR foi aprovada para a comercialização, estudos identificaram efeitos adversos em animais de laboratório alimentados com soja transgênica RR, os quais não foram observados em grupos de controle alimentados com soja não transgênica. Camundongos alimentados com ração à base de soja transgênica tiveram alterações celulares no fígado, pâncreas e testículos. Coelhos alimentados com soja transgênica mostraram distúrbios na função enzimática nos rins e coração. Fêmeas de ratos alimentadas com soja transgênica apresentaram alterações em seus úteros e ovários. As descobertas sugerem que a soja transgênica RR pode trazer sérios riscos à saúde humana. O fato de ter havido tais alterações nos animais alimentados com transgênicos contradiz a pressuposto do FDA, de que a soja transgênica é substancialmente equivalente à soja não transgênica.

LN – Soja transgênica tem produtividade maior?

PM – A afirmação de que cultivos transgênicos têm produtividade maior é repetida frequentemente pela mídia, sem qualquer crítica. Mas essa afirmação não é correta. A finalidade da transgenia, pelo menos até o momento, se restringe a desenvolver cultivares resistentes aos herbicidas, ou outros resistentes a pragas; duas finalidades totalmente diferentes de querer desenvolver cultivares de alta produtividade. Ainda, é para lembrar que adicionar, artificialmente, uma função biológica, a ser exercida pela planta, deveria consumir mais energia, portanto, reduzir o desempenho geral da planta e, conseqüentemente a sua produtividade. Em média, os cultivos transgênicos são 5% menos produtivos do que os convencionais. Vários estudos experimentais, com variedades de soja feitos por universidades, mostraram uma produtividade entre 6 e 10% mais baixa para soja transgênica RR, comparada com a soja não transgênica.

LN – Com a plantação da soja transgênica há a redução de agrotóxicos?

PM – Reduzir o uso dos agrotóxicos sempre foi o discurso das empresas produtoras e vendedoras de sementes transgênicas. Várias pesquisas realizadas nos Estados Unidos confirmaram o aumento de uso de agrotóxicos por força dos cultivos de transgênicos. Charles Benbrook publicou um relatório de 2009, utilizando dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e do National Agricultural Statistics Service do USDA (NASS). Benbrook constatou que, comparado com os agrotóxicos usados em cultivos convencionais, os agricultores aplicaram 318 milhões de libras a mais de venenos nos plantios de transgênicos, nos 13 primeiros anos de uso comercial. Em 2008, lavouras transgênicas necessitaram 26% mais agrotóxicos do que áreas plantadas com variedades não transgênicas.

LN – Como fica o plantio direto no contexto de transgenia?

PM – Frequentemente se argumenta que a soja transgênica RR é ambientalmente sustentável porque possibilita o uso de plantio direto, um método que evita aragem visando conservar o solo contra ações erosivas. No modelo de soja transgênica RR/plantio direto, a semente é plantada diretamente dentro do solo, e as ervas invasoras são controladas com aplicações do herbicida glifosato, durante o cultivo da soja. Após a colheita, neste caso, começa o problema. Para o plantio de trigo, a cultura da soja precisa ser eliminada no campo; para tal, aplica-se herbicida. No entanto, não pode ser à base de glifosato, por se tratar de soja resistente, exatamente, a esta molécula. Aí, usam-se outros herbicidas, contra os quais a soja não seja resistente. Analisando a quantidade de herbicidas, de mais de uma categoria, é possível imaginar o impacto negativo dessas substâncias tóxicas na biota do solo, seja microflora, ou mesmo microfauna.

Suicídio alimentar?

As empresas fabricantes de agrotóxicos argumentam que os transgênicos buscam atender a demanda por alimentos, diante do aumento da população humana. Por outro lado, as pesquisas científicas vêm revelando, cada vez mais, que, além de não contribuírem para o aumento na produção de alimento, essas plantas, geneticamente modificadas, causam mal à saúde e ao meio ambiente, além de propiciar lucro elevado a essas empresas, às custas da economia nacional.

Isso parece uma absurda inversão de valores e prioridades, além de desprezo por cuidados. Afinal, o alimento, como princípio básico, deve prover a vida e não destruí-la. As técnicas devem estar a serviço do homem e não dos interesses corporativos. A qualidade de vida, e principalmente a sobrevivência, estão acima das denominadas leis de mercado e de empresas, e o homem não pode continuar mantendo práticas e um sistema que pode estar matando a si próprio.

Histórico para conhecimento e reflexão

A seguir, alguns dados históricos, obtidos em textos e artigos publicados, sobre as principais empresas multinacionais que operam no mercado de sementes, agrotóxicos e fertilizantes químicos, que têm relações diretas com a produção de plantas geneticamente modificadas.

Monsanto:

Surge em 1901 com a produção de sacarina. Produz vários equipamentos para a 2ª Guerra Mundial; em 1945, entra no negócio dos agrotóxicos; em 1960 é uma das principais produtoras de agente laranja, herbicida com efeito desfolhante aplicado na guerra do Vietnam e que provocou sequelas brutais nos soldados e na população local; em 1964, lança o primeiro herbicida seletivo pré-emergência para a cultura do milho. A partir dos anos 90 comercializa produtos à base do hormônio de crescimento, os quais foram proibidos por lei no mundo inteiro.

Syngenta:

Surge apenas em 1999, mas resultou de uma fusão empresarial onde se destacava a Geigy, fundada em 1935 e que produzia inseticidas; em 1974, entrou no negócio das sementes.

Bayer:

Surge em 1863 como produtora de corantes e mais tarde dedica-se à indústria farmacêutica. Prestou serviços à Alemanha de produção de equipamentos necessários às duas guerras mundiais. Em 1956, Fritz Meer, depois de sete anos de prisão consequentes de colaboração em ensaios em seres humanos e tráfego de escravos provenientes de um campo de concentração em Aushwitz, foi nomeado presidente do conselho de supervisão da Bayer.

DuPont:

Iniciou em 1802 com a produção de pólvora. Produziu equipamentos para as duas guerras mundiais. Em 1943, participa no Manhattan Project e no desenvolvimento de uma bomba nuclear. Entre 1997 e 1999, comprou e absorveu a empresa Pioneer, uma das maiores empresas que atuava no mercado mundial de sementes (desde 1926), altura em que lançou o primeiro milho híbrido comercializado. Em 1960, lança o inseticida Lanate.

Limagrain:

Surge em 1942 com a produção e venda de sementes.

BASF:

Fundada em 1865, iniciou atividade com a produção de corantes. Em 1913, sintetizaram amónio pela primeira vez. Produziram diversos equipamentos para as duas guerras mundiais. Em 1949, lançam um novo negócio com o herbicida U46.

DOW:

Foi criada em 1897 com um negócio de venda de descolorantes e sais. Forneceu materiais diversos para as duas guerras mundiais. Nas primeiras duas décadas do século XX, assumiu-se como um dos maiores produtores de pesticidas; entre 1951 e 1975, desenvolveu armas nucleares; entre 1965 e 1969 forneceu napalm e agente laranja para a guerra do Vietname.

Potash Corp

O histórico da empresa remonta a 1975, quando o Governo de Saskatchewan, Canadá, decidiu nacionalizar e agrupar o negócio de um conjunto de empresas estratégicas, que operavam pelo menos desde 1950 na extração e venda de potássio e derivados. Em 1989, o grupo foi privatizado.

Yara

Fundada em 1905, 10 anos depois, durante a primeira guerra mundial, fornecia nitratos de cálcio e de amónio à Alemanha e aos Aliados.

OCP Group

Formada em 1920, em Marrocos, na extração e comercialização de fósforo e derivados.

 

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