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Vinicius Carlos Vieira

Saiu da faculdade de jornalismo e descobriu que não sabia fazer mais nada a não ser escrever sobre cinema. Resolveu virar crítico. Hoje, é editor e crítico do site Cinema Aqui (@cinemaqui), além de ser produtor do Nerd Cine Fest. No twitter pode ser encontrada no @vinicvieira

Assassin´s Creed

Adaptação da série de jogos de sucesso chega aos cinemas e mantém a máxima do gênero. Confira a crítica.

17 de janeiro de 2017 - 20:24

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bannerTinha tudo para ter sido dessa vez. Fasbender, Marion Cotillar, Jeremy Irons, um diretor que vinha de um filme interessante (Macbeth), uma produção com grana para gastar e, mais difícil que tudo, um jogo que poderia funcionar na telona. Tinha tudo para funcionar, mas não foi dessa vez que Assassin´s Creed se tornou a primeira adaptação de um game para os cinemas que deu certo.

Do jogo, o filme até que consegue levar para a tela grande parte de sua diversão (as cenas de ação são muito boas), assim como o visual que Justin Kurzel (diretor) e seu parceiro, Adam Arkapaw (diretor de fotografia), criam é bem acima da média. Mas o que vem por baixo dessa camada é um escorregão tão grande que faz ser difícil não provocar um ataque de riso.

E isso, por um erro simples: não perceber as necessidades da mídia. Em meio a imersão completa do jogo, segurando o controle, é fácil você relevar algumas bobagens de roteiro e trama. Bem verdade, os jogadores da série Assassin´s Creed sabem muito bem que em certo momento da experiência nada mais faz sentido e você está pouco se lixando para isso. Mas no cinema isso não é possível.

O visual incrível dos flashbacks, a recriação de época maravilhosa da Espanha em 1942 e até um monte de bons recursos visuais no presente não impedem que o espectador se pegue tentando entender o que realmente está acontecendo ali.

assassins-creed-destaqueDe cara, o que poderia ser um McGuffin (recurso usado só para mover a trama, sem precisar ser explicado), parece tomar importância demais e em cada camada descascada da tal “Maçã do Éden”, tudo faz menos sentido. Pior ainda, o roteiro ainda se apoia nela para discutir “fim da violência”, “livre arbítrio”, “código genético”, “linhagem de sangue” e mais um monte de besteiras que não condizem com, no final das contas, aquela bola de metal que solta uns raios lasers verdes.

É encontrar esse artefato que é o objetivo de uma sociedade de Templários, e é a partir de uma maquina esquisitona chamada Animus que eles conseguem colocar, em uma espécie de regressão, um condenado a morte chamado Callun Lynch (Fassbender), que na verdade é descendente de uma linhagem de Assassins, cujo um de seus ancestrais foi o último a ver a tal da “Maça do Éden”.

Os tais Assassins são um tipo de credo milenar que pela história sempre enfrentou os Templários enquanto defendiam e guardavam certos artefatos sagrados (ou algo do tipo). E o que importa é que só isso já bastaria para um filme movimentado, cheio de cenas de ação e até com a possibilidade de ser empolgante. Mas a vontade de ser mais do que o matérial se permite ser faz com que o filme se esborrache no chão depois de um dos famosos “Saltos de Fé” do jogo.

Confira a crítica de Assassin´s Creed no CinemAqui.