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Vinicius Carlos Vieira

Saiu da faculdade de jornalismo e descobriu que não sabia fazer mais nada a não ser escrever sobre cinema. Resolveu virar crítico. Hoje, é editor e crítico do site Cinema Aqui (@cinemaqui), além de ser produtor do Nerd Cine Fest. No twitter pode ser encontrada no @vinicvieira

Batman vs. Superman – A Origem da Justiça

Confira a crítica do encontro entre os dois maiores heróis das HQs

30 de março de 2016 - 11:36

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bannerA Warner/DC tinha a faca e o queija nas mãos. Superman e Batman são os dois maiores bastiões do mundo das HQs, e o cinema, mais do que nunca, se mostra refém da inspiração dentro desse gênero. Mas em algum lugar desse caminho, tudo deu errado, e Batman vs. Superman – A Origem da Justiça é o resultado disso.

O filme surge como continuação direta do pretensioso e mal aproveitado Homem de Aço, e diante da ameaça de ver a Marvel emplacar seu universo nas bilheterias, Batman vs. Superman é o retrato de uma Warner desesperada para manter-se na luta, e para isso nada melhor que trazer seu principal trunfo: o Batman.

O “cavaleiro das trevas” surge então como a personificação mais perfeita do fan service. Sua presença ali, como um observador de luxo, só serve para impedir Superman ter seu voo solo. Meia duzia de desculpas e um punhado de coadjuvantes tornariam o alterego de Bruce Wayne (e o próprio Bruce Wayne) desnecessário. Mas já que ele está lá, o melhor é aproveitar isso tudo.

Batman é então a melhor coisa do filme e Ben Affleck surge como a melhor encarnação do mesmo nos cinemas. Ainda que o personagem em si fuja um pouco daquele que os fãs estão acostumados a encontrar. Surge aqui um Batman violento, com quase (ou nenhuma) sutileza e que se mostra incapaz de escutar seu adversário por mais de cinco segundos antes de colocar em andamento seu plano fascista de impor sua vontade.

Mais do que uma distorção, talvez um retrato atual de uma geração que não se permite deixar que o outro lado da equação tenha uma visão diferente. Do outro lado da Baía que separa Gothan City de Metropolis, Superman (Henry Cavill) encara o problema do mesmo jeito, assim como Lex Luthor (Jesse Eisenberg). Três lados entrando em uma luta apenas pela tentativa de imporem seus pensamentos.

batman-vs-superman-destaqueE a trama escrita por Chris Terrio (que escreveu Argo) e David S. Goyer (de um monte de outras adaptações) não se resume a muito mais do que isso, já que o Superman do primeiro filme se tornou tanto um Deus, quanto uma ameaça. Uma trama que teria tudo para empurrar a trama do último filho de Krypton, mas que acaba se tornando rasa e sem emoção, já que em nenhum momento ela nem ao menos tenta se aprofundar nessa discussão, ao mesmo tempo que perde tempo demais se preocupando em criar o tal universo que tem incício com essa Origem da Justiça.

O filme então se torna refém de uma série enorme de referências e detalhes que parecem terem sido inseridos depois do filme pronto. Tem Flash, Aquaman e Ciborg, tem Darkeseid e um futro apocaliptico, tem Robin e mais um monte de easter eggs, tem até a Mulher Maravilha, mas tudo isso poderia ficar de lado em detrimento do filme daquele que acaba ficando pequeno dentro de sua própria continuação.

Um roteiro que ainda surge tão cheio de buracos que é difícil entender onde todo arco de Lois Lane (Amy Adams) se encaixa, ou acreditar que toda sequencia que dá nome ao filme acaba de modo tão anticlimático. Um queijo suíço que nem mesmo consegue fazer com que a grande batalha final tenha qualquer motivação que faça sentido (e muito menos tente entender o que Lois faz com a lança de Kryptonita). Mas pelo menos, todos esses escorregões são compensados pela esforço visual de Zack Snyder.

E ainda que Snyder continue sem entender que suas opções de cor que cabiam tão bem em Watchmen não fazem o menor sentido nem no mundo do Batman, e muito menos no do Superman, fazendo tudo ficar escuro além da conta (novamente), no resto do tempo Snyder tem uma megalomania que combina bastante com o gênero. Tudo em Batman vs Superman é grandioso, as sequencias de lutas são enormes, seus ângulos de câmera valorizam essa enormidade e sua mania de planos detalhes e slow motion são uma diversão visual à parte. E com isso em mãos, até mesmo ver novamente a morte dos pais de Batman é um deleite para os fãs.

De qualquer jeito, o que ficará para a posteridade, ainda que diante de alguns bons números nas bilheterias e do visual de Snyder (além do “Batffleck”!), é que Batman vs. Superman – A Origem da Justiça será lembrado por ser um filme muito aquém da importância desses dois ícones da cultura pop. Fica aqui a torcida para um futuro melhor do que aquele dos pesadelos do Batman.

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