Ponto de vista
Cenário preocupante
As projeções do cenário econômico para 2025, divulgadas nesta semana pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, traçaram um quadro preocupante diante das incertezas geradas pela desconfiança de que o Governo Federal, mais uma vez, não conseguirá cumprir as metas fiscais estabelecidas para o próximo exercício.
A previsão tomou como base a visão de que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública elevará ainda mais a taxa de juros para o patamar de 14% ao ano, com a projeção de uma inflação acumulada de 4,6%.
A insegurança, motivada pelas incertezas em relação aos comportamentos dos mercados no futuro, resultam na desvalorização da moeda brasileira com a consequente alta do dólar, na retração do consumo e no adiamento dos investimentos de médio e longo prazos, interrompendo assim a execução de projetos estruturantes.
Com isso, adia-se também a aplicação de recursos dirigidos a projetos sociais voltados à melhoria das condições de vida da população, especialmente das famílias mais pobres.
Com medidas incipientes, sem atributo moral para limitar as muitas benesses concedidas à elite do funcionalismo e refém de um Congresso interessado em participar da gastança, o Governo dá motivos e alimenta a descrença em relação a sua capacidade de equilibrar as contas públicas.
O aumento expressivo das despesas tira a capacidade de o País obter superávits primários e, assim, amplia cada vez mais o montante de juros pagos para rolagem de dívidas cada vez maiores.
A necessidade de cada vez obter recursos para a manutenção das administrações revela-se como o principal combustível para impulsionar processos inflacionários, cujas resultantes maléficas são muito conhecidas por várias gerações de brasileiros.
Lamenta-se, portanto, que ao invés de priorizar a destinação de recursos exclusivamente aos projetos sociais e de melhoria da infraestrutura produtiva nacional, o Governo opte por repetir erros conhecidos em passado recente.
O País já não mais necessita de salvadores da pátria ou planos econômicos mirabolantes, mas apenas o uso coerente e austero dos muitos impostos arrecadados da população.
Nesse sentido, torna-se imprescindível exigir das administrações públicas o estabelecimento – e fiel cumprimento – de políticas de austeridade que possibilitem a execução de planos de investimentos de longo prazo, desatrelados do risco de sofrer com as constantes interferências dos processos eleitorais e cartilhas partidárias.

Humberto Challoub é jornalista, diretor de redação do jornal Boqnews e do Grupo Enfoque de Comunicação