Estação X
Diego Corumba

Jornalista especializado em games

Conectados

Comprar um game hoje não depende apenas de ter videogame X ou Y. Uma das preocupações ao se adquirir um novo jogo é se ele tem a necessidade de estar conectado ou não na internet. Será que estamos ficando dependentes?

05 de dezembro de 2017 - 13:54

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Caros leitores, eu recentemente mudei de casa e primeiro, gostaria de pedir desculpas pela ausência de textos nas duas últimas semanas.

Em segundo lugar, quero lhes perguntar se alguém que leia aqui já mudou de residência?

Se não, é uma informação, se sim é uma partilha de sentimentos: a burocracia é terrível.

Não só sobre o imóvel ou do transtorno de ter tudo na sua vida sendo transportado em caixas etc.

Nessas duas últimas semanas, além de desfazer caixas, organizar as coisas, montar móveis e tudo que tinha direito, havia um aguardo que gerou complicações: internet.

Além da utilização normal para me comunicar e ver filmes/séries via Netflix (quem não, né?), consegui ligar meus videogames normalmente e vi algo absurdo que nunca reparei antes, não estando “na pele”: como somos totalmente dependentes da rede para usar nossas coisas.

Por exemplo, se você comprasse o jogo Call of Duty WWII hoje, um dos maiores games de tiro e a quinta maior franquia de entretenimento do mundo, sem internet você nem conseguiria jogar.

Não que ele seja exclusivamente online, mas a chave de ativação do jogo você só obtém via atualização.

Você ficaria olhando nos olhos da capa do game até uma luz chamada “técnicos da Vivo/Net” decidirem instalar a internet em sua casa.

 

Call of Duty WWII é um jogo da Segunda Guerra Mundial, mas apesar de ser de época traz recursos poderosos da nova geração. Foto: Divulgação

 

O mais novo jogo do Call of Duty é apenas um exemplo dos mais variados existentes para se aproveitar ao máximo seu game.

Continuando a falar das novidades, South Park: A Fenda que Abunda Força, o hilário jogo baseado no desenho animado é um dos RPGs mais comentados de 2017 e só é possível tê-lo com a dublagem em português caso o atualize também.

Não que a americana seja ruim ou que eu defenda games exclusivamente dublados (eu aprendi inglês com os videogames, como muita gente dos anos 90), mas para quem assistiu ao desenho animado e acompanhou o processo original é mais prazeroso, sabe?

É o mesmo que Os Cavaleiros do Zodíaco: Alma dos Soldados e Naruto Shippuden Ultimate Ninja Storm 4 (e a mesma briga por games do Dragon Ball que não vieram até hoje com a dublagem brasileira).

Eu estou citando aqui games que não têm obrigatoriedades online, pois os que possuem já deixam essa informação bem clara.

Destiny 2, Overwatch, Friday the 13th, Player’s Unknown Battlegrounds, Tom Clancy’s The Division entre outros são explícitos que, sem internet, não há jogo.

Apenas existe a opção Multiplayer Online.

Outros nem tanto, disponibilizando treinos e fases sem muita dificuldade sem estar conectado, deixando para o online todo o restante, como Tom Clancy’s Rainbow Six Siege e Star Wars Battlefront.

Eu sei da importância da internet e de tudo que ela tem a oferecer, mas sabe quando você observa um padrão e percebe que sem certo elemento sua limitação é gigantesca?

 

South Park: A Fenda que Abunda Força tem a mesma dublagem que a animação que passou muitos anos na MTV e na Comedy Central. Foto: Divulgação

 

Até mesmo Pokémon, qual jogo atualmente, suas novas versões Ultra Sun / Ultra Moon me fizeram deparar com esse fator.

Ele possui diversas opções via rede, mas o jogo principal não te obriga a momento algum estar conectado. P

orém, tive um revés.

Para quem me conhece isso nem espanta, mas preparo os que não sabem da minha capacidade para dizer que isso NÃO é uma “doença”: eu tenho todos os Pokémon que existem capturados, pois jogo desde a geração GameBoy Advanced (na verdade, desde antes, mas isso é outro detalhe para outra coluna).

Hoje na sétima geração, na terceira eu já me aventurava.

São 807 Pokémon e eu os tenho (capturados ou evoluídos um por um).

Porém, para eu passar eles de meu game anterior ao mais novo através do aplicativo para Nintendo 3DS, o Pokémon Bank, é obrigatório estar online.

Existem diversos fatores e utilidades, mas vou resumir a apenas uma palavra para não me prolongar: “desnecessário”.

Não me veja como inimigo da internet ou que não use e desfrute da rede, assumo que é uma das melhores criações humanas e isso abre um leque infinito de possibilidades.

Mas levo bem a sério quando lido com a palavra “dependência”.

Não gosto nem sigo minha vida no ponto de “depender” de algo.

E quando até mesmo o videogame te força neste sentido, começo a perceber que há algo errado.

Seria o mesmo de ter uma namorada ou namorado que, para estarem juntos, você tivesse de preencher uma condição específica obrigatoriamente.

Quando algo deixa de ser “opção” e começa a te cobrar, será que isso vale a pena?

Pokémon Bank, aplicativo para Nintendo 3DS, é um servidor online para guardar seus Pokémon de várias gerações, tendo o limite de até 3.000 monstros. Foto: Divulgação

 

Sou apaixonado por games e pelos aparelhos.

Vibro a cada lançamento, acompanho trailers e notícias pela internet, partilho essas coisas com quem lê essa coluna e sempre me vi envolvido nesse cenário (até mesmo quando estava na “Idade Média” da minha vida sem R$1 no bolso para comprar algo assim).

Mas confesso que essa postura das empresas fabricantes de jogos me desanima.

Não são todas, o número ainda é pequeno e restrito, porém você observa certos games vendendo milhões e obtendo lucros exorbitantes e além de querer continuar essa forma de trabalho, te prendem mais ainda ao sistema com o passar do tempo.

Não é teoria da conspiração, é como o mundo capitalista e o mercado funcionam.

“Time que está ganhando não se mexe”.

No final das contas, já estou com internet em casa e com todos meus games e videogames atualizados.

Porém, só depois disso poder respirar tranquilamente e dizer “agora sim posso jogar” me preocupa.

Ainda desejo um futuro informatizado e com mais opções de se viver.

Mas repare bem, digo OPÇÕES e não AMARRAS.

Os cabos de rede podem nos trazer felicidade, porém, essas mesmas amarras invisíveis nos laçam e nos fazem depender ainda mais do que utilizamos e podemos puxar dela.

Para mais informações, entre em contato pelo e-mail colunaestacaox@outlook.com ou adicione nas redes:

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