Corrupção, vaidade e incompetência | Boqnews

Ponto de vista

22 de agosto de 2024

Corrupção, vaidade e incompetência

Esses são três problemas sérios, quando se fala em funções públicas.
A corrupção é grave, na medida em que torna a vida das pessoas ainda mais difícil. O que é de direito é transformado em dívida, e o que não é, se torna ilícito.
A corrupção sempre tem dois personagens: o corrupto e o corruptor, mas também tem um terceiro: o que não pune, por conivência, desídia ou cumplicidade.
O fato é que as consequências da corrupção não aparecem no momento em que dois ou três desses personagens a consumam ou permitem.
Elas aparecem na falta de recursos públicos para segurança, saúde, educação e habitação, que resulta em violência, morte, ignorância e pobreza.
A corrupção pode ser de tal forma desumana no que resulta, que não é exagero caracterizá-la como crime hediondo.
Mesmo que nada a justifique, há quem se submeta à corrupção por desespero. Porém, em maior escala, há os que aceitam por má índole.
Para esses, de nada adianta terem altos salários, pois a diferença estará entre a conta do supermercado e a viagem internacional, o carro do ano, outro luxo, ou vaidade.
Ah, a vaidade!
O personagem de Al Pacino no filme “Advogado do Diabo” (EUA, 1997), no qual interpretou o próprio, afirmou, que ela é seu pecado favorito.
No âmbito público, normalmente ela está associada à arrogância e à ganância, sendo capaz de qualquer meio para atingir seus fins.
Seus métodos incluem solapar o trabalho dos outros, promover intrigas, disseminar mentiras e tramar armadilhas, até que atinja seus objetivos, mesmo que não tenha competência para tanto.
Estando no “topo”, usará de todos os recursos disponíveis para nele se manter, sem qualquer escrúpulo ou ética.
Os acertos dos outros serão seus. Seus erros serão de outrem. Humilhará e tolherá o desenvolvimento pessoal e profissional de quem estiver em sua esfera de poder, em nome de sua vaidade, e para ocultar sua incompetência.
Ah, a incompetência!
Consta que Napoleão Bonaparte classificava seus militares da seguinte forma: os inteligentes com iniciativa; os inteligentes sem iniciativa; os ignorantes sem iniciativa; e os ignorantes com iniciativa. Em algum momento ele se enquadrou em mais de uma dessas classes, até porque a natureza humana não prima pela constância e previsibilidade.
Ele desprezava os ignorantes com iniciativa, e não os queria em seus exércitos.
No entanto, eles sempre ocuparam funções-chaves ao longo da história, ora como instrumentos de dominação, a serviço de poderosos, ora como detentores de poder.
Eles são competentes no uso da violência física e psicológica, na criação de suas lendas, na hipocrisia e na perseguição a quem não se submeta à sua dominação.
Assim, são propositalmente ignorantes no respeito ao semelhante. Aliás, para eles o “semelhante” é apenas quem se submete ao seu jugo, ao seu monólogo.
Historicamente, ignorantes com iniciativa foram tiranos, ditadores apoiados por fanáticos, mercenários e oportunistas.
No entanto, alguns chegaram ao poder por meios democráticos, após o que promoveram suas reais intenções, inclusive relativizando a democracia. Quem os apoia seguramente deseja o mesmo.
Corrupção, vaidade e incompetência isoladamente já são grandes males.
Porém, quando reunidas e institucionalizadas, velada ou explicitamente, por quem as pratica, geram a decadência de nações.
Elas podem até se valer de cultura e inteligência, mas sempre lhes faltará sabedoria.
Exemplos não têm faltado, infelizmente.
Adilson Luiz Gonçalves é escritor, engenheiro, pesquisador universitário e membro da Academia Santista de Letras
Adilson Luiz Gonçalves
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