“- Nossa, que cheiro horrível!
– Deve vir do Porto, dos armazéns de farelos próximos dos bairros da Cidade!
– E esse trânsito caótico de caminhões? Eles não deveriam estar em área portuária?
– Não consigo chegar em casa!”
O diálogo acima vem sendo recorrente entre os santistas e expõe a relação pouco harmoniosa entre o cais e a cidade de Santos. Há muito se fala no tema Porto-Cidade, mas, nos últimos anos, com a instalação de vários terminais portuários no Município, essa convivência precisa ser melhor discutida pela sociedade.
O Porto de Santos bate sucessivos recordes no comércio exterior com operações de milhões de toneladas de carga. E, com sua capacidade de operação aquém do seu potencial, ainda vai receber muito mais investimentos. O Porto precisa ter, por exemplo, mais profundidade para abrigar mais navios e cargas.
Descompasso
Além disso, pelo menos nove terminais devem ser arrendados em breve. Isso amplia de imediato em quase 40% a capacidade portuária. Soma-se a isso, a expansão das instalações do atuais terminais. Quer dizer, o Porto cresce diariamente, mas a Cidade, a maior beneficiária e prejudicada ao mesmo tempo, não participa desse processo.
Sabe-se que nenhum dos dois pode crescer sozinho e o desenvolvimento portuário só ocorrerá significativamente quando for acompanhado do progresso do Município.
Em Santos, porém, há um descompasso econômico. A Prefeitura tenta, há 30 anos, cobrar o IPTU das áreas portuárias sem sucesso. A alegação das empresas para a recusa do pagamento do tributo é que os imóveis portuários pertecem à União e, portanto, não precisam recolher o imposto.
Simultaneamente, a saturação dos terminais do Porto impacta negativamente na Cidade e contribui para piorar as condições de trânsito na zona central e de bairros próximos da área portuária, com reflexos em todo o Município, provocando também danos ambientais, sociais e econômicos.
Reflexos
E os prejuízos não são poucos. O santista tem que enfrentar engarrafamentos de veículos pesados do Porto que circulam pelas ruas da Cidade, bem como a movimentação de contêineres vazios em caminhões que estacionam irregularmente em diversos bairros do Município. Isso sem falar da emissão de poluentes do ar, oriundos dos armazéns de grãos, que se espalham por vários locais.
O túnel ligando as margens de Santos e Guarujá e o mergulhão – passagem rodoviária subterrânea que eliminará definitivamente o conflito rodoferroviário no cais do Saboó e na entrada da Cidade – são as principais intervenções para garantir maior mobilidade urbana e revitalizar as áreas portuárias santistas.
Ocorre que essa parceria Porto-Cidade somente dará resultados quando o Governo Federal priorizar essas obras tão esperadas, para que, enfim, passem a fazer parte da vida dos santistas, transformando Santos em uma cidade moderna, ágil e com um novo padrão urbanístico.
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