Dilema a enfrentar | Boqnews

Ponto de vista

Dilema a enfrentar
Ao surpreender a comunidade internacional com a posição de não assinar o acordo de combate ao desmatamento apresentado durante a Cúpula do Clima, realizada esta semana em Nova York, por ser detentor da maior floresta tropical do mundo, o Brasil ressaltou um dilema a ser enfrentado pelos futuros governos: como sinalizar um compromisso de reduzir de forma significativa a emissão de gases que acentuam o efeito estufa sem que isso afete o processo de crescimento do País, que vive a expectativa de viver nas próximas décadas um de seus períodos mais promissores em razão da exploração do pré-sal? É clara a premente necessidade de refeitura dos conceitos utilizados para a expansão dos processos de produção industrial, especialmente os que se utilizam de bases energéticas derivadas da queima de petróleo e minerais, o que obriga a formulação de novas políticas de desenvolvimento econômico, sem as quais se configuram consequências danosas e imprevisíveis para o futuro da vida no planeta. Nesse sentido, mais do que apenas subscrever um plano de intenções visando a redução das emissões de gases poluidores, o País necessita, mais do que nunca, definir políticas claras e duradoras para a substituição gradativa das bases energéticas responsáveis pela degeneração da natureza. E talvez aí resida a maior contradição a ser enfrentada, uma vez que ainda são muitas as dúvidas para se saber se a riqueza proporcionada pelas imensas reservas petrolíferas encontradas nas camadas de pré-sal litorâneas compensará os danos ao meio ambiente produzidos pela futura queima do óleo e gás oriundos dessas jazidas. É sabido que as mudanças necessárias para evitar o aquecimento global não poderão ser feitas de forma imediata, tendo em vista o estágio primário das tecnologias para a produção de energias limpas e renováveis e as consequências sociais advindas de possíveis interrupções das grandes cadeias produtivas sustentadas em fontes poluidoras. Porém, torna-se urgente a adoção de políticas de incentivo que priorizem e incentivem o desenvolvimento de métodos limpos de produção, aliados a um maior rigor na fiscalização e punição dos crimes ambientais. Medidas dessa natureza terão pouca serventia se não forem acompanhadas de ações educativas voltadas a propagar e fixar uma nova consciência ambiental às futuras gerações, que podem e devem contribuir com práticas cidadãs voltadas a impedir a degradação do ambiente em que eles próprios terão que viver. Mais do que retórica, é de se esperar que os governantes brasileiros assumam perante as outras nações uma posição coerente e um plano de metas factível para evitar o descrédito e a banalização de um tema de extrema relevância e de interesse de todos, sem exceção. Desenvolvimento com sustentabilidade é a única saída possível para recuperar e preservar a saúde do planeta, um ato de inteligência que, já no momento presente, poderá resultar em ganhos econômicos e sociais.
28 de setembro de 2014

Dilema a enfrentar

Ao surpreender a comunidade internacional com a posição de não assinar o acordo de combate ao desmatamento apresentado durante a Cúpula do Clima, realizada esta semana em Nova York, por ser detentor da maior floresta tropical do mundo, o Brasil ressaltou um dilema a ser enfrentado pelos futuros governos: como sinalizar um compromisso de reduzir de forma significativa a emissão de gases que acentuam o efeito estufa sem que isso afete o processo de crescimento do País, que vive a expectativa de viver nas próximas décadas um de seus períodos mais promissores em razão da exploração do pré-sal?

É clara a premente necessidade de refeitura dos conceitos utilizados para a expansão dos processos de produção industrial, especialmente os que se utilizam de bases energéticas derivadas da queima de petróleo e minerais, o que obriga a formulação de novas políticas de desenvolvimento econômico, sem as quais se configuram consequências danosas e imprevisíveis para o futuro da vida no planeta.

Nesse sentido, mais do que apenas subscrever um plano de intenções visando a redução das emissões de gases poluidores, o País necessita, mais do que nunca, definir políticas claras e duradoras para a substituição gradativa das bases energéticas responsáveis pela degeneração da natureza.

E talvez aí resida a maior contradição a ser enfrentada, uma vez que ainda são muitas as dúvidas para se saber se a riqueza proporcionada pelas imensas reservas petrolíferas encontradas nas camadas de pré-sal litorâneas compensará os danos ao meio ambiente produzidos pela futura queima do óleo e gás oriundos dessas jazidas.

É sabido que as mudanças necessárias para evitar o aquecimento global não poderão ser feitas de forma imediata, tendo em vista o estágio primário das tecnologias para a produção de energias limpas e renováveis e as consequências sociais advindas de possíveis interrupções das grandes cadeias produtivas sustentadas em fontes poluidoras.

Porém, torna-se urgente a adoção de políticas de incentivo que priorizem e incentivem o desenvolvimento de métodos limpos de produção, aliados a um maior rigor na fiscalização e punição dos crimes ambientais.
Medidas dessa natureza terão pouca serventia se não forem acompanhadas de ações educativas voltadas a propagar e fixar uma nova consciência ambiental às futuras gerações, que podem e devem contribuir com práticas cidadãs voltadas a impedir a degradação do ambiente em que eles próprios terão que viver.

Mais do que retórica, é de se esperar que os governantes brasileiros assumam perante as outras nações uma posição coerente e um plano de metas factível para evitar o descrédito e a banalização de um tema de extrema relevância e de interesse de todos, sem exceção.

Desenvolvimento com sustentabilidade é a única saída possível para recuperar e preservar a saúde do planeta, um ato de inteligência que, já no momento presente, poderá resultar em ganhos econômicos e sociais.

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