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Vinicius Carlos Vieira

Saiu da faculdade de jornalismo e descobriu que não sabia fazer mais nada a não ser escrever sobre cinema. Resolveu virar crítico. Hoje, é editor e crítico do site Cinema Aqui (@cinemaqui), além de ser produtor do Nerd Cine Fest. No twitter pode ser encontrada no @vinicvieira

Doutor Estranho

Novo filme da Marvel inova no visual e acerta mais uma vez. Confira a crítica.

10 de novembro de 2016 - 02:16

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bannerE a Marvel conseguiu mais uma vez. Depois de oito anos e 13 filmes, a Marvel inova mais uma vez com Doutor Estranho, cria algo único e abre espaço para ainda mais histórias no futuro dos personagens.

A inovação vem principalmente do visual incrível. Algo diferente, psicodélico e inteligente, que faz do cinema uma tela em branco pronta para ser pintada. E isso ainda só ganha com um roteiro que acerta na mão, empolga e tem a coragem de criar um personagem que talvez seja um dos mais complexos do universo da Marvel.

Doutor Estranho conta a história dessa estrela da neurocirurgia, o médico Stephen Strange (Cumberbatch), um cara irritante e com uma empáfia que faz Tony Stark soar simpático. Mas essa personalidade toda se quebra quando ele sofre um terrível acidente de carro e praticamente perde o movimento das mãos, o que o faz então começar uma caçada desesperada para se curar.

Essa busca acaba levando-o ao Himalaia, e lá a descoberta de que existem muito mais coisas por trás de todos tecidos da realidade (ou na verdade, “realidades”). E esse conhecimento vem com a responsabilidade de impedir o vilão Kaecillius (Mads Milkensen) em busca de um feitiço proibido que pode levar o planeta (e, novamente, a realidade) ao seu fim.

E falar tanto em realidade não é um exagero, já que o principal objetivo de Doutor Estranho é, justamente, remodelar, brincar e passear por essa realidade como se ela não tivesse limites.

doutor-estranhoA outra grande estrela do filme (além do visual e do roteiro extremamente acertado), é com certeza o personagem principal. Não só pelo sempre magnético do ator britânico, mas também pelo acerto de criarem alguém que vai além da trama e que nem por um minuto se permite ter o maniqueísmo usual dos super-heróis. Strange é um protagonista trágico, que erra, tem raiva, não sabe lidar com sua dor e só aos poucos vai entendendo sua verdadeira responsabilidade. Doutor Estranho mostra alguém que muda e melhora sob a visão do espectador e se tornar, ai sim, aquele herói que todos esperam.

E com tudo isso e mãos, todo esse material acertado, o diretor Scott Derrickson ainda consegue fazer um filme divertido, com cenas de ação interessantíssimas e que vão beber em Matrix, A Origem e até naquelas escadas que parecem não ter fim, pintadas por Maurits Cornelis Escher. Enfim, tudo entrelaçado pela falta de gravidade e por boas sequências de luta, fora ainda uma batalha final inteligente e inesperada (sem contar muito bem humorada).

Doutor Estranho é esse divertimento fácil, com um elenco incrível e com um visual que nunca tinha sido visto. Mais uma vez a Marvel junta tudo isso, acerta e mostra que não deve estar nem perto de escorregar.

Críticas desse e de outros filmes você pode encontrar no CinemAqui