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Vinicius Carlos Vieira

Saiu da faculdade de jornalismo e descobriu que não sabia fazer mais nada a não ser escrever sobre cinema. Resolveu virar crítico. Hoje, é editor e crítico do site Cinema Aqui (@cinemaqui), além de ser produtor do Nerd Cine Fest. No twitter pode ser encontrada no @vinicvieira

Estrelas Além do Tempo

Indicado ao Oscar conquista pela história desconhecida e cheia de motivação. Confira a crítica.

09 de fevereiro de 2017 - 03:04

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bannerEstrelas Além do Tempo talvez faça parte de uma nova tendência de Hollywood de tentar exorcizar um passado recente demais dos Estados Unidos onde a discriminação racial não se escondia por trás de nada. Mas o filme dirigido por Theodore Melfi ainda vai mais longe, já que mostra o quanto essas mulheres negras ajudaram o país a dar uma surra na “Mãe Rússia”.

O filme conta, justamente, a história dessas três mulheres que trabalham na NASA como uma espécie de calculadoras, mas que, cada uma a seu jeito, vão além disso e conseguem colocar seus nomes na história da Agência Espacial Americana.

As três são vividas por Taraji P. Henson, Octavia Spencer e pala cantora Janelle Monáe. E ainda que apenas Spencer esteja acima da curva, o trio é simpático e esforçado o suficiente para para conquistar o público. Espectadores que logo se aproximam delas, torcem e acompanham suas realizações, suas pequenas histórias e dificuldades. Mas tudo isso sem o melodrama exagerado em que o filme poderia cai. A ideia aqui é muito mais motivacional e leve.

Uns desprendimento que não se permite ser escapista por pouco, já que não parece muito preocupado em olhar para esse conflito racial além das cercas da NASA. E isso só funciona, pois dentro da Agência o filme faz questão de tocar nesses assuntos e discutir tudo isso de modo pertinente, ainda que nunca profundo.

E essa “NASA Branca” chega por meio da presença dos personagens de Kevin Costner, Jim Parson e Kristen Dunst, que completam um elenco bem acima da média e que ajuda o filme a alçar voos maiores. Costner se deixa ir no piloto automático, enquanto Parson se mostra comum e sem vida, principalmente diante de seu trabalho caricatural na série Big Banda Theory. Destaque apenas para Dunst, muito mais madura e com a sensibilidade para criar uma megera racista sutil, que contracena na maioria do tempo com Octavia Spencer e deixa bem claro que injustamente é Spencer que está sendo lembrada pelas premiações do ano, onde na verdade era Dunst que merecia muito mais.

De qualquer jeito, Estrelas Além do Tempo pode não ser incrível, mas tem absolutamente tudo que seu público quer, o “baseado em fatos reais de uma América racista”, um grupo de personagens vencendo o racismo ao melhor estilo “underdog” e tudo isso para ajuda os Estados Unidos a dar uma surra na “foice e no martelo” da União Soviética. Mais yankee moderno impossível.

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