Editorial
Humberto Challoub

Jornalista e Diretor de Redação do Jornal Boqnews. Diretor da Faculdade de Artes e Comunicação da Unisanta

Evitar o fracasso olímpico

O Brasil não pode desperdiçar a chance singular de demonstrar sua capacidade de assumir e cumprir compromissos, com qualidade e eficiência

26 de junho de 2016 - 08:00

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Maculado pelas sucessivas ocorrências de crimes, problemas ambientais e pelo expressivo déficit financeiro que atinge serviços essenciais e setores fundamentais da atividade pública, o Rio de Janeiro terá pela frente o grande desafio de recuperar a desgastada imagem do País durante a realização dos Jogos Olímpicos, que serão iniciados oficialmente a partir de 5 de agosto. É sabido que, mais do que sintetizar o ápice das disputas esportivas mundiais, o evento representa uma oportunidade única para o Brasil reafirmando sua condição de liderança e importância no cenário internacional, revelando capacidade organizacional e competência para alcançar objetivos maiores, que vão muito além de simplesmente atender as demandas esportivas. E é nesse contexto onde reside a maior preocupação e temor de que a almejada Olimpíada, a primeira em território sulamericano, resulte em um fragoroso fracasso aos olhos dos brasileiros e dos milhares de telespectadores espalhados pelo mundo.

Diante da ampla cobertura midiática habitualmente dispensada aos eventos olímpicos, o Brasil não pode desperdiçar a chance singular de demonstrar sua capacidade de assumir e cumprir compromissos, com qualidade e eficiência. Havemos de reconhecer que a China e a Inglaterra, os dois últimos países realizadores dos Jogos, planejaram em longo prazo, investiram generosos recursos na formação humana e, por isso, puderam ser aclamados como os grandes vitoriosos na conquista de seus objetivos. Por certo, a partir daí, novos conceitos foram estabelecidos e os excelentes resultados desse esforço foram colhidos em um mercado global cada vez mais aberto, exigente e conhecedor do aproveitamento das boas oportunidades.

Ao mesmo tempo em que a fórmula de sucesso utilizada por essas nações pode orientar as pretensões brasileiras, ela inegavelmente suscita a desconfiança em nossa real capacidade de cumprir a contento todas as etapas necessárias para realizar um evento de tamanha dimensão. Especialmente em se tratando de um País que ainda tem por obrigação priorizar recursos no atendimento a enormes demandas sociais. Mais do que a construção de estádios e a implementação das infraestruturas de logística e transporte, a realização de uma Olimpíada impõe planejamento na formação e mobilização de novas gerações de brasileiros, capazes de demonstrar ao mundo soluções de sucesso para a obtenção de dividendos futuros. Um objetivo, convenhamos, muito difícil de ser conquistado diante do perfil conhecido de nossos governantes.

Um esforço de tal magnitude terá pouco valor se for direcionado apenas para o cumprimento de metas superficiais, desprezando o legado de prosperidade que uma olimpíada é capaz de deixar às nações que a realizam. Os exemplos de outros países que sediaram os Jogos servem como boa lição, a ser apreendida e aprimorada para reverter o sentimento pessimista que hoje é compartilhado pela maioria da população.