Estação X
Diego Corumba

Jornalista especializado em games

Jogo do Ano

A cada novo lançamento e inovação no mundo dos games, é instruído que aquele jogo será o "GOTY" (Game of the Year), mais popularmente chamado aqui de "Jogo do Ano". Mas o que faz um game, entre centenas, algo que mereça destaque?

10 de abril de 2017 - 14:10

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A cada lançamento de sucesso no mundo dos games, é discutido sobre aquele ser o melhor lançado em determinado ano. A cada 365 dias são lançados centenas de jogos, para todas as plataformas possíveis e com as ideias mais variadas apresentadas no mercado. Desde um simulador de cabras (Goat Simulator) até jogos como os aclamados Horizon Zero Dawn e The Legend of Zelda: Breath of the Wild.

Alguns, você já presume que serão descartados sem ao menos um voto pela “D.I.C.E. Awards” (Design, Innovate, Communicate, Entertain), outros recebem tantas recomendações que entram para sempre no hall dos melhores jogos de todos os tempos. Mas afinal de contas, o que torna um game especial no meio de milhares? Como destacar algo que pode ser comparado e relacionado a muitos outros?

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 Overwatch, game de tiro da Blizzard, foi o vencedor da edição de 2016 e até hoje faz sucesso entre os jogadores

Para compreender melhor a premiação, tem de entender que nem sempre ela fez parte do universo dos games. A primeira menção a um videogame na história foi em 1947, com um dispositivo simulador de mísseis acertando alvos. Com o desenvolvimento de ideias e projetos tecnológicos, em 1971 é lançado a primeira máquina que reproduziria games para as pessoas em modo comercial, com o arcade Spacewar!

 Até 1997, primeiro ano que foi criada esta premiação, se passaram 26 anos. O primeiro vencedor foi GoldenEye 007, para Nintendo 64, clássico simulador de tiro do espião mais famoso do mundo e até hoje valorizam games que trazem algo de especial e diferente ao mercado, que adicione pontos incríveis em sua área.

Só para citar alguns exemplos, passamos por The Legend of Zelda: Ocarina of Time (1998), Halo: Combat Evolved (2001), Call of Duty (2003), God of War (2005), Uncharted 2: Among Thieves (2009), The Last of Us (2013) e o último vencedor da lista, Overwatch (2016).

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 Halo: Combat Evolved foi o responsável por levar o nome Xbox de desconhecido a uma das plataformas mais conceituadas atualmente. 

Poderia citar como GoldenEye 007, que com um time inexperiente e muita garra criaram uma imagem de que games de tiro em primeira pessoa eram viáveis em consoles de mesa (desprendendo da imagem de Doom, para PC), citar The Legend of Zelda: Ocarina of Time, que com um enredo profundo, viagens no tempo, desafios que deixavam o jogador motivado a vencer e uma aventura épica tornou os games de mundo aberto e até de tiro um passo à frente.

Posso citar também Halo: Combat Evolved, que desenvolveu um enredo que mistura religião, alienígenas, ficção científica e guerra de forma incomparável na geração Xbox, assim como Uncharted 2: Among Thieves, dito como uma cópia de Tomb Raider e mostrou uma eficiência sem tamanho ao levar Nathan Drake, um dos maiores ladrões do mundo dos games, ao redor do mundo atrás de relíquias históricas com um roteiro e jogabilidade incomparáveis. Até o mais atual, Overwatch, ganhou o prêmio sendo um jogo de tiro que funciona apenas online, com personagens carismáticos e facilidade de acesso aos gamers, ganhou uma parcela gigantesca de fãs e fez o game continuar em alta até os dias de hoje (figurando no 40º lugar de vendas semanais em todo o mundo, de acordo com a última pesquisa de VgChartz).

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 Nathan Drake teve de participar de dois jogos para provar o seu valor e sair da sombra de Lara Croft.

Todos estes games tiveram algo a apresentar e mudar no cenário dos consoles ou computadores. Não foram ideias jogadas ao vento, ou utilizadas de forma pífia. Foi o trabalho de diversos profissionais, comprometidos com o mundo dos games e que respeitam os jogadores que foram responsáveis pela criação deste material. Temos algumas empresas que parecem querer tomar nosso dinheiro nos empurrando jogo toda hora com qualidade duvidosa e materiais questionáveis? Sim, tem. Por outro lado, tem companhias que trabalham por anos, criando materiais espetaculares para quem deseja se aprofundar mais neste universo digital.

No ano passado, a academia entrou em um escândalo por ter premiado Overwatch. De um lado, a produtora Blizzard, que demorou anos com esforço e dedicação para lançar um jogo e entregou um dos mais divertidos da nova geração. Do outro, jogadores possessos por terem entregado o prêmio para um game que é apenas multiplayer online. Independente da opinião, acredito que há um consenso de que não há restrições que proíbam o jogo X ou Y vencerem o troféu. Porém, ainda é discutido este tópico com ataques ao game, à sua reputação e a todo mercado.

Como jogador, fico preocupado com a premiação este ano. Não por acreditar que o sistema da D.I.C.E., organizadora do evento, seja injusto e ineficaz. Mas pelos jogadores que tem o poder de opinar sobre aquilo que desconhecem o trabalho árduo das empresas para entregar o melhor em suas mãos. Fazer “valer o dinheiro pago”, sabe? Por exemplo, de que adianta você comprar hoje um “Battlefield 1” hoje, por R$250,00 e saber que terá de comprar ainda pacotes de expansões, armas, DLCs…enquanto Overwatch você paga os mesmos R$250,00 e tem tudo isso gratuitamente. Sem dar R$1,00 a mais. GTA V, Titanfall 2 e Halo 5: Guardians partilham deste mesmo pensamento.

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Titanfall 2 possui todos seus pacotes de expansão e DLCs gratuitas para quem quiser material extra do que é oferecido do jogo.

 Não querendo promover uma disputa entre os dois, concordo que nem haja, mas entendem o ponto disso tudo? O “jogo do ano” traz inovação, algo que se distingue no mercado e cria ambientes novos para que outros desenvolvedores possam se inspirar. Tanto que ainda na época de Overwatch tivemos o Battleborn (infelizmente não tão bem aclamado, mas não é descartável).

Neste ano, enfrentaremos outro páreo para este cenário. Enquanto há discussões aqui e ali, não há dúvidas de que dois jogos vão estar entre os competidores ao prêmio: The Legend of Zelda: Breath of the Wild e Horizon Zero Dawn. O primeiro marca o retorno da franquia após seis anos sem nada para os consoles de mesa com mecânicas eficientes, enredo envolvente e com uma obra de arte visual em desenho. Do outro, Horizon Zero Dawn, que é uma das mais novas e poderosas franquias da Sony, conquistando milhões de peças vendidas e quebrando os recordes de muitos outros games exclusivos anteriores no PlayStation 4.

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Horizon Zero Dawn está entre os mais aclamados de 2017 para receber o prêmio.

Independente do jogo que ganhe (quer apostar suas fichas? Basta me chamar que já tenho meus palpites), é importante ressaltar que isso não significa que os outros jogos não são merecedores ou que a premiação é “injusta”. Cada jogo tem seu charme, tem seu ponto que mostra a realidade de outra forma e que ajuda tanto a indústria quanto aos jogadores a crescerem e se desenvolverem por ele. O Jogo do Ano é entregue para aquele que nos tira da zona do conforto e mesmice e revoluciona nossas ideias e traz à tona aquela vontade de jogar videogame como nunca antes.

Ainda lançarão games este ano, ainda podem haver surpresas que não citei acima (Resident Evil VII, por exemplo, não acredito que faça por menos que ambos os comentados), ideias que não foram analisadas por especialistas e jogadores…apenas esperando pelo melhor momento para aparecer. E, independente do vencedor, podemos apenas pegar o controle e jogar ambos.