Memória Santista
Sergio Willians

É jornalista e escritor, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Santos e da Academia Santista de Letras. Também é membro correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.

Jogos Abertos I

Sérgio Willians lembra quando a Cidade de Santos venceu pela primeira vez os jogos abertos do interior em 1940

10 de dezembro de 2015 - 08:00

Compartilhe

São Carlos, outubro de 1940. A festa esportiva travada por algumas cidades do interior paulista e um “intruso mineiro”, Uberlândia, ganhava corpo naquele ano sacudido pelas tristes notícias que chegavam de uma Europa mergulhada nos horrores da 2ª Grande Guerra Mundial. A competição, inicialmente rotulada de “Campeonato Aberto do Interior”, reuniu na sua primeira edição, em 1936, na cidade de Monte Alto, seis competidores (Uberlândia, Franca, Mirassol, Monte Alto, Olímpia e Piracicaba), que disputaram apenas a modalidade “bola ao cesto”, hoje chamada de basquete.

Criada pelas mãos e mente de um ex-atleta, Horácio “Baby” Barioni, outras modalidades foram incorporando à competição nos anos seguintes (natação, pedestrianismo e tênis), assim como novas cidades davam início às suas participações, como Santos, que disputava pela primeira vez os “Jogos” em 1939, em Campinas, no mesmo ano em que ocorria a oficialização do evento esportivo pelo Governo do Estado de São Paulo. Santos levou uma delegação de atletas formada nas principais agremiações esportivas da cidade praiana. E fez bonito, arrematando o vice-campeonato do certame geral.

A empolgação pela participação nos “Jogos” fez com que a cidade “investisse” mais no ano seguinte, 1940, para a 5ª edição, que seria disputada em São Carlos, com a participação recorde de 21 cidades. As novidades entre as modalidades eram o atletismo (e não apenas o pedestrianismo) e o tiro ao alvo. Os santistas preencheram todas as vagas possíveis.

Os atletas de Santos chegaram em um dia de forte chuva na cidade interiorana, recepcionados pelo prefeito local e organizadores dos Jogos. A primeira disputa aconteceu no basquete, com o time santista enfrentando Bauru, vencendo-os por 35 x 15. Os atletas santistas depois derrotariam os favoritos do bola ao cesto, a equipe de São Carlos, por 46 x 28 e, na sequência, a forte equipe de Ribeirão Preto, por 56 x 27, e a de Piracicaba, pelo apertado 19 x 14. Infelizmente, na final, a equipe praiana foi derrotada por Guaratinguetá, por 19 x 13, e ficou com o vice na modalidade.

No tiro, Santos fez bonito e levou o segundo lugar no geral, com 713 pontos, ficando atrás somente da cidade-sede. No tênis, Santos ficou em 3º, atrás de Campinas e Ribeirão Preto. Mas foi no atletismo e na natação que os santistas deram um show, conquistando a primeira colocação nas duas modalidades, de forma avassaladora. Com 10 pontos, Santos ficou a quatro pontos do segundo colocado no atletismo. E na natação, a distância foi de 13 pontos de diferença, um verdadeiro banho nos adversários.

No quadro geral, Santos somou 33 pontos, contra 21 de Campinas e Piracicaba (os vice-campeões). Campeã indiscutível, a cidade explodiu em festa no regresso dos atletas. Foi a primeira conquista de uma série expressiva de 15 títulos consecutivos (de 1940 a 1954). Santos reinaria nos anos 1950 e 1960. Hoje, com suas 26 conquistas, a cidade figura no topo do ranking dos Jogos Abertos, uma tradição marcada na história do esporte brasileiro.

Curiosidades
Santos foi a cidade que mais sediou os Jogos Abertos do Interior. Foram 8 vezes (1946-1948-1951-1965-1987-2000-2003-2010). Ribeirão Preto é a segunda, com 5.

Os Jogos de 1940, que marcou a primeira conquista de Santos nos Jogos Abertos, não tiveram seus registros fotográficos preservados para a posteridade. As imagens que ilustram esta matéria são dos Jogos de 1941, do bicampeonato.

Santos obteve a posse definitiva do Troféu Ademar de Barros (o oficial dos Jogos Abertos) em 1941, após o vice de 1939 e as conquistas dos dois anos seguintes. É o troféus mais antigo da galeria do Museu DeVaney, em Santos.

Santos tem 13 vice-campeonatos nos Jogos Abertos.

*Texto reproduzido do site Memória Santista