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Vinicius Carlos Vieira

Saiu da faculdade de jornalismo e descobriu que não sabia fazer mais nada a não ser escrever sobre cinema. Resolveu virar crítico. Hoje, é editor e crítico do site Cinema Aqui (@cinemaqui), além de ser produtor do Nerd Cine Fest. No twitter pode ser encontrada no @vinicvieira

Logan

Depois de 17 anos, mutante se despede dos cinema. Confira a crítica.

07 de março de 2017 - 09:57

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bannerO tempo passa, os super-heróis tomam cada vez mais os cinemas e bilheterias, todo mundo se diverte, desde os fãs dos gibis até quem só conheceu os personagens na telona. Mas vez ou outra um desses filmes parece chamar mais a atenção. Logan é um desses exemplos.

Christopher Nolan já fez isso com O Cavaleiro das Trevas e mais recente os Irmãos Russo também com Capitão América: Soldado Invernal. Ainda que sejam filmes de super-heróis, tanto esses dois, quanto Logan se permitem ser algo a mais. O filme do Batman era um policial urbano, o da Marvel era uma thriller de espionagem e o do mutante canadense algo que fica entre um faroeste e um road movie.

Como se ambos fossem pensados e estruturados sem que ninguém com poderes, capas, garras ou soros estivesse na trama. Como se só no final de seus roteiros os personagens conhecidos pelos fãs fossem introduzidos nessa história.
A trama aqui já funcionaria só por mostrar um assassino/soldado aposentado que faz de tudo para passar despercebido pelo mundo enquanto tente esconder seu pai adotivo procurado pela justiça, mas que precisa colocar tudo em risco quando descobre que tem uma filha e que um grupo de mercenários querem mata-la a todo custo.

Agora substitua o assassino por Wolverine (Hugh Jackman), seu pai adotivo pelo Professor Xavier (Patrick Stewart em um trabalho acima da média) a recém-descoberta filha por Laura (Dafen Keen), uma espécie de “mini-clone” com garras e, por fim, os mercenários pelos Carniceiros, um grupo de soldados com algumas “melhorias” cibernéticas liderados pelo cínico e frio Pierce (Boyd Hoolbrok).

Mas sobre tudo isso, Logan é uma desconstrução do personagem do cinema (o que, não curiosamente, o aproxima muito mais de sua persona nos quadrinhos). Melhor ainda, James Mangold, que já tinha dirigido o desastre anterior, parece aprender com seus erros. Enquanto em Wolverine: Imortal ele passa o filme inteiro tentando te convencer de que o personagem é mortal, aqui, em poucos minutos de projeção você já tem todo certeza de que o mutante nunca esteve tão debilitado e frágil. Ao mesmo tempo que também nunca foi mostrado tão feroz e violento.

Para os fãs do personagem e até para quem estava cansado de um personagem selvagem como Wolverine sempre cerceado, Logan é um alívio que não tem o menor receio de afastar das filas dos cinemas o público mais criança. Mangold então não desperdiça nenhum momento onde as garras do herói transpassam cabeças e arrancam membros. E nesses mesmos poucos minutos de abertura do filme isso também já ficará bem claro.

logan-trailer-2-01E mais importante que tudo isso é o caminho sensível e poderoso em que Logan percorre entre as fronteiras sul e norte dos Estados Unidos, onde o mutante tenta chegar para que Laura encontre um lugar que ela acreditar ser uma espécie de “Édem” onde alguns jovens mutantes encontram a paz (na verdade algo além disso). A cada parada e obstáculo, esse trio de personagens se desenvolvem mais e mais, muito diferente de algum filme onde seus superpoderes resolvem qualquer problema.

Talvez ai esteja então o maior acerto tanto de Logan, quanto O Cavaleiro das Trevas e Soldado Invernal, ainda que todos tenham seus heróis usando suas habilidades especiais para resolverem o problema no final, durante todo o resto dos filmes elas poderiam até serem esquecidas. Não são reféns de super-poderes, mas sim de personagens, de uma trama e da tentativa de contarem uma boa história. E mais do que tudo Logan é exatamente isso, uma ótima história, seja com ou sem mutantes.

Críticas desse e de outros filmes você pode encontrar no CinemAqui