Celso Evora

Mar doce lar

Confira a análise do jornalista Celso Évora.

15 de abril de 2019 - 13:13

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Essa semana uma baleia morta foi encontrada nas Filipinas com 40 quilos de sacos plásticos dentro do estômago. O corpo do animal foi resgatado a leste da cidade de Davao por uma equipe do Museu D’Bone Collector – ONG dedicada a ações de educação sobre a vida selvagem e à recuperação de animais mortos.

Em um post no Facebook, a ONG informou que “a causa final da morte da baleia foram 40 quilos de sacolas plásticas, incluindo 16 sacos de arroz, 4 sacos usados em plantações como a de bananas e várias sacolas de compras”.

Junto com diversas imagens, a organização publicou texto afirmando que a quantidade de lixo que ela engoliu foi a maior já vista até agora por esse animal. Não é de hoje que o ser humano vem tratando os rios e mares como lixeiras.

Impacto

Garrafas PET, papel filme, sacolas, copos e embalagens de plástico são utensílios que propiciam praticidade e conforto no dia a dia, em todo o mundo, mas são duráveis e resistentes à degradação, causando grande impacto ambiental em todo o mundo.

Segundo dados divulgados pela ONU, 80% de todo o lixo marinho é composto por plástico e a estimativa é que em 2050 a quantidade de plásticos na água supere a de peixes. Para se ter uma ideia, hoje a presença de microplásticos nos mares já superam a quantidade de estrelas na galáxia.

Segundo o Greenpeace UK, a cada ano são despejados nos oceanos cerca de 12,7 milhões de toneladas de plástico, desde garrafas e sacos plásticos até canudos. E o maior impacto negativo dessa poluição é a ingestão desses resíduos pelos animais.

Consciência

O consumo desses resíduos plásticos impede que os animais mergulhem profundamente, impossibilitando-os de caçar e de comer. Quando se perde animais de uma cadeia alimentar, você aumenta a quantidade de animais que serviam de caça para aquele que caçava, ou vice-versa, desequilibrando todo um sistema ecológico.

Dia desses, num simples lazer final de semana pós chuvas intensas na Baixada Santista, ao passar próximo ao Ilha Porchat, em São Vicente, presenciei uma quantidade enorme de resíduos na faixa de areia, com inúmeros resíduos plásticos. Mais à frente, foi possível avistar uma tartaruga morta ao lado de garrafas Pets.

Há cerca de 10 anos, uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) revelou que a cerca de quatro quilômetros das praias, dentro da baía de Santos, tanta poluição se acumula no fundo do mar que elimina qualquer vida animal. Os resíduos despejados pelos navios cargueiros e graneleiros, atracados na costa litorânea de nossa região é algo que precisa ser maior fiscalizado.

Estudos apontam que em nossas praias 56% dos resíduos encontrados nas praias vêm do consumo doméstico e 17% vem do chamado lixo de verão. Simples mudança de hábitos poderão garantir uma melhoria da qualidade ambiental das praias e de nosso planeta.