Estação X
Diego Corumba

Jornalista especializado em games

O Batman

Possuindo um dos maiores números de aparições no mundo dos games, o super-herói Batman tem games nos mais variados estilos e com diversas abordagens sobre o personagem.

21 de agosto de 2017 - 10:49

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“Todo sábado, a Gazeta de Gotham publica um artigo de cotidiano chamado Gotham é… Na coluna, alguns gothamistas aleatórios são convocados a completar a frase usando no máximo três palavras. A Gazeta vem publicando Gotham é… há anos, desde que eu era garoto. Aqui vão algumas das palavras usadas para descrever a cidade nos últimos anos: Condenada, Amaldiçoada, Tumultuada, Assassina. Gotham é vil. Gotham é perda de tempo. Gotham é um caso perdido. De vez em quando, alguém usa o nome de algum vilão da cidade para completar a frase Gotham é… Normalmente é algum garoto. Um adolescente tentando chocar a sociedade. Mas, de tempos em tempos, alguém tenta argumentar seriamente que a cidade é melhor refletida em seus vilões. Por exemplo, Gotham é o Duas-Caras, o que quer dizer que o lugar está constantemente em conflito consigo mesmo. Ou Gotham é o Crocodilo. O que significa que a cidade é pouco mais do que um monstro canibal. Já vi alguns poucos Srs.Frios. Dois Máscaras Negras. Mais recentemente, cheguei a ver alguns nomes novos também. No entanto, para mim, os criminosos de Gotham, sejam antigos ou novos, nunca irão definir a cidade. Porque, no fim das contas, são simplórios e covardes, governados por seus desejos mais previsíveis. Claro, uma das respostas mais comuns para Gotham é seria o Batman. Gotham é o Batman. Gotham é cidade do Batman. Gotham é o morcego. Sou suspeito para julgar essas respostas. Ainda assim, gosto de acreditar que, quando dizem Batman, estão fazendo uma afirmação. Um voto de confiança em todos os heróis de Gotham” – WAYNE, Bruce (Batman – Os Novos 52 – Vol.1)

Nas HQs, Batman completará 80 anos em 2019.

 Presente na cultura pop e em todos produtos midiáticos que se possa imaginar, o homem-morcego criado por Bob Kane em 1939 é um dos maiores ícones dos super-heróis e das histórias em quadrinhos em todo mundo. O Batman, sendo o milionário Bruce Wayne que teve seus pais assassinados e resolve que traria justiça e segurança para ninguém mais passar por aquilo, também se faz presente no mundo dos games. Seja ao lado dos demais membros da Liga da Justiça ou sozinho, sua atuação é uma das maiores neste universo (cerca de 40 jogos apenas dele, com participações em outros 15).

Impossível falar do Batman no mundo dos videogames sem citar a franquia “Arkham”. Um dos games mais aclamados da atualidade, revolucionou a fórmula de jogos baseados em heróis apresentando um enredo denso com uma jogabilidade que até hoje é copiada em outros gêneros. Misturando investigação e muita pancadaria, seguimos os passos do maior detetive do mundo atrás dos ataques de Coringa ao asilo Arkham e ao confinamento gigantesco de Arkham City. Após os eventos que finalizaram o segundo game, temos o retorno do Espantalho para dominar a cidade de Gotham com vários outros dos vilões conhecidos da franquia.

Com minha opinião pessoal no meio, Batman Arkham Knight, o último da franquia, foi um dos melhores games lançados que já tive o prazer de ter o controle em mãos. Os dois games anteriores são épicos e clássicos, mas correr com o Batmóvel, enfrentar os maiores vilões a céu-aberto de Gotham, voar pela cidade, desvendar crimes e salvar a população dos perigos iminentes me passou verdadeiramente como é “ser” um dos maiores heróis de todos em plena forma. Coisa que filme algum conseguira me fazer refletir, por exemplo.

Após a vitória sobre Coringa, o Batman enfrenta um dos seus inimigos mais poderosos em Batman Arkham Knight. 

Vale menção ao jogo LEGO Batman (que também tem três versões), que leva o sombrio herói ao patamar mais humorado, fazendo das grandes histórias mais leves para as crianças poderem aproveitar e conhecer mais. O próprio game teve tamanha importância que, com o seu sucesso de vendas e mercado, garantiu a entrada do personagem em dois filmes: Uma Aventura LEGO e o seu próprio, LEGO Batman.

A figura dele também move o enredo de um dos maiores jogos de luta recentes, Injustice. Tanto no primeiro quanto no segundo game ele bate de frente com o Superman, tentando defender a humanidade dos riscos oferecidos pelo kryptoniano. Além de participar das lutas, é ele que mantém “iluminado” a todos os propósitos de serem heróis e razão de crença para as pessoas. Defender o que é o certo. Em ambos os games, seu papel é de protagonismo ao lado de seu rival (e melhor amigo).

Em Injustice, Batman enfrenta Superman em uma guerra pelo destino da humanidade. Quem vencerá só depende do jogador. 

Recentemente também tivemos Batman: The Telltale Series, que traz as aventuras do herói em formato episódico para a nova geração. Nela, vemos o peso do uniforme do homem-morcego e das ações de Bruce Wayne como influenciam as coisas ao redor. Apesar de ter um formato mais simples, foi um dos primeiros a investir de forma pesada no personagem fora de sua zona de conforto, tendo que resolver os problemas sem a máscara. De tão bem aclamado, ganhou uma continuação este mês de agosto chamada “The Enemy Within”.

Alguns já devem ter percebido como o personagem está em evidência nos últimos anos. Uma trilogia de filmes, vários jogos, participação no Universo Cinematográfico da DC Comics com filmes spin-offs baseados em seus vilões, até mesmo nos seriados aparecem personagens clássicos da sua galeria (seja nos que não envolvem o personagem como Arrow e Flash ou em Gotham, que conta o passado da cidade). Sem contar o foco dado nas HQs para o personagem (um dos carros-chefe da editora). E isso não é para menos, como não se relacionar em algum ponto de sua história?

Nos jogos da Telltale, o foco é em Bruce Wayne e em como suas ações refletem no mito do Batman como conhecemos.

Claro, caro leitor, não estou falando da parte financeira da história. Mas se compararmos com qualquer outro, o Batman é um humano comum. Que sofreu, tem fantasmas do passado, que teve de lidar com a vida da pior forma possível. Ele não nasceu em outro planeta, foi picado por uma aranha radioativa ou ganhou um anel que lhe garantia poderes. É um cara, tentando fazer o que é certo. Isso é mostrado claramente em sua relação com os demais personagens. Ele é o “pés no chão” da história. Aquele que se vê obrigado a montar planos, pois somente assim ele poderá vencer. “Preparação”. E sabemos que, sem ela, nem ele e nem nós chegamos a lugar algum. Certo?

O respeito que vemos ao redor da mídia e atenção dadas ao personagem fazem jus à nossa aproximação dele. Homem-Aranha é um estrondoso sucesso por ser um herói que usa um pouco de humor mesmo quando sua vida está caindo no limbo. Os X-Men, pela sua luta desesperada pela aceitação. O Batman, por sabermos o quanto o passado pode nos afetar e continuar nos movendo. Ele não é um herói fácil de compreender e isso o torna mais humano que qualquer outro. Não somos fáceis de ser compreendidos. Nem tudo serão as mil maravilhas. Às vezes tudo que o (ou “a”) separe da loucura é sua moral e dureza. O quanto você “apanhou” e continua em pé. Às vezes acompanhado/a, às vezes sozinho/a. E é por isso que, mesmo quase 80 anos depois, ele continua cativando e se aproximando dos fãs. E é isso que torna seus jogos, filmes, livros e o que for que esteja relacionado algo tão forte e inspirador para quem está do outro lado.

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