O homem terminal | Boqnews

Ponto de vista

6 de fevereiro de 2024

O homem terminal

Elon Musk anunciou a implantação bem sucedida de um “chip” – o “neuralink” – no cérebro de um paciente humano, o que pode se tornar um dos principais eventos da Medicina moderna.

Gosto de fazer analogias entre situações reais e cenários, com livros e, principalmente, filmes. Afinal, é comum encontrar quem vá mais ao cinema, ou assista TV e vídeos em celulares, do que frequentadores de livrarias.

Assim, gostaria de mencionar: “O homem terminal” (EUA, 1974) e “O preço do amanhã” (EUA, 2011).

No primeiro, um prisioneiro é voluntário para participar de um experimento, escolhido por alegar que cometera assassinato por um impulso incontrolável de violência. Esse impulso era recorrente, sempre precedido do cheiro de uma mistura de esterco e querosene.

“Chips” foram implantados em seu cérebro e, a partir de um computador, passaram a enviar estímulos elétricos a setores, até que foi identificada a área de origem da reação violenta. Então, foi programada uma associação dessa área a uma zona do cérebro responsável por sensações agradáveis, para verificar se anulariam o comportamento violento. Sucesso!

Comprovada a eficácia do “chip”, tempos depois o condenado foi liberto.

O problema é que seu cérebro passou a buscar cada vez mais a sensação de prazer, ou seja, os impulsos violentos se tornaram cada vez mais frequentes e descontrolados, resultando em crimes ainda mais graves, em série! No final, desesperado e exaurido, ele foi sumariamente executado por um atirador de elite.

“O preço do amanhã” tem como cenário um futuro em que a população que, ao atingir a idade de 25 anos, mantém essa aparência, mas passa a ter sua vida subordinada a créditos de tempo. Uma vez esgotados, a pessoa sofre um colapso instantâneo e mortal.

Lembro de assistir uma palestra em que mencionaram que 2029 será o “ano da singularidade”, no qual ser humano e máquina serão integrados.

É fato que o uso de marcapassos é bem antigo, assim como outros dispositivos não autônomos implantados em seres humanos.

Pouco sabemos sobre inovações em termos de “tecnologia embarcada” no corpo humano, mas já é comum a utilização de dispositivos mecatrônicos/cibernéticos externos.

É possível monitorar localização e saúde de pessoas a distância!

Quem viu as séries “Cyborg” e “A mulher biônica” teve a oportunidade de conhecer esse cenário entre fascinante e preocupante. Aliás, não faltam exemplos na literatura e filmografia sobre essa “singularidade”.

O universo “Jornada nas Estrelas” tem os assustadores “Borgs”, seres interconectados em rede, meio orgânicos, meio terminais, todos ligados a uma inteligência central, que redistribui experiências e aprendizados, e pode, a qualquer momento, desativá-los.

O “neuralink”, com a Engenharia Genética e a nanotecnologia podem trazer uma significativa evolução no tratamento de deficiências imunológicas e tumores, e na melhoria de condições motoras e neurológicas para vítimas de acidentes, doenças neurodegenerativas ou psiquiátricas, ou malformações congênitas. Enfim, o potencial é fantástico, imenso, semelhante a um milagre!

No entanto, é preciso lembrar que essa nova tecnologia, como qualquer outra, tanto pode ser usada para o bem, como para o mal. Pode curar, potencializar qualidades e aptidões, como sugerido em “Joe 90” e “Matrix”; ou transformar seres humanos em “terminais” controlados por quem define o algoritmo da programação.

A condição humana tende a ser radicalmente transformada!

Enfim, é preciso ter cuidado para que um benefício não se transforme em um mecanismo de controle, numa nova arma contra a humanidade como a conhecemos.

Há quem veja isso como desejável…

 

Adilson Luiz Gonçalves é escritor, engenheiro, pesquisador universitário e membro da Academia Santista de Letras

Adilson Luiz Gonçalves
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