O país que vota pela mesa | Boqnews

Ponto de vista

Imagem ilustrativa gerada por IA
4 de dezembro de 2025

O país que vota pela mesa

As eleições de 2026 batem à porta.

Da cozinha.

Basta observar o fogo do debate político para perceber que a disputa já está quase no ponto.

O presidente conseguiu, com o episódio do Tarifaço, fotos com líderes mundiais e discursos em cúpulas elegantes, temperar o noticiário e melhorar sua avaliação, que andava meio azeda.

Mas a verdade é que o brasileiro só acredita em governo quando a panela, o prato e a despensa estão cheios.

E, nos últimos dias, uma notícia quase passou despercebida: a cesta básica ficou mais barata em várias capitais do país.

Por aqui, a economia real não se mede apenas pelo PIB. Ela se mede pela quantidade de arroz, feijão e mistura na mesa da população mais carente.

E eu, que já rodei as cinco regiões deste país fazendo campanha e treinando candidatos, pude provar as delícias das cozinhas regionais — e ver como cada prato revela uma forma diferente de pensar o Brasil.

No Sul, churrasco é religião.

No Nordeste, carne de sol é resistência e identidade.

No Centro-Oeste, a carne é orgulho do que se produz.

No Sudeste, o cardápio vai do dry-aged dos restaurantes finos de São Paulo ao churrasquinho de laje das periferias – lazer democrático de quem merece um fim de semana com gosto de recompensa.

E no Norte… bom, por lá, o peixe é rei, é alimento que resume geografia, cultura e ancestralidade.

Mas existe um corte que atravessa tudo isso: a picanha.

A picanha não é apenas carne.

É símbolo. É senha.

É o instante em que o brasileiro abandona a sobrevivência e celebra a própria existência.

E vale lembrar: o Brasil já foi conhecido como República do Café com Leite, quando São Paulo e Minas decidiam os rumos do país entre xícaras e fazendas.

Mas, hoje, é a picanha que move o poder.

Foi com essa imagem no paladar coletivo que Lula venceu em 2022: prometendo devolver ao povo o direito ao churrasco completo.

E a história recente mostra que, no Brasil, a política tem tempero doméstico:

• FHC consolidou poder quando estabilizou as compras do mês.
• Lula cresceu quando o pobre voltou ao supermercado.
• Dilma enfrentou desgaste quando a conta da cozinha deixou de fechar.
• Bolsonaro sangrou quando a feira virou vilã.

Não é que a política brasileira seja simples.

É que, na ponta, ela é muito mais de sobrevivência do que de ideologia.

E aqui está a parte mais suculenta da campanha que ainda nem começou:

Se arroz e feijão continuarem cabendo no carrinho e, principalmente, se a picanha aparecer na mesa, a oposição terá de buscar outro cardápio para alimentar sua legítima expectativa de sentar à mesa dos vitoriosos.

Vai precisar jogar pimenta nesse churrasco, propor outro tempero e tentar servir ao eleitor um prato diferente.

Porque, no Brasil, eleição não se decide em plenário, nem em protocolo diplomático.

Ela se decide na mesa, com comida quente, geladeira cheia e domingo com gosto de país possível.

No fim das contas, quem controla o fogo, controla o país.

 

Fabiano Caldeira é jornalista e especialista em marketing político

Fabiano Caldeira
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