Estação X
Diego Corumba

Jornalista especializado em games

Orgulho, Preconceito e Persona 5

Existem jogos que divertem, mas em alguns casos eles podem fazer mais do que isso. Na coluna desta semana o debate é sobre a diversão e todo conhecimento que perdemos e onde isso pode te atingir. E analisa o game Persona 5.

17 de janeiro de 2018 - 17:51

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No local que trabalho, existe um sistema de vendas diferenciado.

Não temos a imposição de metas, porém há uma bonificação para os melhores a cada 3 meses.

Os três primeiros colocados ganham um game em ambas as lojas.

No trimestre que engloba outubro-novembro-dezembro estive nessa posição de destaque e ganhei o direito a escolher um game.

Por “falta de opção” (detalhes me perguntem pessoalmente), fui num game muito aclamado pela mídia, mas que sinceramente não tinha dado a mínima: Persona 5.

O melhor RPG de 2017, segundo a Game Awards (o “Oscar” do mundo dos games).

Para quem jogou no mesmo ano The Legend of Zelda: Breath of the Wild (Melhor Jogo de 2017, na mesma premiação); Super Mario Odyssey (outro indicado junto ao Zelda e Persona); Resident Evil VII; Injustice 2; Final Fantasy XV e outras pérolas, confesso que estava completamente desinteressado em Persona 5.

Exclusivo da PlayStation, na quinta edição (nunca joguei os anteriores, isso desmotiva se não é pesquisado corretamente), com design em anime (amo mangás/animes, mas tenho certo pé atrás em jogos que usam deste estilo) entre outros…juro a vocês que fui para casa pensando que poderia ter pensado melhor na minha escolha de game.

Cheguei em casa, liguei o PlayStation 4 para já instalar o game e atualizá-lo, coloquei o disco e, para a minha surpresa, não havia atualização.

Como diz meu irmão, é extremamente raro (beira ao impossível) terem lançado um game completo, sem a necessidade de ajustes.

Os letreiros começam a aparecer e o vídeo abaixo surge.

 

https://www.youtube.com/watch?v=kJIGlas15Uk&t=10s

Vale a pena rever

Confesso que assim que terminou, desejei rever.

O estilo urbano, o status “cool” dos personagens, o ar de rebeldia adolescente e de que isso era um convite interessante para uma aventura me convenceram a dar uma chance para o jogo.

Não era apenas a abertura musical que foi “pomposa”.

Iniciar o jogo (a princípio, “apenas um RPG”) numa fuga dentro de um cassino, cheio de guardas e carregando todo esse estilo visto na música, me deixaram cada instante mais empolgado em seguir as aventuras do herói.

Sendo sincero, foi um “sacrifício” largar o controle para escrever a coluna dessa vez.

Estou aqui, publicamente, admitindo que meu julgamento impediu este que vos escreve de ter aproveitado um dos melhores games que lançaram no ano passado.

Puro preconceito, daquele que nos arrependemos amargamente.

Este jogo, para mim, fez valer a pena a aquisição de um PlayStation 4 em minha estante.

Claro, cada pessoa tem sua opinião e talvez este disco nunca passe próximo ao seu aparelho…mas sabe quando você encontra aquele algo que redefine sua visão sobre as coisas ao redor? Foi este o efeito que o game me causou.

 

Persona 5 concorria em 2017 também a Melhor Jogo de 2017, porém ganhou apenas como o Melhor RPG do ano.

Realidade paralela

Por alto (bem alto), você acompanha a história dos Phantom Thieves, um grupo de jovens + um gato falante que estão dispostos a entrar numa realidade paralela e encerrar atos maléficos de pessoas que enganam as demais no mundo real.

As motivações, situações, a forma como o jogo te permite não só ficar esmagando inimigos, mas sim valorizar as relações durante os dias que se passam me fizeram desacreditar como algo assim não foi edificado num patamar superior ainda.

Fora isso, ele alerta diversas situações que vemos nos noticiários: abuso de autoridade, bullying, crimes como plágio, abusos sexuais, entre outras situações que estão em evidência.

Não só coloca sob alerta, como mostra as conseqüência de cada um desses nas vítimas.

O âmbito do game é conscientizar sobre problemas que carregamos em nossos corações e que afetam as demais pessoas.

Cada um tem seu caminho de pedras, preocupações e um ponto-limite que pode agüentar tudo isso.

O jogo não negligencia isso em momento algum.

Ele diz que todos temos “sombras” nos sentimentos e temos de enfrentar isso para podermos caminhar juntos ao convívio ideal. Sabe o quanto é difícil realizarmos esse tipo de coisas em nós mesmos?

 

Os Phantom Thieves é um grupo de pessoas que se unem para “roubar o coração” das más pessoas, usando uma realidade paralela para seus ataques.

Sem diferenças

O pior é realizar que, por puro preconceito e por falta de um pouco de “fé” eu nem me aproximaria deste jogo. Quantas pessoas não fazem o mesmo diariamente?

Seja com games, livros, filmes, cor de roupa, cor de pele, sexo…?

Não me digam que há diferença, não há.

O fato de não conhecermos determinada coisa, de acharmos que sabemos de algo, ouvirmos opiniões alheias e mantermos distância até atacar aquilo que nem sabemos ao certo como funciona.

É uma linha muito tênue que separa o preconceito de “coisas” para “pessoas”.

Um passo errado e adivinha onde estará?

Nunca julgar um livro (ou jogo, nesse caso) pela capa.

Aquilo que desprezamos, que nos mantemos distantes, que pensamos “não, nem quero saber” é que pode nos ensinar as lições que realmente precisamos aprender.

Ou até mesmo nos aproximarmos daquilo que mais queremos.

Iniciei o ano ansiando por boas histórias, algo que acordasse coisas diferentes em mim, me aproximar de algo que compreendesse aquilo que sou e justamente aquilo que estava dando as costas é que trazia isso.

Irônico, não?

Vamos ser sinceros, fugimos e damos as costas para VÁRIAS coisas.

Por anos.

Por uma vida inteira, às vezes. Isso é natural do ser humano.

Perdemos tempo, perdemos coisas importantes, muitas dessas essenciais para que possamos evoluir e nos tornarmos a diferença neste mundo gigantesco.

 

Morgana, o gato, tem várias passagens qual discute contra o preconceito por ter seu julgamento questionado pelos demais pela sua forma felina.

Enfim, o jogo (sim, um game, “infantil”; “coisa de quem não tem o que fazer”; “tipo de coisa de gente sem amigos, sem namorada etc.”) me fez abrir os olhos ao preconceito que eu tenho.

O mesmo que citei acima e luto contra.

E você, quantos preconceitos sofre e quantos você impõe? No fim das contas, mais estamos perdendo do que ganhando.

Quando se deita à noite, o único que perdeu a oportunidade de ver e conhecer coisas incríveis, uma outra realidade e um outro alguém será você. Adicione à essa conta que se você externou isso, além de não ter ganho nada, fez outra pessoa IGUAL a você (com seus problemas, sua vida conturbada e inseguranças) perder, sofrendo por aquilo que você não quis enxergar de outro modo.

E assim continuamos perdendo. Até quando? Por favor, me responda você.

 

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