A lição de casa, muito comum na escola, é uma atividade importante para a formação dos estudantes, porque faz com que eles enfrentem desafios, estabeleçam uma rotina saudável e melhorem a sua capacidade de organização.
E essa comparação pode muito bem ser levada para a gestão municipal, onde os prefeitos bons alunos que fizeram a tarefa de casa para enfrentar a atual crise econômica – que resultou na queda da arrecadação das cidades e provocou cortes de verbas orçamentárias em serviços públicos essenciais para a população – tiveram sucesso em suas reeleições.
Até poucos anos atrás havia grande otimismo em relação à economia brasileira. O Brasil chegou a crescer 7,6% em 2010. Os salários cresciam e o desemprego era quase zero. De repente tudo mudou: a economia entrou em recessão a partir de 2014 e os municípios começaram a sofrer com suas receitas minguando ao passo que aumentava o acesso de pessoas aos serviços públicos.
Pouco caso
Ocorre que nem todo aluno-prefeito gosta de fazer a lição de casa, pois ainda existem administradores que fazem pouco caso com o dinheiro público, se apropriando dele enquanto a população fica sem atendimento médico ou obras e serviços essenciais para viver com mais conforto e dignidade.
O resultado das eleições municipais desse ano no Maranhão, por exemplo, foi um balde de água fria para muitos prefeitos locais que pouco se importaram com a austeridade, a transparência, a eficiência e o controle rigoroso dos gastos públicos.
Tanto que os partidos oposicionistas conquistaram as prefeituras de 150 dos 217 municípios do Estado no primeiro turno, pondo fim à hegemonia de 50 anos do grupo político do ex-presidente José Sarney. Não é à toa que o Maranhão tem o maior percentual de miseráveis do País: 12,9%, quase quatro vezes mais do que a média nacional, de 3,56%.
Diferenciados
Gestões diferenciadas fizeram os prefeitos das cidades de Salvador (BA) e Santos (SP), que se precaveram e se anteciparam ao cenário econômico difícil e desafiador que viria pela frente, sendo, consequentemente, reeleitos com votações recordes.
O de Santos, Paulo Alexandre Barbosa, teve 77,7% dos votos – o maior índice entre as cidades com mais de 500 mil habitantes. Em segundo lugar veio Antônio Carlos Magalhães Neto, de Salvador, com 74% dos votos. Mesmo com a crise, Paulo Alexandre apostou em investimentos de ponta em seu município, em áreas como saúde e mobilidade urbana.
Os prefeitos eleitos em 2016 terão grandes desafios para o próximo mandato. Segundo dados apresentados pelo IFGF – Índice Firjan de Gestão Fiscal, trata-se da pior crise financeira dos últimos 10 anos: 87% dos municípios brasileiros estão em situação fiscal difícil ou crítica.
Por fim, os gestores públicos que tiveram conhecimento dessa realidade demonstraram a liderança e a firmeza necessárias para implantar boas práticas de gestão pública eficiente à população.
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