Ponto de vista
Poesia do Corpo
Poesia do Corpo. O nome surgiu da modelo e atriz Jaqueline Lima que me presenteou com este ensaio. E digo que me presenteou pois fui realmente escolhida para fazer estas fotos que há muito tempo ela tinha em mente. O resultado do ensaio é uma mistura dos anseios dela com meu olhar e a contribuição de pessoas especiais Cris Challoub e Jota Amaral.
Foram dois encontros. O primeiro para nos conhecermos melhor. Conversarmos. Deste dia já surgiam algumas ideias. Projeções, além das frases escritas no corpo… No segundo, o estúdio já ganhou uma nova dimensão. A música dava o movimento certo para que as roupas fossem retiradas de cena e que as frases fossem escritas na epiderme da alma…
Cris contribuiu com a maquiagem. Com seu jeito delicado ajudou também com que Jaque se soltasse a cada click. Sugeriu poses. Jota surgiu ajudando nas projeções, onde rosto e costas, por exemplo, de tornaram um só. Uma fusão de diversas mensagens. Poemas e o livro de Vinicius de Moraes têm papel fundamental nas fotos, por vezes, são protagonistas.
Para Jaque, o Corpo é um presente. “Belo em suas formas e cores diferentes. Quis falar dele porque a sociedade impõe de forma absurda o modelo, o padrão que precisamos ter para sermos aceitos. Não! O Corpo é meu e é bonito com suas imperfeições e beleza. O Corpo é poesia”, acredita. Uma das frases que mais gosto, selecionada por Jaque, porém não é de Vinicius e sim da poetisa Elisa Lucinda que diz “Deixar de ser racista, meu amor, não é comer uma mulata”.
As fotos, portanto, não passaram por photoshop, além de ajustes de contraste e cores. O corpo dela ficou intocável, mostrando a beleza nas imperfeições. O texto escrito por Jota exemplifica de maneira artística e clara o resultado deste encontro:
A natureza é perfeita em seu estado real
Do natural, ergue-se o imprevisível
Proporções e simetrias dançam ao acaso
E de rostos colados ou com outros pares
Insistem numa dicotomia poética
O olhar de Nara Assunção sobre a POESIA DO CORPO de Jaqueline Lima é o resultado deste ensaio onde luz e cor, palavra e pele são contribuições complementares de duas visões artísticas.
Para quem ficou curioso em ver as fotos, elas estão expostas na Galeria do Lobo Estúdio, à Rua Luís de Camões, n°12, até o final de agosto. Uma dica é ir em uma sexta-feira, dia em que está acontecendo os Combos Culturais.