Editorial
Humberto Challoub

Jornalista e Diretor de Redação do Jornal Boqnews. Diretor da Faculdade de Artes e Comunicação da Unisanta

Postura inadequada

Ao invés de insistir nas prosopopeias populistas, seria de mais valia que o presidente dedicasse esforços à formulação de políticas econômicas realistas à geração de recursos

11 de janeiro de 2021 - 12:28

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Infeliz e inoportuna a declaração do presidente Bolsonaro sugerindo que o País estaria “quebrado” e sem recursos para dar sequência às ações de Governo, mais uma fanfarrice verborrágica que gerou instabilidade no mercado financeiro e suscitou dúvida sobre a real capacidade de seu Governo fazer frente aos desafios impostos nesse período de pandemia. Ao invés de insistir nas prosopopeias populistas, seria de mais valia que o presidente dedicasse esforços à formulação de políticas econômicas realistas, adequadas à geração de recursos e, principalmente, para o controle dos gastos públicos, de forma a recuperar a credibilidade do País e sustentar as políticas sociais para salvaguardar garantias de vida digna à população.

Mais do que nunca, o momento exige o esforço de empresários, trabalhadores e Governo, dirigido à manutenção e crescimento da produção, afim de recuperar e consolidar um mercado interno capaz de equalizar os desequilíbrios motivados pelas turbulências econômicas. Dispensar funcionários e reduzir a massa salarial apenas agravará um quadro de recessão que, ao que tudo indica, pode ser revertido com criatividade, empenho e boa vontade de todas as partes envolvidas.

É justo reconhecer que os trabalhadores sempre pagaram mais por uma conta que não lhes cabem. Mais do que condicionar a manutenção de postos de trabalho a elevados índices de lucratividade, cabe agora às empresas e ao Governo o sacrifício maior para assegurar o crescimento econômico brasileiro. Lamenta-se que diante da escalada do desemprego, o Governo ainda não tenha adotado de forma efetiva práticas de austeridade e de racionalização no uso dos recursos arrecadados da população, instrumentos fundamentais para a manutenção do equilíbrio financeiro do País que deveriam acompanhar as administrações públicas, em momentos ou não de crise.

Há muito a população brasileira paga por contas que não contraiu, arcando com prejuízos oriundos da incompetência, irresponsabilidade – e também má fé – de governantes. Enfatizar a geração de renda por meio da ocupação de trabalhadores em projetos voltados à melhoria das condições de vida da população, como habitação, saneamento e infraestrutura urbana, são ações de fundamental importância que devem figurar entre as principais prioridades das autoridades públicas. Afinal, ao invés de distribuir perdas geradas pela incompetência administrativa, são as riquezas produzidas pelo trabalho que devem ser compartilhadas em benefício de todos.