Foto: Arquivo Agencia Brasil Extrema pobreza

Opiniões

14 DE JULHO DE 2021

Realidade a ser revertida

Por: Humberto Challoub

Recente levantamento realizado pelo programa Estratégia de Saúde da Família (ESF), do Ministério da Saúde, traduziu em números uma triste realidade há muito conhecida: no Brasil, 80% da mortalidade infantil está concentrada em 21% dos municípios localizados nas regiões Norte e Nordeste. Entre os estados que concentram as maiores taxas estão Roraima (20,69%), Amazonas (19,77%), Acre (18,04%), Amapá (16,78%), Sergipe (16,76%) e Bahia (15,27%), índices superiores às regiões Sul e Sudeste, onde a média é de 11%.

Além das consequências produzidas pela escassez ou limitação da disponibilidade de terras para a agricultura, a partir de variáveis demográficas, econômicas e climáticas, o cenário de pobreza atesta a repercussão negativa sobre a saúde da população. As dificuldades enfrentadas pelos nortistas e nordestinos já são por demais conhecidas e, ao longo da história, sempre foram vistas como estereótipos da miséria nacional, permeando retóricas políticas populistas e camuflando práticas corruptas a partir do desvio de recursos dos muitos projetos governamentais criados para tentar atender as demandas sociais daquela região.

Subjugadas pela cultura do coronelismo, as populações do Norte e Nordeste foram condenadas ao atraso e forçadas ao êxodo para assegurar as condições mínimas de sobrevivência, motivando o crescimento urbano desordenado nas grandes cidades brasileiras.

Mesmo que reconhecida a necessidade de manutenção dos programas assistencialistas e de transferência de renda para o combate à miséria, muito mais se espera do Governo no sentido de implementar políticas consistentes e duradoras para o desenvolvimento sustentável daquela região. Além da urgência na instituição de programas ou políticas de atendimento às populações mais vulneráveis, dirigidas a minimizar os impactos adicionais produzidos pela pandemia, espera-se também maiores investimentos efetivos para o desenvolvimento de atividades produtivas e de serviço, notadamente nas áreas agrícolas e de turismo.

Nesse sentido, a criação de mecanismos e alternativas de cunho econômico local, além de garantir a subsistência das famílias nordestinas, oferecerá condições para sua manutenção nas próprias localidades, evitando, ou pelo menos minimizando, a migração para outras cidades, especialmente para o Sudeste do País. Mais do que benevolência, as regiões Norte e Nordeste devem ser entendidas como grande potencial de oportunidades para abrigar importantes segmentos empresariais brasileiros, sobretudo os voltados à produção de alimentos e de lazer, medidas que devem estar incluídas entre as principais prioridades nacionais relacionadas para as próximas décadas.

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