“Todo mundo me diz, bom dia / Todo dia sempre igual / Crianças pedem nas janelas do carro / Até nas noites de Natal / Ou, ou, ou, ou nada mudou”
O refrão acima é da música Nada Mudou do cantor e compositor Léo Jaime, nos idos dos anos 1980, que fez parte do ressurgimento do rock nacional, assim como várias outras canções que tinham em suas letras forte influência nos aspectos sociais, políticos e econômicos do país.
A música era um grande alerta na época e ainda serve para sintetizar como perduram no Brasil os vários problemas sociais que enfrentamos, dentre eles, o trabalho infantil, exercido por crianças e adolescentes abaixo da idade mínima legal permitida.
Grande parte dos países no planeta possui leis trabalhistas que condenam essa prática, que é ilegal e reconhecida como crime. No Brasil, não é permitido o trabalho infantil, sob qualquer condição, para crianças e adolescentes até 13 anos. E somente a partir dos 14 anos pode-se trabalhar como aprendiz, desde que não atuem em atividades perigosas.
Chaga
De acordo com o último relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2013, haviam 168 milhões de crianças e adolescentes trabalhadoras no mundo, sendo que cinco milhões estão presas a trabalhos forçados, inclusive em condições de exploração sexual e de servidão por dívidas.
Mesmo sendo repudiado pela sociedade, o trabalho infantil acontece em diferentes lugares do mundo. De acordo com a UNICEF, seus principais causadores são basicamente a pobreza e o desemprego. Mas, essa chaga social ainda podemos constatar, diariamente, nas áreas urbanas.
É comum vermos em semáforos, lojas, restaurantes, postos de gasolina, dentre outros locais públicos, crianças e adolescentes meninos e meninas vendendo balas, engraxando sapatos ou entregando panfletos, além de outras tarefas diárias, sujeitos a toda sorte de dificuldades. Outras ainda enfrentam o trabalho infantil doméstico e o aliciamento pelo tráfico de drogas.
Distorcido
Em tempos natalinos com o comércio em geral lotado de pessoas indo às compras e quando se aflora ainda mais o espírito da caridade, esses jovens recebem mais esmolas e, portanto, ficam por mais tempo nas ruas. Numa recente pesquisa, foi constatada que a maioria dos santistas considera “uma boa ação oferecer esmolas”. O fato é que se a criança trabalha, ela deixa de estudar e a sua infância morre.
A Prefeitura de Santos ampliou suas campanhas oficiais, ampliando peças publicitárias em vários espaços públicos para diminuir a oferta de esmola e mostrar que geralmente a criança que pede dinheiro nas ruas é explorada por um adulto.
A criança tem de estudar, ler e brincar. Trabalhar só quando crescer. Bom Natal a todos!
(*) Celso Évora – Interino
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