Estação X
Diego Corumba

Jornalista especializado em games

Realidade Virtual

Com a evolução tecnológica, entrar no videogame ou trazer elementos dele para a nossa realidade não parecem mais absurdos. Mas como funcionam?

31 de agosto de 2017 - 09:54

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Desde o início dos videogames, tivemos muitas evoluções nas décadas que seguiram. Dos pontos na tela que simulavam uma partida de ping-pong, passando pelas figuras semelhantes a desenhos rupestres pulando em cipós por cima de jacarés, o encanador vermelho tentando salvar Pauline das garras de um gigantesco gorila até o surgimento do 3D, que nos trouxe vários clássicos no PlayStation e Nintendo 64 (sem excluir o Dreamcast). A partir disso, os gráficos e a capacidade dos consoles foram evoluindo cada vez mais até atingirmos a parede que bate na realidade. Jogos, visualmente, parecem filmes interativos pelo absurdo gráfico ultra-realista. Atualmente, essa “parede” também foi quebrada.

 O óculos de realidade virtual da PlayStation, o PlayStation VR é o único no mercado de consoles que engatou e veio para ficar. 

Com os óculos de realidade virtual cada jogador ultrapassa a camada que o separa das telas e controle e está “dentro” de seu jogo. Mais precisamente falando, o PlayStation VR é o que alcançou o maior potencial nesta tecnologia. Aqueles vistos para celulares e alguns criados para PC são conhecidos pela imersão também, mas transmitem apenas uma tela chapada do que teria já normalmente no aparelho. O equipamento criado pela Sony coloca o jogador, literalmente, na posição do personagem que controla.

Primeiramente, para compreender o PlayStation VR, deve notar que em seu visor e no que segura a nuca há dispositivos luminosos. Estas luzes são captadas pela PlayStation Câmera (um equipamento semelhante ao Kinect, do Xbox, essencial ao uso do VR) que levará os movimentos da sua cabeça ao videogame. Praticamente, na questão técnica, é um dispositivo que transmite seus movimentos.

A PlayStation Camera tem funções semelhantes ao Kinect, captando o movimento do óculos e dos controles para reproduzir suas ações na tela. 

Porém, ele vai além disso. Junto ao visor, vem na caixa um decodificador, que fica entre o óculos de realidade virtual e o videogame. Ele é responsável de passar uma imagem que vai diretamente à televisão às duas telas de 5,7” OLED (que, diferente do LED comum, transmite luz orgânica) que estarão em seus olhos. Estas telas são munidas de capacidade de 120 frames por segundo (o dobro de imagens que passam em apenas um segundo dos videogames comuns que temos no mercado) e visão 360 graus.

O que isso significa? Que ao colocar o óculos, ele te fará ver o que o personagem do jogo está vendo, em gráficos que atingem o dobro de potencial do que já acreditamos ser o mais próximo da realidade que alcançamos. Fará você virar a cabeça, e pela captação do movimento, o personagem virar ao mesmo tempo e comandar todo seu campo de visão. Em termos virtuais, você estará dentro do videogame. Imerso no jogo, de formas que jamais experimentou antes.

 

Aviso: jogar Resident Evil VII no modo VR pode trazer alguns sustos maiores do que os experimentados no conforto do controle

Aí, caro leitor, você pergunta se há jogos que dão suporte a isso ou se é um acessório em desuso (abraços Kinect). Resident Evil VII te permite experimentar os terrores da fazenda Spencer, ver os monstros bem à sua frente e tentar encontrar uma saída (vivo) daquele cenário macabro. O jogo completo, como você os joga na televisão normalmente, nos seus olhos. Cada susto, cada parte destruída que voa da casa, cada confronto. Legal, não é?

Se isso não lhe convenceu, que tal partir para a guerra com Farpoint? Você está num planeta hostil tentando resgatar cientistas que estudavam uma anormalidade em Júpiter. Ou confrontar robôs gigantes em RIGS: Mechanized Combat League?  Ainda não? Uma exploração pré-histórica com Robinson: The Journey pode chamar atenção. Quem sabe batalhas em naves espaciais com Starblood Arena ou EVE Valkyrie? Até mesmo se procura paz, em PlayStation VR Worlds você pode explorar o oceano com o óculos.

Robinson: The Journey te coloca na frente de criaturas jurássicas sem a necessidade de uma visita ao museu.

Além disso, vídeos e fotos gravados em câmeras com recursos 360 graus podem ser usados pelo PlayStation VR, dando uma sensação de controle maior do que está assistindo. Se é um filme que pretende ver, o VR também lhe garante uma experiência boa através do blu-ray, permitindo que se sinta num verdadeiro cinema particular.

Vamos ser sinceros sobre o equipamento. Caro? Sim. Tem lindos recursos, jogos interessantes (e com modo online em alguns), a ideia é muito boa. Ele vale cada centavo. Você deve estar acreditando que fiz uma baita duma propaganda aqui, mas vamos assumir aqui, é o único no mercado. A linha Xbox não possui algo oficial até o momento e a Nintendo não aparenta estar interessada nesse nicho. Espero que a Microsoft ao menos traga algo, que possa gerar ideias criativas tão boas (ou até melhores) para isto.

Há alguns anos, numa certa E3, a Microsoft trabalhou o óculos de realidade virtual como uma possibilidade, não somente levando a pessoa dentro do game, mas usando o Kinect para aumentar a realidade da pessoa. Algo semelhante a Pokémon GO. Nesse fatídico vídeo, o jogador interage numa plataforma com o jogo Minecraft usando as mãos. Na “mesa de casa”.

Minecraft em realidade aumentada, utilizando o óculos em conjunto com o videogame

Como citado de Pokémon GO, levar as pessoas para “dentro” do videogame não parece ser a única opção plausível. Trazer eles para o mundo real também está fazendo sucesso. A própria Nintendo trabalhou o AR Cards do Nintendo 3DS com essa possibilidade, aprimoraram com Pokémon GO e isso gerou games do manga Bleach, por exemplo, e do seriado The Walking Dead (anunciado recentemente).

Acalme-se, os videogames como conhecemos não caminham para um fim. Os óculos de realidade virtual e games em realidade aumentada ainda encontram resistência de certos jogadores e técnicas, abrindo espaço para serem excelentes ideias, com pontos interessantes e modos de execução criativos. Mas o público clássico ainda terá muito chão para percorrer com os clássicos consoles na frente da televisão.

Os jogos de realidade aumentada se popularizaram a partir de 2016, com o game Pokémon GO.

Misturar a realidade com o videogame também não apresenta um risco humano, como alguns se preocupam. É um modo de entretenimento distinto, que pode ser usado para deixar a pessoa mais imersa em certas experiências. Modos de ver o mundo diferentes, como opiniões e gostos pessoais, assim como a ideia da pessoa do que possa a completar mais nos videogames. A forma como você reage a algo, em um lado pode ser empolgante e de outro não. Isso vai caber muito a cada jogador (e ao bolso também, convenhamos).

Esta tecnologia, ao contrário do que gritam por aí, não é o “futuro”. É parte dele. Uma parte muito intrigante e que exige que a pessoa tenha plena consciência (coisa que a humanidade anda falha…) do que está vivenciando. Mas também uma parte que abre um leque imenso de possibilidades dentro de determinados jogos. O importante, como sempre, é saber o que te faz se divertir e mergulhar de cabeça, independente do que escolha: óculos ou controles.

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