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Vinicius Carlos Vieira

Saiu da faculdade de jornalismo e descobriu que não sabia fazer mais nada a não ser escrever sobre cinema. Resolveu virar crítico. Hoje, é editor e crítico do site Cinema Aqui (@cinemaqui), além de ser produtor do Nerd Cine Fest. No twitter pode ser encontrada no @vinicvieira

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

Luc Besson tem em mãos um filme lindo, mas que não tem nada a dizer. Confira a crítica.

16 de agosto de 2017 - 02:04

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Valerian e a Cidade dos Mil Planetas, só não é um enorme desperdício de seu tempo, porque Luc Besson continua tendo uma facilidade incrível para criar mundos e passear por eles. Com isso em mente e com um 3D bem aproveitado, o filme francês (com cara de americano) faz bem aos olhos.

Na verdade, Valerian é o filme francês mais caro da história, com Besson trabalhando com seus 200 milhões de dólares para criar esse mundo colorido, dinâmico, cheio de detalhes e pequenas histórias. Lindo mesmo, mas isso ocupa um espaço tão pequeno no filme que é difícil acreditar que minha afirmação do primeiro parágrafo continue sendo levada a sério.

O rabisco que Besson entende por história é apenas uma desculpa para o visual. Primeiro enquanto acompanhamos uma hecatombe em um planeta idílico onde tudo parece ser uma grande praia e sua principal riqueza pode ser multiplicada por um bichinho esquisito que excreta centenas de cópias de tudo aquilo que come.

Tudo bem que logo de cara isso pode parecer que não vai ter a menor importância, até tem, mas antes disso você irá conhecer os agentes Valerian (Dane DeHaan) e Laureline (Cara Delevingne), que talvez tenham um caso amoroso ou não, mas que sobrevivem através de uma química batida onde ele em toda sua canastrice ficam o tempo todo tentando conquista-la. Os dois acabam tendo que resgatar um objeto em um divertido mercado virtual onde rolará uma grande cena de ação com muitas espécies.

Essa missão leva a uma outra dentro da tal cidade do título que, por sua vez, é a oportunidade moral de Valerian e Laureline de salvarem uma raça em extinção e ainda enfrentarem um vilão mal. Nada que ninguém não tenha visto antes. E diante da trama óbvia e de um segundo ato grande demais e sem qualquer tipo de emoção, o resultado é de levar seus espectadores ao sono.

É lógico que o visual conquista, mas quando a surpresa passa o que sobra é uma trama arrastada e vai de um lugar ao outro sem interesse. Um ataque que se transforma em resgate, que por sua vez resulta em um sequestro e ai, novamente, um outro resgate (mas dessa vez com a Rihanna, o que não quer dizer muita coisa). Por fim eles voltam a discutir a trama central, mas uma coisa está tão longe da outra que tudo soa desconexo e apenas um esforço para mostrar mais uma raça esquisitona e dar o recibo de onde foram gastos os milhões de dólares franceses.

Essa falta de esforço narrativo reflete ainda em uma bidimensionalidade dos personagens que chega a irritar. Auxiliado pela falta de charme de Dane DeHaan, é quase impossível torcer por ele, principalmente diante de uma personalidade desequilibrada, que ora é um anti-herói à la Han Solo, noutras é um cara perdido diante das situações. Sorte da Laureline de Cara Delevingne, que acaba tendo mais espaço para uma personagem com um pouco mais de profundidade.

Mas tudo isso pouco importa, já que Valerian e a Cidade dos Mil Planetas teria que ser apreciado por seu visual, e com meia hora a menos, talvez o deslumbre não se tornasse mesmice e tédio. O que é uma pena, já que o filme tinha tudo para divertir ao invés fazer você sair do cinema pensando se valeu mesmo a pena (e o dinheiro) Luc Besson criar toda essa expectativa para um resultado tão aquém de suas possibilidades.

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