Cientista política analisa os impactos das mudanças com o encerramento da janela partidária
Com a proximidade das eleições em outubro próximo, políticos que pretendem concorrer em outubro entram na fase final das mudanças de partido visando fortalecer suas alianças e garantir votos, aliás, a janela partidária, que termina na próxima sexta (3).
Assim, grandes movimentações vem ocorrendo nos últimos meses e dias. E se intensificaram até lá.
Movimentações
Neste sábado, o PSD realiza a filiação do deputado federal Paulo Alexandre Barbosa, de saída do PSDB. Mesmo caminho da vice-prefeita e secretária de Educação, Audrey Kleys. Entram na listagem de filiações pelo partido o vice-prefeito de Guarujá, Toninho Salgado, a prefeita de Mongaguá e seu marido e ex-prefeito, Cristina Paulo Wiazowski. O evento contará com a presença do presidente do partido, Gilberto Kassab.
Se alguns chegam, outros saem. Caso do deputado estadual Paulo Correa Jr, que deixou o PSD rumo ao Republicanos.
Por sua vez, alguns apostam que o governador Tarcísio de Freitas, hoje no Republicanos, vá para o PL. Se isso ocorrer, resta saber quem será o vice de Tarcísio, cuja avaliação é positiva em todas as pesquisas.
Assim, existem duas opções: André do Prado, presidente da Assembleia Legislativa, do PL considerado ‘raiz’, e alguém do PSD, indicado por Gilberto Kassab. Felício Ramuth, atual vice, já esteve em cotação melhor.
Na hipótese do PSD prevalecer para indicar o vice, o nome do deputado Paulo Alexandre cresce nos bastidores das especulações políticas. E assim, deixaria de lado a disputa à Câmara Federal para compor chapa com o governador Tarcísio.
Não bastasse, se o deputado se tornar vice, com quem tem tido um ótimo relacionamento, segundo interlocutores, abre-se espaço para uma candidatura a federal na região pelo PSD. E quem poderia ocupar este vácuo? A vice-prefeita de Santos e atual secretária de Educação, Audrey Kleys.
Mais nomes
Além disso, com a divulgação do nome do ministro Fernando Haddad como candidato ao governo paulista, ganha força o ex-governador Geraldo Alckmin como vice de Lula. Por sua vez, crescem as chances das ministras Marina Silva e Simone Tebet como opções ao Senado em SP. Resta a pergunta: onde fica o ministro Marcio França neste arranjo político? Em nota publicada na coluna Painel da Folha de S. Paulo, Marcio promete pleitear ao presidente Lula a segunda vaga ao Senado pelo PSB.
Já em âmbito local, o atual secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos de Santos, o vereador Fabrício Cardoso retornará ao Legislativo para disputar uma vaga à Assembleia Legislativa pelo Podemos. Não bastasse, o TSE – Tribunal Superior Eleitoral homologou a Federação PP e União Brasil.
Janela partidária
Segundo a professora e cientista política, Clara Versiani, a janela partidária é importante para o cenário eleitoral, porque é nesse período que há a definição dos candidatos, isso principalmente no caso dos deputados estaduais, federais, com relação à possibilidade de troca de legenda, lembrando que é nesse momento que eles podem fazer isso.
“A questão da janela não é importante, por exemplo, para quem concorre a cargos executivos ou em eleições majoritárias que não são proporcionais, mas, no caso daqueles que concorrem para cargos que são proporcionais, ela é fundamental. E é nesse momento que vão se desenhando também as alianças”.
“Nós percebemos quem se aproxima de quem, um que troca de partido aqui, que é porque talvez tenha a intenção de se aliar ou compor uma determinada chapa ali. Então, nesse momento, o cenário eleitoral já começa a se desenhar. Então, para os eleitores, para aqueles que buscam analisar esse cenário ou observar as tendências, é neste momento que isso ocorre”.
Mudanças
Sobre como as mudanças de partido neste período podem impactar as eleições de 2026, ela cita que isso produz impactos, porque as alianças começam a se definir. “Por exemplo, a chegada do deputado federal, Paulo Alexandre Barbosa, ao PSD. Lembrando que o PSD é uma legenda que teve um crescimento muito grande nas eleições municipais de 2024. Hoje é um partido de grande porte e, nesse caso, de centro-direita. É interessante notar que a centro-direita anda bastante congestionada”. Ou seja, muitos querendo disputar esse lugar de principal partido ou de principal legenda deste segmento.
“E há também uma ambição da esquerda de também ocupar algum papel no centro, porque também temos a centro-esquerda que se aproxima um pouco da centro-direita. Então, a gente pode dizer que esse meio, no momento, anda bastante embolado neste sentido.”
Impactos
Além disso, Clara aborda que as mudanças de legenda muitas vezes acontecem considerando a questão do fundo partidário. Os partidos que têm mais recursos, evidentemente, atraem aqueles candidatos que podem ter um desempenho maior ou buscam atrair esses candidatos, exatamente porque eles têm mais recursos públicos de campanha.
Assim, ela cita que o impacto em Santos decorre do fato de terem candidatos ligados ou próximos ao Executivo Municipal. Desse modo, dando sinais de engajamento em alguma legenda.
“O que certamente já permite que a gente comece a traçar cenários possíveis para as eleições municipais em 2028. No caso, por exemplo, da mudança de legenda da vice-prefeita de Santos, Audrey Kleys, isso já nos indica como será o cenário da Prefeitura ou como a campanha municipal de 2028 poderá ser, uma vez que ela possa buscar uma legenda mais competitiva”, enfatiza.
“E o alinhamento também, no caso do deputado Paulo Alexandre Barbosa, se ele acontecer de fato, com o governador. Uma coisa interessante de se notar é que há também que se observar que houve, em um determinado momento, embora isso seja negado o tempo todo, um certo distanciamento do PSD, que é a sigla comandada pelo Gilberto Kassab, em relação ao governador Tarcísio de Freitas. Houve até ameaça de que o PSD desembarcasse do Governo do Estado”, reforça.
Neutralidade
“E há muita gente questionando também o fato do Ratinho Júnior, que era um nome cotado para candidato a presidente pela sigla, ter sido convencido a desistir do seu nome, sendo que ele é o governador no Paraná de segundo mandato. Então, seria um caminho natural, uma vez que ele estaria, ou seria, o terceiro colocado nas pesquisas de intenção de voto nesse momento. Mas ele foi convencido pela direção do partido a abandonar essa pretensão.”
Dessa forma, ela cita que muitos acreditam que o PSD estaria buscando um caminho da neutralidade para ficar confortável para fazer uma aliança ou com o governador Tarcísio ou com o presidente Lula também. “Essa seria uma aposta, porque o que faz uma sigla como essa que teve um desempenho tão grande, desistir, fazer com que uma das suas lideranças, que tem uma boa posição nas pesquisas eleitorais, desista da candidatura?”.
Eleitorados
Segundo a cientista política, os eleitores costumam ser críticos em relação à mudança de legenda, mas é bom observar que os partidos hoje em dia não fazem muita diferença. “Algumas mudanças de legenda são dentro do mesmo espectro, o da centro-direita, que, está muito embolado e não há diferença ideológica entre esses partidos que compõem esse centro”.
O que há diferença é em relação ao tamanho da proporção daquilo que esses partidos podem ter dentro do fundo partidário. “Isso sim faz a diferença. Fora isso, não há”.
E lógico, uma vez que o PSD cresceu tanto nas últimas eleições, sobretudo no número de prefeituras que hoje são comandadas pelo partido, uma troca de candidatos para a legenda não vai causar muito estranhamento.”
Assim, ela menciona que a reação pode vir quando há uma mudança de uma sigla que tem um alinhamento ideológico mais definido para uma outra. Por exemplo, se fosse alguém saindo do PT para o PSD e do PSD para o PT.
Fortalecimento
Aliás, Clara informa que a troca de partido pode aumentar as chances de eleição de um candidato. “A troca de partido pode aumentar as chances, sobretudo se o candidato for para uma legenda que tenha ou que disponha de uma quantidade maior de recursos. Então, isso aumenta para ele as chances em termos de campanha, de estratégia e entre outros fatores. Isso acaba aumentando para ele as chances de ganhar as eleições ou um partido que tenha uma liderança, no caso alguém que seja bom de voto, que puxe muitos votos.”
Análise
A cientista política explica o que o eleitor deve observar ao analisar candidatos durante esse período de mudanças partidárias. “É observar as razões ou procurar saber as razões que levaram o candidato a mudar. As razões deste alinhamento, aquilo que ele vai apresentar como justificativa e para qual partido vai. Assim como o seu comportamento também nesse processo e depois durante a campanha”, enfatiza.
Tendências
Clara menciona que as tendências políticas na Baixada Santista têm sido nas últimas eleições de centro-direita e até de direita mesmo. “Essa é a tendência que pode-se observar, ou seja, uma região até o momento, pelo que tudo indica, bastante conservadora em alguns casos ou conservadora ou de centro em outros”.
“Então, acho que, num cenário próximo, não há muita indicação de mudança nesse sentido. A gente pode considerar que essa tendência é um fenômeno interessante de ser estudado, embora ele já tenha sido em outros momentos, mas é que chama a atenção mesmo”.
“É uma região conservadora no sentido de que apresenta uma tendência mais de centro-direita, quando não de direita mesmo”, ressalta a professora.
Confira as notícias do Boqnews no Google News e fique bem informado.