“Não haverá polarização entre esquerda e direita”, diz ex-ministro Celso Amorim
A união entre antigos adversários e prováveis aliados nesta eleição, no caso o ex-presidente Lula e o ex-governador paulista Geraldo Alckmin, sinaliza que não haverá polarização entre esquerda e direita nas eleições presidenciais tomando como referência os dois nomes que pontuam na liderança das pesquisas (Lula e Bolsonaro).
“O certo é comparar entre o mundo civilizado e um mundo de destruição, que fomenta o ódio e o medo”.
A opinião é do ex-ministro das Relações Exteriores (governo Lula) e da Defesa (governo Dilma), Celso Amorim.
Amorim participou do Jornal Enfoque – Manhã de Notícias de hoje (5).
Assim, para o chanceler, não se pode dizer polarização a medida que Alckmin não está ligado ideologicamente à esquerda.
“A polarização poderia existir se há de um lado a civilização e do outro a ignorância, a brutalidade e violência. Se for nesta linha, pode ser”, destacou.
Sem polarização
Dessa forma, ele refutou que a candidatura do ex-presidente Lula se apresente como o extremo (esquerda x direita, espaço ocupado por Bolsonaro), especialmente na eventual chapa Lula-Alckmin.
“Não é uma polarização entre esquerda e direita. A proposta do presidente Lula é de grande democracia com sentido social, com defesa da soberania, com algumas coisas que, às vezes, os meios tradicionais e as elites podem considerar de esquerda, mas não é isso”, salientou.
Além disso, no seu twitter, Lula resumiu hoje um pouco o que Amorim, um dos seus principais colaboradores, dissera antes.
“Eu mudei, o Alckmin mudou e o Brasil mudou. Eu fui adversário do Alckmin, não inimigo. Feliz era o Brasil que tinha disputa entre dois partidos democráticos, porque existia debate civilizado, sobre programa de governo”.

Com sua experiência, ex-ministro das Relações Exteriores e Defesa, Celso Amorim, falou sobre política internacional, eleições e imagem do País no exterior no Jornal Enfoque – Manhã de Notícias de hoje. Foto: Jornal Enfoque-Manhã de Notícias
Relações exteriores
Portanto, durante o programa, Amorim falou também sobre o atual estágio das relações exteriores brasileiras e lamentou a imagem que o Brasil tem na atualidade.
“A imagem do Brasil no exterior não vai mudar tão cedo em razão das queima das florestas, ataques à cultura e outras questões importantes do atual governo”, destacou.
Amorim também falou das sanções econômicas impostas à Rússia e os impactos que outros países, como o Brasil, estão sofrendo, como no caso da importação de fertilizantes, a qual o País tem ampla dependência.
Curiosidade
Santista de nascimento, Amorim revelou uma curiosidade.
Portanto, ele nasceu na cidade há quase 80 anos por uma decisão de sua mãe.
Assim, na ocasião, ela resolveu vir a Santos, onde ele nasceu, para ficar próximo dos seus pais.
Aliás, seu avô foi um dos proprietários do Bazar Paris, no Centro Histórico de Santos, no início do século passado.
Confira o programa completo