Calor pode ser um aliado? Entenda como a temperatura pode influenciar Brasil e Noruega
A Seleção Brasileira volta a campo neste domingo (5) para enfrentar a Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo.
O jogo será às 17h (horário de Brasília) no Estádio MetLife, em Nova Jersey, nos Estados Unidos.
Além dos aspectos técnicos e táticos que envolvem o confronto, um fator extracampo também pode influenciar o desempenho das equipes: as altas temperaturas registradas nos Estados Unidos durante o torneio.
Para ter noção, nesta sexta-feira (3), a temperatura em Nova Jersey é de 35 °C.
Noruega
Acostumado a competir em um país de clima predominantemente frio, a Noruega pode enfrentar um desafio extra diante do calor, enquanto os brasileiros, apesar que muitos jogadores atuem no continente europeu, em tese, estariam mais familiarizados com esse tipo de condição.
Mas, na prática, até que ponto a temperatura pode representar uma vantagem no torneio?
Temperatura
O professor universitário e coordenador da Faculdade de Educação Física da Unisanta, Nicolau Teixeira, comentou sobre esse jogo e de que forma as altas temperaturas podem interferir no desempenho físico de uma equipe que não está acostumada a competir em clima quente.
“Existe uma situação da temperatura estar alta, né? Os jogadores brasileiros vivem num país tropical, apesar que todos jogam na Europa. Mas, fisiologicamente, o nosso organismo é mais adaptado a temperaturas mais altas do que os noruegueses que vivem numa região muito fria. Praticamente a equipe toda joga na Europa, não só na Noruega, muitos jogam na Inglaterra e outros países e não são países tropicais. Então, se a gente analisar nesse contexto, jogadores brasileiros têm uma leve vantagem”.
Vantagem
Contudo, uma dúvida é se o Brasil pode levar alguma vantagem fisiológica sobre a Noruega por ter atletas mais habituados a jogar em temperaturas elevadas ou esse fator perde importância no futebol de alto rendimento.
“A vantagem fisiológica existe. Então, podemos considerar que o Brasil tem uma pequena vantagem. Isso porque estamos falando de atletas de alto nível e com condicionamento físico muito bom. São profissionais, os jogadores das duas seleções atuam em grandes clubes da Europa. Mas, tem uma tendência, por exemplo, se o jogo for para a prorrogação, tem uma tendência do Brasil, dos jogadores brasileiros, terem uma adaptação melhor a uma temperatura mais alta.”
Impactos
Além disso, ele ressalta que os principais impactos do calor no organismo durante uma partida de futebol com temperatura mais alta é a fadiga muscular, desidratação e queda de intensidade.
“A queda da intensidade vai ocorrer principalmente no segundo tempo ou numa prorrogação, eu creio que não no primeiro tempo. Eu acho que a partida vai ser jogada em alta intensidade ou pode ser que as duas equipes tendem a monitorar isso e não deixem um jogo com muita intensidade. A equipe que tiver uma alta intensidade no início, ela pode sofrer consequências no segundo tempo ou numa possível prorrogação.”
Adaptação
Além disso, Teixeira aborda sobre quanto tempo uma seleção precisa para se adaptar às condições climáticas de um torneio como a Copa do Mundo.
“Praticamente você não consegue adaptar um jogador assim tão rápido, até porque todas as seleções tiveram uma média de 15 dias de preparação para a Copa do Mundo. Então você observa que não há tempo hábil para ocorrer uma adaptação para esse tipo de clima, para esse tipo de situação climática. Os jogadores se reúnem ali por uma questão mais tática do que física, porque fisicamente eles já estão preparados, lembrando que eles vieram de uma temporada grande, principalmente Europa e alguns que estão aqui no Brasil também, uma temporada desgastante, todos jogam em grandes clubes e tiveram uma temporada muito desgastante.”
Dessa maneira, ele acrescenta que você precisa de muito tempo para conseguir uma adaptação à questão climática.
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